sábado, 29 de março de 2008

ENTREVISTA - REVISTA CARTA CAPITAL

CARTA CAPITAL

29/03/2008

A hegemonia de São Paulo tem de acabar


O governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, está na contramão da radicalização usada pelo seu próprio partido, o PSDB, no combate ao governo Lula. Essa diferença não é recente. Em todas as crises do governo, as reais e as fabricadas, Aécio, que nesta entrevista se define como um “construtor de pontes”, se manteve distante dos “dinamitadores de pontes”, que, segundo ele, ocupam a cena política.

Na quarta-feira 26, na sala de visitas do Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte, Aécio explicou à CartaCapital o que é o processo de distensão política que ele iniciou em Belo Horizonte, com o apoio do prefeito da capital, o petista Fernando Pimentel. PSDB e PT abriram mão de candidaturas próprias e vão apoiar um candidato a prefeito do PSB, provavelmente Marcio Lacerda, secretário do Desenvolvimento Econômico de Minas. Há reações visíveis dos petistas mineiros e invisíveis entre tucanos de outros estados.

Ao propor mudar o tom dos embates, dado pela radicalização entre petistas e tucanos, ele sabe, no entanto, que mudará também o eixo da política. Isso esbarra na hegemonia paulista, berço do conflito original entre PT e PSDB.

“Essa disputa, absolutamente radicalizada, com o mero objetivo de alcançar o poder, tem sido nociva ao País”, afirma.

“O que tenho advogado é que o Brasil não pode viver eternamente sob a influência tão forte de uma só unidade da federação. Não seria bom se essa hegemonia fosse mineira, baiana ou gaúcha. Nada contra São Paulo, mas o equilíbrio tem de ser restabelecido. Em algum momento isso vai acabar. Se é agora, em 2010, eu não sei”, diz ele.

Aécio Neves diz que é cedo para falar numa eventual candidatura à Presidência. Ele se resguarda. Mineiro hábil – é possível que isso seja uma redundância – não usa dinamites. Mas, embutida nessa aliança que ele tenta construir a partir de Minas Gerais, muitos interesses políticos e eleitorais podem ir pelos ares.

CartaCapital: O que significa essa aliança do PSDB com o PT, em Minas, em meio a um confronto radical que tem marcado a relação entre os dois partidos?
Aécio Neves: Há um sentimento que carrego comigo há muito tempo de que nós precisamos mudar o eixo da política brasileira. Essa disputa absolutamente radicalizada, com o mero objetivo de alcançar o poder, tem sido nociva ao País. Na verdade, os oitos anos do governo Fernando Henrique e, agora, esses seis primeiros anos do governo Lula estão ensinando ser preciso que algo novo aconteça.

CC: Mas isso é mesmo possível?
AN: Claro que esse é um embrião. Mas ele pode sinalizar que o PT e o PSDB não podem ser inimigos para sempre. O projeto que está em curso em Minas é consistente. Ele é aprovado pela população, que quer a continuidade da parceria entre o município e o estado, para que a cidade melhore. Isso, do ponto de vista pragmático, é importante, porque dá substância ao entendimento. Este acordo também acaba com o maniqueísmo que tomou conta da política brasileira.

CC: Mudar o eixo da política brasileira, como o senhor propõe, significa também acabar com a hegemonia paulista, não?
AN: A hegemonia na política não é boa, independentemente de quem a tenha. Eu acho que o Brasil carece de um reequilíbrio federativo e precisa, igualmente, de uma descentralização. Estados e municípios devem ter atribuições mais relevantes e condições de assumir essas atribuições. É preciso reconstruir a federação.

CC: Quando o senhor fala em reequilíbrio federativo e, principalmente, reequilíbrio político, é inevitável pensar nas eleições de 2010. Seria a vez de Minas?
AN: Eu não acredito em candidatura que não tenha uma grande dose de naturalidade. Senão, fica apenas uma candidatura. Isso ocorreu com candidaturas nossas em passado recente. É preciso que a candidatura signifique algo mais do que o projeto de uma pessoa ou mesmo de um partido. O que falta ao Brasil, hoje, é um projeto de país, um projeto de governo. Nós temos sucessivamente assistido a vitórias de projetos de poder. O próprio governo do presidente Lula, em parte, significa isso.

CC: No caso do governo Lula, o que o torna “em parte” um projeto de poder?
AN: Onde estão as grandes reformas? Onde estão as transformações fundamentais?

CC: O governo do presidente Fernando Henrique foi diferente?
AN: Acho que foi a mesma coisa. Ali houve uma grande ruptura, do ponto de vista econômico. Passamos a viver um período de estabilidade, que foi a premissa de muitos avanços que vieram no próprio governo Fernando Henrique e também no governo Lula. Mas o segundo mandato do presidente Fernando Henrique foi pobre, do ponto de vista de iniciativas. Em parte por causa dessa radicalização.

CC: O PT tinha força numérica para bloquear alguma coisa? AN: Tinha. O Congresso permite às minorias obstruções quase que ilimitadas. A oposição dificultou em muito a aprovação de questões como, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que hoje é comemorada e respeitada pelo próprio PT.

CC: O senhor vai colocar a sua candidatura a presidente dentro do PSDB?
AN: O governador de Minas Gerais sempre será lembrado como uma das candidaturas possíveis. Seja pela força do estado, seja pelas tradições políticas mineiras. É muito cedo para dizer que serei candidato à Presidência da República. O que eu quero efetivamente é participar de um projeto novo de Brasil. Eu me dedico hoje a distender as relações. Esta sala onde estamos já foi cenário de reuniões importantes, no período Tancredo Neves, que culminaram, inclusive, com a construção do processo de redemocratização do País. Talvez isso tenha me inspirado. Precisamos superar essa radicalização que tem retardado avanços mais consistentes para o País.

CC: O presidente Lula esteve aqui?
AN: Ele esteve sentado várias vezes no sofá em que você está e conversamos muito sobre o futuro. Conversas republicanas, no nível que a população brasileira se orgulharia. Sem projetos pessoais ou partidários.

CC: Não é natural que esta aproximação, nesse nível, entre tucanos e petistas surpreenda?
AN: Ela não é algo absolutamente inédito. Em 1993, sentamos à mesa construindo uma chapa com o então candidato Lula na cabeça e o Tasso Jereissati como candidato a vice-candidato a presidente da República. Veio o Plano Real, o Fernando Henrique acabou se viabilizando. Consolidamos uma aliança com o PFL e nos afastamos do PT. De lá para cá, essa polarização só aumentou. Passamos os dois mandatos do presidente Fernando Henrique com uma oposição muito radical. Lula venceu a eleição e o PSDB radicalizou, mas sem o exagero do PT. Se não houver uma ruptura, nós vamos para 2010 e retornamos aos anos 90. Quem ganhar as eleições terá o adversário, no outro campo, radicalizando.

CC: Como começou essa parceria com o prefeito Fernando Pimentel?
AN: Estamos há seis anos juntos, superando problemas graves na área da saúde, melhorando de forma vigorosa os indicadores de criminalidade e a qualidade da educação. Resgatamos, inclusive, a força econômica de Belo Horizonte. Por que, agora, ir para campos opostos? Mais importante é a vitória de um dos partidos ou mais importante é a continuidade de um projeto que atenda à população de Belo Horizonte? O PSDB, neste caso, está agindo com uma grande dose de generosidade. É um partido sólido na capital e não está lançando candidato para participar desse projeto.

CC: Como o ex-presidente Fernando Henrique, expoente do PSDB, encara isso?
AN: Conversei com ele, explicando a lógica da política de Minas. No PSDB, há um absoluto respeito ao que estamos fazendo aqui. O PSDB é, hoje, o mais forte partido no estado. Não há interferência da direção nacional do partido em relação ao que estamos buscando. Quanto ao PT, o prefeito Fernando Pimentel tem tido uma disposição muito grande. Eu tenho conversado também com o ministro Patrus Ananias, que é liderança importante e não se opõe ao entendimento.

CC: O senhor se manteve sempre numa posição frontal à radicalização em relação ao governo. Por quê?
AN: Eu sempre me preservei para ser um construtor de pontes. Existem dinamitadores de pontes em excesso no Brasil. Eu não atuo para transformar a cena política brasileira numa grande delegacia de polícia. Hoje falta arte na política brasileira. Ela virou um campo de batalha de ofensas e ataques pessoais.

CC: Voltando à idéia do início dessa parceria entre o governador e o prefeito...
AN: A idéia surgiu há muito tempo. O prefeito Fernando Pimentel tem as mesmas preocupações que eu tenho quanto à radicalização. Pensamos que uma candidatura do PT ou uma candidatura do PSDB teria dificuldades para aglutinar ambos os partidos. Não havia candidaturas naturais postas. Desde o início, pensamos em um candidato do PSB, um partido que participa da base do presidente Lula e, em Minas, da base do governador. Envolvemos nas conversas o ex-ministro Ciro Gomes e o governador Eduardo Gomes, de Pernambuco, líderes do PSB, um partido que apóia candidatos do PT em várias capitais.

CC: É claro também que o senhor não preparou nomes para a prefeitura e para sucedê-lo no governo estadual. Isso o deixa com ampla margem de negociação.
AN: Não se criam candidatos. Podem-se apoiar candidatos. Eu sou filiado ao PSDB, mas a minha base hoje é muito mais ampla do que o meu partido. O limite da minha sucessão, assim, não se restringe ao partido. Pode ser até que surja do partido. Eu tenho uma posição cômoda. Se eu vier a sair candidato a qualquer coisa, deputado, senador ou a que quer que seja...

CC: Ou a presidente...
AN: Ou a presidente da República. Tenho um vice de minha confiança e da confiança dos mineiros. Homem altamente qualificado, o vice-governador, Antonio Anastasia. Ele tanto pode ser um candidato à minha sucessão quanto conduzir a sucessão em torno de um nome que garanta a continuidade deste processo de entendimento.

CC: O ciclo paulista, seja com o PSDB, seja com o PT, tem de acabar?
AN: Eu não falaria dessa forma, porque parece uma objeção a nomes colocados, como o do governador José Serra, que tem todas as condições de ser um grande presidente da República. O que tenho advogado é que o Brasil não pode viver eternamente sob a influência tão forte de uma só unidade da federação. Não seria bom se essa hegemonia fosse mineira, baiana ou gaúcha. Nada contra São Paulo, mas o equilíbrio tem de ser restabelecido. Em algum momento, isso vai acabar. Se é agora, em 2010, eu não sei.

CC: O senhor acha que o presidente Lula terá uma influência eleitoral grande na sucessão dele?
AN: Eu não tenho dúvidas, pelo que representa e pelo que a eleição dele representou, que, além dos resultados do governo, ele deixará o poder respeitado pelos brasileiros. Em determinadas regiões do Brasil, Lula é mais do que um presidente. Lula é o reflexo da ascensão social que todos, de alguma forma, gostariam de viver. Portanto, ele traz consigo esse componente a mais. Não é um presidente apenas. Por outro lado, eu não vejo condições de o presidente colocar a mão sobre um candidato e eleger esse candidato. A possibilidade de transferência de prestígio é extremamente limitada. Isso não significa que um candidato que ele apóie não se eleja. Mas esse candidato se elegerá pela capacidade de inspirar confiança nas pessoas.

CC: O presidente Lula não sofre um preconceito de uma parte da sociedade pela origem social que tem?
AN: Esse preconceito já existiu com mais vigor do que existe hoje. Certamente, ele ainda existe em determinados setores sociais. Ele tem uma capacidade de interlocução direta com a alma das pessoas, sobretudo entre os mais pobres. Esse é um ativo político extremamente importante. Eu tenho um respeito pelo que foi feito, mas tenho, também, uma certa frustração pelo que ele poderia fazer ainda mais com o cenário econômico internacional favorável, os números macroeconômicos excelentes e uma popularidade inigualável.

sábado, 15 de março de 2008

ENTREVISTA - REVISTA ÉPOCA

Época

15/03/2008

Aécio Neves

"Ninguém quer mais conflito entre PSDB e PT"
De olho no Planalto, o governador de Minas Gerais - com muita conversa e alguma conspiração - está tentando construir uma ponte entre os dois partidos

ORÁCULO


Ainda faltam mais de dois anos para as eleições presidenciais de 2010, mas a agenda do governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, é o que existe de mais parecido com a plataforma de um candidato ao Palácio do Planalto. Na quarta-feira passada, ele tomou café com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, do PT, esteve numa solenidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e jantou com o ex-presidente José Sarney, do PMDB. Na quinta-feira, almoçou com o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, líder do DEM, participou de um encontro com artistas de favelas de Belo Horizonte e falou com o prefeito da capital, o petista Fernando Pimentel.

Nos últimos dez dias, Aécio recebeu o deputado Ciro Gomes, pré-candidato do PSB à Presidência; o presidente do PMDB, Michel Temer; o deputado Aldo Rebelo, do PCdoB; o deputado Fernando Gabeira, candidato do PV à Prefeitura do Rio de Janeiro; e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Justiça, Tarso Genro. “Não estou organizando nada, são as pessoas que estão vindo a Belo Horizonte para conversar”, diz Aécio, para não ser acusado de conspiração – variante da política freqüentemente associada aos mineiros.

Faltando tanto tempo para 2010, Aécio pode estar mesmo só conversando com amigos. Mas isso não é pouco. Para ser candidato ao Palácio do Planalto pelo PSDB, ele precisaria tirar do caminho o governador de São Paulo, José Serra. Serra tem mais influência no partido, é lembrado como um bom ex-ministro da Saúde, tem base eleitoral no maior Estado do país e lidera com folga todas as pesquisas de intenção de voto para a sucessão de Lula.

Só com muita conversa – e alguma conspiração – Aécio poderá superar Serra. E ele parece disposto a isso. Eis, de acordo com seus interlocutores, o principal argumento de Aécio: para vencer as eleições, não basta liderar as pesquisas, é preciso atrair pelo menos parte das forças políticas que hoje apóiam o presidente Lula. “O Serra vai chegar a 2010 à frente nas pesquisas, mas o Aécio está mais adiantado na costura política”, diz um tucano ligado a Serra.

Aécio está prestes a dar uma demonstração prática de sua habilidade como articulador: uma aliança entre o PSDB de Minas e o PT na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. O candidato deverá ser o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda, do PSB, ex-secretário-executivo de Ciro Gomes no Ministério da Integração Regional. Na conversa com Patrus Ananias em Brasília, Aécio acredita ter removido a resistência a um acordo que ele acredita ser um “caminho novo” para o país. Enquanto Aécio celebra uma aliança quase inimaginável com o PT, Serra tentou, mas não conseguiu, impor o apoio do PSDB paulista à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Terá de conviver com a candidatura do ex-governador tucano Geraldo Alckmin, seu rival no partido.

O sobe-e-desce de políticos na direção do Palácio das Mangabeiras – a modernista residência oficial do governo de Minas – tem um sabor nostálgico para Aécio. Lembra a romaria que precedeu o lançamento da candidatura presidencial de seu avô materno, Tancredo Neves, em 1984. Tancredo é o modelo de político perseguido por Aécio. Há 24 anos, usando o mesmo método de receber políticos na confortável sala de estar das Mangabeiras, Tancredo costurou uma aliança que ia do Partido Comunista a dissidentes da Arena para se eleger presidente pelo PMDB no colégio eleitoral. Aécio, que completou 48 anos na semana passada, era um estudante de 22 quando o avô o escolheu para ser seu secretário particular e testemunha de boa parte daquela articulação política. “Aécio aprendeu a fazer política na escola da habilidade e da cautela, as marcas de Tancredo”, diz o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), amigo ao mesmo tempo de Aécio e de Serra.

Aécio é cauteloso. Há pelo menos dois anos vem sendo convidado a entrar no PMDB, com a promessa de ser indicado candidato ao Planalto. Aécio não fechou a porta, mas é improvável que aceite esse atalho. Deseja ter o PMDB como aliado, mas não quer se transformar em refém de suas disputas internas. Ele prefere esperar, mas gosta de esperar conversando. Abaixo, trechos da conversa com ÉPOCA.

ÉPOCA – Por que tantos políticos de partidos diferentes e até adversários têm ido a Minas falar com o senhor?
Aécio Neves – Há uma fadiga do nosso lado e também entre os aliados do governo Lula em relação a esse radicalismo na política brasileira. É uma radicalização artificial, porque não se dá em torno de programas. É só a disputa pelo poder.
ÉPOCA – É possível evitar o radicalismo entre PSDB e PT?
Aécio – Em 1993, estivemos muito próximos. Havia uma articulação que envolvia o Tasso Jereissati (na época governador do Ceará) e o Lula, que caminhava para uma dobradinha. Mas em 1994, com o Plano Real, veio a candidatura do (ex-presidente) Fernando Henrique. Depois disso, caímos na lógica da disputa, marcada pela tensão entre PT e PSDB que existe na política de São Paulo. Ninguém quer mais esse confronto.
ÉPOCA – Isso se resolve conversando?
Aécio – As conversas ajudam a superar resistências. Será que não é possível, a partir de um projeto, nós nos aproximarmos? Isso começa por gestos, como o que estamos fazendo em Belo Horizonte. Aqui estamos construindo uma aliança para dar continuidade à parceria entre governo do PSDB e Prefeitura do PT.
ÉPOCA – Pode-se apostar que a aliança PSDB–PT começa em Belo Horizonte?
Aécio – As conversas estão caminhando muito bem no sentido de termos um candidato comum, do PSB, à Prefeitura. Temos tratado com o prefeito Fernando Pimentel e tive excelentes conversas com o ministro Patrus Ananias (ex-prefeito de Belo Horizonte) e com o ministro Hélio Costa (Comunicações), porque é importante trazer também o PMDB. Acredito que o PT não vai se colocar contra a continuidade de uma parceria entre Estado e Prefeitura aprovada por 86% da população. Já imaginou o palanque desse candidato? O Lula, eu, o Ciro Gomes, o Patrus, o Sérgio Cabral...
ÉPOCA – E o José Serra?
Aécio – Ele vai estar bastante ocupado em São Paulo, com um candidato do PSDB e outro do DEM, mas será muito bem-vindo a Minas, como sempre.
ÉPOCA – A aliança mineira tem futuro nacionalmente?
Aécio – Ela mostra que está surgindo um caminho novo. Por isso eu disse que, se vier a ser candidato à Presidência, não será como um anti-Lula, mas como um pós-Lula. Digo sempre que não podemos demonizar esse governo, apesar das falhas na gestão e da ação de alguns aloprados que ainda estão por aí.
ÉPOCA – Os dois partidos estão tão próximos assim?
Aécio – Entre PSDB e PT não existe mais um grande contencioso ideológico. A guinada econômica do PT nos aproxima. Eles mantiveram corretamente o rumo em que havíamos colocado o país. Por que não voltar então a 1993? Por que repetir a lógica de 1994 e das três eleições seguintes?
ÉPOCA – Mas no PSDB é forte a idéia de enfrentar o PT, inclusive por parte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Aécio – Dentro do PSDB, há espaço para esse novo caminho, como há no PT, no PDT, no PSB. Podemos ter um projeto de país, aliás, devemos.
ÉPOCA – O senhor é candidato à Presidência?
Aécio – É uma possibilidade, mas ninguém pode ser candidato de si mesmo. Não estou conversando sobre candidaturas nem sobre uma chapa para 2010, mas sobre a necessidade de criar melhores condições para quem ganhar. Isso vale para mim, para o Serra, para quem for o candidato.