O GLOBO
Panorama Político
Ilimar Franco
Afagos e paparicos
Enquanto os petistas cobraram maior agilidade do governo federal na liberação de recursos, o governador Teotônio Vilela (AL) cobriu o presidente Lula de elogios anteontem, em Recife. "Se não fosse o presidente, não teria recuperado o estado", disse Teotônio. Lula aproveitou a deixa para tirar uma onda em cima dos petistas: "Se os meus companheiros me elogiassem só a metade disso, eu estaria bem". Quando chegou a sua vez, o governador Aécio Neves (MG) entrou no clima: "Pois é, presidente, se o Teotônio fizesse uns minutos a mais de elogios, eu seria obrigado a denunciá-lo perante o Conselho de Ética do PSDB".
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
CLIPPING - 03 DE DEZEMBRO
FOLHA DE SÃO PAULO
Rumo a 2010: PDSB deve tratar Aécio como líder, diz FHC em BH
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em Belo Horizonte, que o governador Aécio Neves (MG) -que estava ao seu lado- é um "líder" no PSDB e deve ser tratado como tal. FHC afirmou que é "fora de propósito" falar em saída de Aécio do partido.
Aécio, que disputa com o governador José Serra (SP) a indicação para ser o candidato tucano a presidente em 2010, vem sendo cortejado pelo PMDB para trocar de partido. Ele nega essa possibilidade.
Já FHC negou preferir Serra a Aécio. "Eu, sempre que aliso um, aliso o outro. Os dois são excelentes".
VALOR ECONÔMICO
FHC descarta possibilidade de Aécio ir para o PMDB
Ivana Moreira, de Belo Horizonte
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou a oportunidade, uma palestra que faria ontem em Belo Horizonte, para reaproximar-se do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). FHC aterrissou na noite de segunda-feira e hospedou-se no Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador. Ambos tiveram tempo de sobra para conversar sobre o que mais interessa ao mineiro, suas chances para ser o candidato dos tucanos à Presidência em 2010.
Para Fernando Henrique, é "absolutamente fora de propósito" as especulações sobre uma transferência de Aécio para o PMDB. "Conheço o Aécio a vida inteira, ele é um homem de partido", declarou o ex-presidente à imprensa, ontem pela manhã. "É claro que o partido tem de entender que ele é um líder e, como tal, tem de ter todas as condições para se sentir cômodo no partido".
O ex-presidente negou que "alise" mais o governador de São Paulo, José Serra, sugerindo uma preferência pela candidatura do paulista. "Sempre que aliso um, aliso o outro também", brincou. Segundo FHC, quem tiver a capacidade de - "mais à frente, não agora" - sintonizar melhor o sentimento do país é que será o candidato do PSDB ao Planalto. "Pode ser um e pode ser o outro".
Embora acredite que haverá entendimento entre os tucanos para a escolha do candidato, ele não descartou a possibilidade de o partido vir a realizar prévias, como tem sugerido o próprio Aécio Neves. "Haverá possibilidade de entendimento, imagino eu; não havendo, ninguém tem de ter medo de uma escolha democrática".
Fernando Henrique, que diz considerar o governador mineiro como um irmão mais moço, considerou justificável a aliança informal entre PSDB e PT patrocinada pelo governador de Minas. "Entendi a posição dele, era um caso específico, o momento justificava", afirmou. "Não temos de radicalizar, não somos inimigos, somos adversários".
No plano nacional, porém, o ex-presidente acredita que a polarização entre as duas legendas é um processo natural, que não prejudica o país. Ele lembrou que a polarização entre dois partidos fortes acontece em países como Estados Unidos, França e Inglaterra.
Da mesma forma que vê de forma saudável a polarização, com dois grupos defendendo com energia o que acredita, FHC acha que a alternância de poder é salutar para o desenvolvimento dos países. "Democracia é exatamente isso, alternância de poder".
FHC diz que é hora do PSDB voltar ao poder, mas destacou que o partido terá de ganhar as eleições não por causa da crise financeira internacional e o desgaste que ela poderá provocar para o governo Lula. "Não gosto de crise". O ex-presidente avaliou que a crise afetará o Brasil ainda mais no ano que vem e que o governo terá de encontrar formas para administrar as consequências da crise. "Se não manobrar bem, vai aumentar o desemprego".
Apesar das perdas inevitáveis com a crise, o ex-presidente acredita que o Brasil sairá dela em melhores condições do que outros países. Será a hora de aproveitar as oportunidades. "Há algumas nuvens (no horizonte), mas temos guarda-chuvas suficientes", concluiu ele, na palestra realizada para convidados da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB).
Aécio defende fundo para compensar perdas com reforma tributária
Carolina Mandl, do Recife
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, defendeu ontem a criação de um fundo de equalização para Estados que venham a ter perdas com a reforma tributária. "A reforma tributária é importante para o país e assim é que deve ser vista. Mas ela não pode trazer prejuízos aos Estados", afirmou. De acordo com o governador, o fundo deveria ter R$ 10 bilhões e ser indexado anualmente à inflação e ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Caso o montante não seja suficiente para cobrir as perdas, Aécio propõe que haja um abatimento das parcelas das dívidas dos Estados com a União.
Ele reivindica, por exemplo, que a manutenção do fundo de ressarcimento das perdas das exportações. "O que nós defendemos, a questão central, para aprovarmos a reforma, é a manutenção do fundo de compensação, as perdas da Lei Kandir", disse. "Esse fundo de equalização impediria que Estados sofressem de forma muito aguda por eventuais perdas."
"Nós calculamos que os Estados perdem hoje cerca de R$ 20 bilhões com essa desoneração, e o governo federal compensa apenas R$ 5 bilhões. Mas pelo menos esses R$ 5 bilhões devem ser mantidos e não serão penalizados os Estados que mais contribuem para o saldo da balança comercial brasileira", afirmou o governador de Minas.
O governador mineiro participou ontem do Fórum de Governadores do Nordeste, no Recife. Aécio disse que estava no evento para apoiar os Estados nordestinos na reforma tributária, desde que houvesse a criação desse novo fundo, além da manutenção de outro fundo para as perdas da Lei Kandir. "É uma proposta realista, exeqüível, poderá ser aceita pela união e com isso poderemos votar a reforma tributária", avaliou.
Aécio afirmou que ainda não debateu o tema com o governador paulista José Serra (PSDB), que tem sido visto como um obstáculo à aprovação da reforma. "A minha posição, a posição de Minas, é favorável à reforma tributária com ajustes que impeçam perdas para os Estados." Com agências noticiosas)
JORNAL DO COMÉRCIO
“Aliança com o PSB não é impossível”
Empenhado em seu projeto de disputar a presidência da República em 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, sugeriu, ontem, que uma aliança entre PSDB e o PSB, do governador Eduardo Campos, “não é impossível”. Amigo de Eduardo, Aécio já foi sondado para se filiar ao PSB, mas não deu uma resposta. No Recife, ele não deixou claro se sairia ou não do partido tucano em nome do seu projeto nacional. Por hora, já descartou o convite do PMDB e tem defendido prévias como “alternativa” se não chegar a um consenso com o governador de São Paulo, José Serra, como mostra em entrevista à repórter Cecília Ramos.
JC – O senhor e o governador de São Paulo, José Serra, disputam, dentro do PSDB a indicação do partido para disputar a presidência em 2010. Como está o debate interno?
Aécio Neves – Eu acho que o PSDB, mais do que indicar um candidato a presidente da República, neste momento, tem que apresentar um projeto ao País. Nós temos que dizer o que nos diferenciará daqueles que estão hoje governando o País. A partir daí, o candidato deverá surgir, o que, no meu entender, deve acontecer no final do ano que vem.
JC – O senhor levará a sua candidatura à presidência da República até o final?
Aécio – Eu acho que as prévias partidárias são instrumentos legítimos. Eu acho interessante. Ninguém deve temer prévias. Eu as defendo, acho que elas devem ser regulamentadas. É uma forma até mesmo de popularizar as propostas e nomes do PSDB. As prévias são uma boa alternativa.
JC – E quem teme prévias no PSDB?
Aécio - Não sei. Eu não as temo.
JC – Sua proximidade com o governador Eduardo Campos é antiga. Há especulações de que o senhor poderia ir para o PSB. Procede?
Aécio – Eu tenho proximidade grande com Eduardo. Em Belo Horizonte, elegemos um candidato a prefeito do PSB (Márcio Lacerda), o que mostra que a nossa ligação é muito forte. Confesso que gostaria muito de participar de um projeto novo para o Brasil ao lado do governador Eduardo Campos e de outras forças políticas. No que depender de mim, vamos fazer o esforço possível. Para que a gente possa construir um projeto que represente o pós-lulismo, não o anti-Lula. Um projeto que incorpore os avanços do governo FHC, do governo Lula, e que possa construir o novo.
JC – Mas é possível o PSDB e o PSB juntos em um projeto nacional?
Aécio – Não é impossível que isso ocorra. Eu acho que não devemos nos ater às alianças do passado que até polarizaram a política brasileira, com o PSDB de um lado e o PT do outro. Não acho que seja impossível (PSB e PSDB) e ainda ir além de outras forças políticas.
JC – O que seria o pós-Lula?
Aécio – O pós-lula seria o governo da generosidade, da convergência. O que eu não quero é que em 2010 reeditemos 94, 98, 2002. Quem ganhava (a eleição) encontrava na outra ponta do espectro político uma oposição extremamente radicalizada, que impediu avanços que podiam servir ao País.
Presidente quer votar reforma ainda este ano
O presidente Lula afirmou que deseja votar ainda este ano a reforma tributária, apesar das divergência mostradas pelo governo de São Paulo. “Para mim seria importante votar logo a reforma”, comentou, dizendo que recebeu como uma boa surpresa o apoio ao projeto mostrado por Aécio Neves (PSDB-MG), governador de Minas.
Aécio colocou a criação de um novo fundo de equalização de supostas perdas com a reforma tributária e a manutenção da compensação a Estados exportadores como condição para apoiar a votação do projeto no Congresso. O mineiro até afirmou concordar em validar os incentivos fiscais existentes, proposta criticada por São Paulo, mas que beneficia os Estados nordestinos.
Apesar do fórum ser de governadores do Nordeste, Aécio Neves veio acompanhado do também governador Paulo Hartung (PMDB-ES), do Espírito Santo. “Tanto eu quanto o governador Hartung estamos aqui para dizer sim à reforma tributária com esses ajustes. Só não podemos aceitá-la se ela incorrer em perdas”, comentou Aécio. A proposta de Minas é criar um fundo de equalização com R$ 10 bilhões, que seriam distribuídos entre os Estados que tivessem perdas com as mudanças. O cálculo se daria a partir da arrecadação do ano anterior, acrescida da taxa de inflação e variação do PIB. Segundo Lula, a política tributária não pode ser a favor de um Estado ou de um grupo, mas justa para 190 milhões de brasileiros.
Ele também defendeu a manutenção do ressarcimento aos Estados exportadores, previsto na Lei Kandir. Esta lei desonerou as exportações, isentando de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) os produtos vendidos ao mercado externo, implicando em perdas aos Estados que mais exportam. “Nós calculamos que os Estados perdem hoje R$ 20 bilhões com a desoneração e o governo federal compensa apenas R$ 5 bilhões. Mas pelo menos esses R$ 5 bilhões devem ser mantidos, caso contrário serão penalizados os Estados que mais contribuem com a balança comercial brasileira”, defendeu.
A proposta de Minas recebeu apoio do governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL). “Alagoas vota essa proposta. Alagoas exporta muito, pois 75% da produção sucroalcooleira de Alagoas é exportada”, declarou. Caso os R$ 10 bilhões não sejam suficientes para compensar as supostas perdas, Minas Gerais propõe ainda diminuir a parcela de pagamento da dívida com a União, o que aumentaria diretamente o caixa desses Estados. O governador Eduardo Campos considerou as sugestões de Aécio possíveis de serem trabalhadas. “Nossa posição é buscar votar a reforma tributária. Vamos buscar inclusive os governadores que não apoiam”, afirmou Eduardo. (R.L.)
ESTADO DE MINAS
Estados cobram recursos
Governador de Minas quer ressarcimento de R$ 15 bilhões como forma de compensar perda de receita, para apoiar a proposta de reforma tributária
O governador Aécio Neves (PSDB), briga por um ressarcimento de R$ 15 bilhões para os estados, incluindo Minas Gerais, para endossar a proposta de reforma tributária que tramita na Câmara dos Deputados, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O que consta do relatório (da reforma, de autoria do deputado federal Sandro Mabel (PR-GO)) é insatisfatório”, resumiu o governador, antes da abertura do 9º Fórum de Governadores do Nordeste, em Recife.
Aécio explicou que os bilhões pelos quais briga incluem perdas dos estados com dois fundos compensatórios, mas apenas um deles, o de Equalização de Receita (FER), consta do relatório do projeto substitutivo do relator. “A reforma não pode trazer prejuízos para os estados”, ressaltou. “Estamos defendendo a constituição de um fundo de equalização em torno de R$ 10 bilhões, corrigidos pela inflação mais o crescimento nominal do PIB (Produto Interno Bruto)”, dimensionou o governador, em relação à sua primeira demanda.
O outro fundo, destinado a suprir as perdas com exportações, previsto na Lei Kandir, foi incorporado pelo FER, que, no entanto, ignora e exclui uma compensação atualmente já assegurada pelo sistema tributário nacional aos estados. “Nós calculamos que os estados perdem hoje cerca de R$ 20 bilhões com essa desoneração (das exportações), e o governo federal compensa apenas R$ 5 bilhões – pelo menos esses R$ 5 bilhões devem ser mantidos”, defendeu. Somados, os dois fundos vão assegurar os R$ 15 bilhões defendidos por Aécio.
APOIO Para ele, essa é a saída para não penalizar as unidades da federação que mais contribuem para o saldo da balança comercial do país, pois a equalização vai impedir que estados sofram “de forma muito aguda” com eventuais perdas. “Sanada essa questão central, com algumas outras poucas correções, a reforma tem condições de ser votada com o nosso apoio”, consentiu.
Por vislumbrar a possibilidade de o fundo de compensação às perdas de exportações ser insuficiente, Aécio informou que está apresentando uma proposta adicional ao relator, para permitir um desconto nas parcelas do pagamento da dívida dos estados com a União. O governador definiu sua proposta como “realista” e “absolutamente exeqüível”. Aécio informou que conversou em Recife com o governador Paulo Hartung (PMDB), do Espírito Santo, que também abraçou a mesma idéia. Ele ainda pretende conversar com o colega paulista José Serra (PSDB) sobre o assunto.
Para o governador, ainda é cedo para medir a profundidade da crise econômica que se anuncia e, por isso mesmo, um cenário de grandes perdas para os estados poderia inviabilizar investimentos, inclusive com o custo da máquina pública. Ele anunciou seu apoio à proposta que assegura repasse de recursos ao Nordeste, Centro-Oeste e Norte, por meio de incentivos fiscais comerciais e industriais, por 12 anos. “É uma concessão dos estados mais desenvolvidos e eu me incorporaria a isso”, afirmou.
CORREIO BRAZILIENSE
Notas
FILIAÇÃO
FHC critica assédio do PMDB sobre Aécio
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou ontem o constante assédio do PMDB pela filiação do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), colocando o político como potencial candidato peemedebista à Presidência da República em 2010. Depois de se reunir pela segunda vez com Aécio no Palácio das Mangabeiras, FHC disse considerar os convites “absolutamente sem propósito”, mas alertou que o PSDB precisa dar mais espaço ao mineiro, um dos nomes cotados para a sucessão presidencial dentro do ninho tucano. “Aécio é um homem de partido. É claro que o PSDB tem de entender que ele é um líder e, como tal, tem que ter todas as condições para se sentir cômodo na legenda”, afirmou. Apesar da bronca, Fernando Henrique avalia positivamente a aliança com o PMDB.
O GLOBO
Panorama Político
Ilimar Franco
Prévias tucanas
O ex-presidente Fernando Henrique adotou as prévias para escolher o candidato do PSDB à Presidência. Foi ontem, depois de encontro com o governador Aécio Neves. A Executiva tem um modelo de prévias. Votariam todos os filiados, e o voto seria ponderado pelo número de eleitores das regiões e pela votação do partido em 2008. Esse processo elegeria 80% de delegados para a convenção e outros 20% seriam de detentores de mandato.
A experiência brasileira de prévias
Transpor costumes políticos de outros países e culturas é sempre um risco. A realização de prévias para a escolha de candidatos no Brasil é sinônimo de divisão e de derrota. É por isso que os aliados do governador José Serra são contra a realização de prévias para escolher o candidato tucano em 2010. O PMDB fez prévia em 1994, e Quércia perdeu a eleição. O PMDB fez prévia em 2006, e Garotinho nem foi candidato. O PT gaúcho fez prévia em 2002, quando vetou a candidatura à reeleição do governador Olívio Dutra. O escolhido para concorrer, Tarso Genro, também perdeu a eleição. Com os tucanos pode ser diferente. Será?
Eu só estaria preocupado se a Caixa Econômica Federal tivesse pedido dinheiro emprestado à Petrobras" - Paulo Bernardo, ministro do Planejamento
PETROBRAS. Senadores se solidarizaram ontem com Tasso Jereissati (PSDB-CE), criticado pelo presidente Lula por fazer "terrorismo econômico". Tasso reafirmou críticas à má gestão na Petrobras e explicou: "Em nenhum momento disse que a Petrobras estaria quebrada, mas com o caixa arrebentado". Encerrou sua fala lembrando que seu pai, Carlos Jereissati, era senador pelo PTB no governo Vargas quando a Petrobras foi criada.
Decretado: perdeu
O PT de Minas Gerais aprovou resolução em que afirma que o partido perdeu as eleições em Belo Horizonte ao eleger o prefeito Márcio Lacerda (PSB). Diz o texto: "O PT amargou uma perda eleitoral", depois de 16 anos no poder.
Aécio põe o acordo nas mãos de Lula
Para acabar com um clima de confronto entre Nordeste e Sudeste na reforma tributária, o governador Aécio Neves propôs um acordo ontem ao presidente Lula, na reunião de governadores do Nordeste. A criação de um Fundo de Equalização de Perdas de R$10 bilhões. Caso as perdas superem esse valor, haveria abatimento no pagamento da dívida dos estados com a União. "Se o governo aceitar, nós vamos para a votação", disse Aécio.
O GLOBO
Ancelmo Góis
Topa, Serra?
Aécio Neves, ontem, neste Fórum dos Governadores, em Recife, defendeu prévias no PSDB para escolher o candidato a presidente em 2010:
- Ninguém deve temer prévias. É forma até de popularizar as propostas e os nomes do PSDB. Acho que a prévia é uma boa alternativa para o partido.
Rumo a 2010: PDSB deve tratar Aécio como líder, diz FHC em BH
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em Belo Horizonte, que o governador Aécio Neves (MG) -que estava ao seu lado- é um "líder" no PSDB e deve ser tratado como tal. FHC afirmou que é "fora de propósito" falar em saída de Aécio do partido.
Aécio, que disputa com o governador José Serra (SP) a indicação para ser o candidato tucano a presidente em 2010, vem sendo cortejado pelo PMDB para trocar de partido. Ele nega essa possibilidade.
Já FHC negou preferir Serra a Aécio. "Eu, sempre que aliso um, aliso o outro. Os dois são excelentes".
VALOR ECONÔMICO
FHC descarta possibilidade de Aécio ir para o PMDB
Ivana Moreira, de Belo Horizonte
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou a oportunidade, uma palestra que faria ontem em Belo Horizonte, para reaproximar-se do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). FHC aterrissou na noite de segunda-feira e hospedou-se no Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador. Ambos tiveram tempo de sobra para conversar sobre o que mais interessa ao mineiro, suas chances para ser o candidato dos tucanos à Presidência em 2010.
Para Fernando Henrique, é "absolutamente fora de propósito" as especulações sobre uma transferência de Aécio para o PMDB. "Conheço o Aécio a vida inteira, ele é um homem de partido", declarou o ex-presidente à imprensa, ontem pela manhã. "É claro que o partido tem de entender que ele é um líder e, como tal, tem de ter todas as condições para se sentir cômodo no partido".
O ex-presidente negou que "alise" mais o governador de São Paulo, José Serra, sugerindo uma preferência pela candidatura do paulista. "Sempre que aliso um, aliso o outro também", brincou. Segundo FHC, quem tiver a capacidade de - "mais à frente, não agora" - sintonizar melhor o sentimento do país é que será o candidato do PSDB ao Planalto. "Pode ser um e pode ser o outro".
Embora acredite que haverá entendimento entre os tucanos para a escolha do candidato, ele não descartou a possibilidade de o partido vir a realizar prévias, como tem sugerido o próprio Aécio Neves. "Haverá possibilidade de entendimento, imagino eu; não havendo, ninguém tem de ter medo de uma escolha democrática".
Fernando Henrique, que diz considerar o governador mineiro como um irmão mais moço, considerou justificável a aliança informal entre PSDB e PT patrocinada pelo governador de Minas. "Entendi a posição dele, era um caso específico, o momento justificava", afirmou. "Não temos de radicalizar, não somos inimigos, somos adversários".
No plano nacional, porém, o ex-presidente acredita que a polarização entre as duas legendas é um processo natural, que não prejudica o país. Ele lembrou que a polarização entre dois partidos fortes acontece em países como Estados Unidos, França e Inglaterra.
Da mesma forma que vê de forma saudável a polarização, com dois grupos defendendo com energia o que acredita, FHC acha que a alternância de poder é salutar para o desenvolvimento dos países. "Democracia é exatamente isso, alternância de poder".
FHC diz que é hora do PSDB voltar ao poder, mas destacou que o partido terá de ganhar as eleições não por causa da crise financeira internacional e o desgaste que ela poderá provocar para o governo Lula. "Não gosto de crise". O ex-presidente avaliou que a crise afetará o Brasil ainda mais no ano que vem e que o governo terá de encontrar formas para administrar as consequências da crise. "Se não manobrar bem, vai aumentar o desemprego".
Apesar das perdas inevitáveis com a crise, o ex-presidente acredita que o Brasil sairá dela em melhores condições do que outros países. Será a hora de aproveitar as oportunidades. "Há algumas nuvens (no horizonte), mas temos guarda-chuvas suficientes", concluiu ele, na palestra realizada para convidados da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB).
Aécio defende fundo para compensar perdas com reforma tributária
Carolina Mandl, do Recife
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, defendeu ontem a criação de um fundo de equalização para Estados que venham a ter perdas com a reforma tributária. "A reforma tributária é importante para o país e assim é que deve ser vista. Mas ela não pode trazer prejuízos aos Estados", afirmou. De acordo com o governador, o fundo deveria ter R$ 10 bilhões e ser indexado anualmente à inflação e ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Caso o montante não seja suficiente para cobrir as perdas, Aécio propõe que haja um abatimento das parcelas das dívidas dos Estados com a União.
Ele reivindica, por exemplo, que a manutenção do fundo de ressarcimento das perdas das exportações. "O que nós defendemos, a questão central, para aprovarmos a reforma, é a manutenção do fundo de compensação, as perdas da Lei Kandir", disse. "Esse fundo de equalização impediria que Estados sofressem de forma muito aguda por eventuais perdas."
"Nós calculamos que os Estados perdem hoje cerca de R$ 20 bilhões com essa desoneração, e o governo federal compensa apenas R$ 5 bilhões. Mas pelo menos esses R$ 5 bilhões devem ser mantidos e não serão penalizados os Estados que mais contribuem para o saldo da balança comercial brasileira", afirmou o governador de Minas.
O governador mineiro participou ontem do Fórum de Governadores do Nordeste, no Recife. Aécio disse que estava no evento para apoiar os Estados nordestinos na reforma tributária, desde que houvesse a criação desse novo fundo, além da manutenção de outro fundo para as perdas da Lei Kandir. "É uma proposta realista, exeqüível, poderá ser aceita pela união e com isso poderemos votar a reforma tributária", avaliou.
Aécio afirmou que ainda não debateu o tema com o governador paulista José Serra (PSDB), que tem sido visto como um obstáculo à aprovação da reforma. "A minha posição, a posição de Minas, é favorável à reforma tributária com ajustes que impeçam perdas para os Estados." Com agências noticiosas)
JORNAL DO COMÉRCIO
“Aliança com o PSB não é impossível”
Empenhado em seu projeto de disputar a presidência da República em 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, sugeriu, ontem, que uma aliança entre PSDB e o PSB, do governador Eduardo Campos, “não é impossível”. Amigo de Eduardo, Aécio já foi sondado para se filiar ao PSB, mas não deu uma resposta. No Recife, ele não deixou claro se sairia ou não do partido tucano em nome do seu projeto nacional. Por hora, já descartou o convite do PMDB e tem defendido prévias como “alternativa” se não chegar a um consenso com o governador de São Paulo, José Serra, como mostra em entrevista à repórter Cecília Ramos.
JC – O senhor e o governador de São Paulo, José Serra, disputam, dentro do PSDB a indicação do partido para disputar a presidência em 2010. Como está o debate interno?
Aécio Neves – Eu acho que o PSDB, mais do que indicar um candidato a presidente da República, neste momento, tem que apresentar um projeto ao País. Nós temos que dizer o que nos diferenciará daqueles que estão hoje governando o País. A partir daí, o candidato deverá surgir, o que, no meu entender, deve acontecer no final do ano que vem.
JC – O senhor levará a sua candidatura à presidência da República até o final?
Aécio – Eu acho que as prévias partidárias são instrumentos legítimos. Eu acho interessante. Ninguém deve temer prévias. Eu as defendo, acho que elas devem ser regulamentadas. É uma forma até mesmo de popularizar as propostas e nomes do PSDB. As prévias são uma boa alternativa.
JC – E quem teme prévias no PSDB?
Aécio - Não sei. Eu não as temo.
JC – Sua proximidade com o governador Eduardo Campos é antiga. Há especulações de que o senhor poderia ir para o PSB. Procede?
Aécio – Eu tenho proximidade grande com Eduardo. Em Belo Horizonte, elegemos um candidato a prefeito do PSB (Márcio Lacerda), o que mostra que a nossa ligação é muito forte. Confesso que gostaria muito de participar de um projeto novo para o Brasil ao lado do governador Eduardo Campos e de outras forças políticas. No que depender de mim, vamos fazer o esforço possível. Para que a gente possa construir um projeto que represente o pós-lulismo, não o anti-Lula. Um projeto que incorpore os avanços do governo FHC, do governo Lula, e que possa construir o novo.
JC – Mas é possível o PSDB e o PSB juntos em um projeto nacional?
Aécio – Não é impossível que isso ocorra. Eu acho que não devemos nos ater às alianças do passado que até polarizaram a política brasileira, com o PSDB de um lado e o PT do outro. Não acho que seja impossível (PSB e PSDB) e ainda ir além de outras forças políticas.
JC – O que seria o pós-Lula?
Aécio – O pós-lula seria o governo da generosidade, da convergência. O que eu não quero é que em 2010 reeditemos 94, 98, 2002. Quem ganhava (a eleição) encontrava na outra ponta do espectro político uma oposição extremamente radicalizada, que impediu avanços que podiam servir ao País.
Presidente quer votar reforma ainda este ano
O presidente Lula afirmou que deseja votar ainda este ano a reforma tributária, apesar das divergência mostradas pelo governo de São Paulo. “Para mim seria importante votar logo a reforma”, comentou, dizendo que recebeu como uma boa surpresa o apoio ao projeto mostrado por Aécio Neves (PSDB-MG), governador de Minas.
Aécio colocou a criação de um novo fundo de equalização de supostas perdas com a reforma tributária e a manutenção da compensação a Estados exportadores como condição para apoiar a votação do projeto no Congresso. O mineiro até afirmou concordar em validar os incentivos fiscais existentes, proposta criticada por São Paulo, mas que beneficia os Estados nordestinos.
Apesar do fórum ser de governadores do Nordeste, Aécio Neves veio acompanhado do também governador Paulo Hartung (PMDB-ES), do Espírito Santo. “Tanto eu quanto o governador Hartung estamos aqui para dizer sim à reforma tributária com esses ajustes. Só não podemos aceitá-la se ela incorrer em perdas”, comentou Aécio. A proposta de Minas é criar um fundo de equalização com R$ 10 bilhões, que seriam distribuídos entre os Estados que tivessem perdas com as mudanças. O cálculo se daria a partir da arrecadação do ano anterior, acrescida da taxa de inflação e variação do PIB. Segundo Lula, a política tributária não pode ser a favor de um Estado ou de um grupo, mas justa para 190 milhões de brasileiros.
Ele também defendeu a manutenção do ressarcimento aos Estados exportadores, previsto na Lei Kandir. Esta lei desonerou as exportações, isentando de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) os produtos vendidos ao mercado externo, implicando em perdas aos Estados que mais exportam. “Nós calculamos que os Estados perdem hoje R$ 20 bilhões com a desoneração e o governo federal compensa apenas R$ 5 bilhões. Mas pelo menos esses R$ 5 bilhões devem ser mantidos, caso contrário serão penalizados os Estados que mais contribuem com a balança comercial brasileira”, defendeu.
A proposta de Minas recebeu apoio do governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL). “Alagoas vota essa proposta. Alagoas exporta muito, pois 75% da produção sucroalcooleira de Alagoas é exportada”, declarou. Caso os R$ 10 bilhões não sejam suficientes para compensar as supostas perdas, Minas Gerais propõe ainda diminuir a parcela de pagamento da dívida com a União, o que aumentaria diretamente o caixa desses Estados. O governador Eduardo Campos considerou as sugestões de Aécio possíveis de serem trabalhadas. “Nossa posição é buscar votar a reforma tributária. Vamos buscar inclusive os governadores que não apoiam”, afirmou Eduardo. (R.L.)
ESTADO DE MINAS
Estados cobram recursos
Governador de Minas quer ressarcimento de R$ 15 bilhões como forma de compensar perda de receita, para apoiar a proposta de reforma tributária
O governador Aécio Neves (PSDB), briga por um ressarcimento de R$ 15 bilhões para os estados, incluindo Minas Gerais, para endossar a proposta de reforma tributária que tramita na Câmara dos Deputados, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O que consta do relatório (da reforma, de autoria do deputado federal Sandro Mabel (PR-GO)) é insatisfatório”, resumiu o governador, antes da abertura do 9º Fórum de Governadores do Nordeste, em Recife.
Aécio explicou que os bilhões pelos quais briga incluem perdas dos estados com dois fundos compensatórios, mas apenas um deles, o de Equalização de Receita (FER), consta do relatório do projeto substitutivo do relator. “A reforma não pode trazer prejuízos para os estados”, ressaltou. “Estamos defendendo a constituição de um fundo de equalização em torno de R$ 10 bilhões, corrigidos pela inflação mais o crescimento nominal do PIB (Produto Interno Bruto)”, dimensionou o governador, em relação à sua primeira demanda.
O outro fundo, destinado a suprir as perdas com exportações, previsto na Lei Kandir, foi incorporado pelo FER, que, no entanto, ignora e exclui uma compensação atualmente já assegurada pelo sistema tributário nacional aos estados. “Nós calculamos que os estados perdem hoje cerca de R$ 20 bilhões com essa desoneração (das exportações), e o governo federal compensa apenas R$ 5 bilhões – pelo menos esses R$ 5 bilhões devem ser mantidos”, defendeu. Somados, os dois fundos vão assegurar os R$ 15 bilhões defendidos por Aécio.
APOIO Para ele, essa é a saída para não penalizar as unidades da federação que mais contribuem para o saldo da balança comercial do país, pois a equalização vai impedir que estados sofram “de forma muito aguda” com eventuais perdas. “Sanada essa questão central, com algumas outras poucas correções, a reforma tem condições de ser votada com o nosso apoio”, consentiu.
Por vislumbrar a possibilidade de o fundo de compensação às perdas de exportações ser insuficiente, Aécio informou que está apresentando uma proposta adicional ao relator, para permitir um desconto nas parcelas do pagamento da dívida dos estados com a União. O governador definiu sua proposta como “realista” e “absolutamente exeqüível”. Aécio informou que conversou em Recife com o governador Paulo Hartung (PMDB), do Espírito Santo, que também abraçou a mesma idéia. Ele ainda pretende conversar com o colega paulista José Serra (PSDB) sobre o assunto.
Para o governador, ainda é cedo para medir a profundidade da crise econômica que se anuncia e, por isso mesmo, um cenário de grandes perdas para os estados poderia inviabilizar investimentos, inclusive com o custo da máquina pública. Ele anunciou seu apoio à proposta que assegura repasse de recursos ao Nordeste, Centro-Oeste e Norte, por meio de incentivos fiscais comerciais e industriais, por 12 anos. “É uma concessão dos estados mais desenvolvidos e eu me incorporaria a isso”, afirmou.
CORREIO BRAZILIENSE
Notas
FILIAÇÃO
FHC critica assédio do PMDB sobre Aécio
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou ontem o constante assédio do PMDB pela filiação do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), colocando o político como potencial candidato peemedebista à Presidência da República em 2010. Depois de se reunir pela segunda vez com Aécio no Palácio das Mangabeiras, FHC disse considerar os convites “absolutamente sem propósito”, mas alertou que o PSDB precisa dar mais espaço ao mineiro, um dos nomes cotados para a sucessão presidencial dentro do ninho tucano. “Aécio é um homem de partido. É claro que o PSDB tem de entender que ele é um líder e, como tal, tem que ter todas as condições para se sentir cômodo na legenda”, afirmou. Apesar da bronca, Fernando Henrique avalia positivamente a aliança com o PMDB.
O GLOBO
Panorama Político
Ilimar Franco
Prévias tucanas
O ex-presidente Fernando Henrique adotou as prévias para escolher o candidato do PSDB à Presidência. Foi ontem, depois de encontro com o governador Aécio Neves. A Executiva tem um modelo de prévias. Votariam todos os filiados, e o voto seria ponderado pelo número de eleitores das regiões e pela votação do partido em 2008. Esse processo elegeria 80% de delegados para a convenção e outros 20% seriam de detentores de mandato.
A experiência brasileira de prévias
Transpor costumes políticos de outros países e culturas é sempre um risco. A realização de prévias para a escolha de candidatos no Brasil é sinônimo de divisão e de derrota. É por isso que os aliados do governador José Serra são contra a realização de prévias para escolher o candidato tucano em 2010. O PMDB fez prévia em 1994, e Quércia perdeu a eleição. O PMDB fez prévia em 2006, e Garotinho nem foi candidato. O PT gaúcho fez prévia em 2002, quando vetou a candidatura à reeleição do governador Olívio Dutra. O escolhido para concorrer, Tarso Genro, também perdeu a eleição. Com os tucanos pode ser diferente. Será?
Eu só estaria preocupado se a Caixa Econômica Federal tivesse pedido dinheiro emprestado à Petrobras" - Paulo Bernardo, ministro do Planejamento
PETROBRAS. Senadores se solidarizaram ontem com Tasso Jereissati (PSDB-CE), criticado pelo presidente Lula por fazer "terrorismo econômico". Tasso reafirmou críticas à má gestão na Petrobras e explicou: "Em nenhum momento disse que a Petrobras estaria quebrada, mas com o caixa arrebentado". Encerrou sua fala lembrando que seu pai, Carlos Jereissati, era senador pelo PTB no governo Vargas quando a Petrobras foi criada.
Decretado: perdeu
O PT de Minas Gerais aprovou resolução em que afirma que o partido perdeu as eleições em Belo Horizonte ao eleger o prefeito Márcio Lacerda (PSB). Diz o texto: "O PT amargou uma perda eleitoral", depois de 16 anos no poder.
Aécio põe o acordo nas mãos de Lula
Para acabar com um clima de confronto entre Nordeste e Sudeste na reforma tributária, o governador Aécio Neves propôs um acordo ontem ao presidente Lula, na reunião de governadores do Nordeste. A criação de um Fundo de Equalização de Perdas de R$10 bilhões. Caso as perdas superem esse valor, haveria abatimento no pagamento da dívida dos estados com a União. "Se o governo aceitar, nós vamos para a votação", disse Aécio.
O GLOBO
Ancelmo Góis
Topa, Serra?
Aécio Neves, ontem, neste Fórum dos Governadores, em Recife, defendeu prévias no PSDB para escolher o candidato a presidente em 2010:
- Ninguém deve temer prévias. É forma até de popularizar as propostas e os nomes do PSDB. Acho que a prévia é uma boa alternativa para o partido.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
CLIPPING - 02 DE DEZEMBRO
O ESTADO DE SÃO PAULO
Tucano repete que não pretende se filiar ao PMDB
Evandro Fadel
O governador Aécio Neves descartou ontem a possibilidade de mudar de partido para facilitar uma eventual candidatura à Presidência em 2010. A insistência para que ele vá para o PMDB tem sido externada pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa. Aécio agradeceu à “gentileza” dos peemedebistas, mas afirmou: “Estou muito bem no PSDB e acredito que PMDB e PSDB podem construir um projeto juntos”.
VALOR ECONÔMICO
"PSDB cansou de perder eleições", diz Aécio
Folhapress, de São Paulo
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse ontem que o seu partido se cansou de perder as eleições. O mineiro é um dos cotados para assumir a cabeça de chapa tucana na disputa presidencial de 2010. Ele disputa esse posto com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em 2006, o PSDB lançou a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin e perdeu a eleição presidencial para o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que se reelegeu.
Para Aécio, a escolha do pré-candidato do PSDB deve levar em conta os "anseios do país" e não apenas a "opinião de poucos". "O PSDB cansou de perder eleições, até porque as decisões foram muito centralizadas e eu faço aqui até a minha mea culpa, eu participei de algumas dessas decisões."
Aécio disse que foi-se o tempo que apenas um grupo de caciques tucanos escolhia o candidato do partido. "Foi-se o tempo em que uma, duas, ou três pessoas indicavam os candidatos do partido. Isso é diferente."
"É preciso que o PSDB inverta um pouco essa lógica e passe a dar mais ouvidos ao Brasil como um todo, com as suas diferenças, com as suas angústias. Só assim nós nos reaproximaremos do Brasil que queremos governar."
Aécio recebeu ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em Belo Horizonte para discutir o processo de sucessão de Lula. "Ele [FHC] é sempre uma liderança respeitável no partido, tem credibilidade no país, e acho que a sua ponderação e a sua posição será muito importante."
Aécio disse que não pretende sair de seu partido para se filiar ao PMDB. O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), convidou Aécio a entrar no seu partido em troca da cabeça de chapa que disputará a Presidência, em 2010.
"Tenho recebido gentilezas muito grandes do companheiro do PMDB. Eu tenho uma relação pessoal com o PMDB, histórica. Foi o único partido ao qual eu pertenci antes de irmos construir o PSDB. Mas eu estou muito bem no PSDB, acho que o PSDB e o PMDB podem trabalhar para construir, juntos, um projeto para o Brasil", disse Aécio.
Aécio afirmou que o PSDB tem um "bom problema", que é o excesso de bons nomes para disputar a Presidência. "Acho que o PSDB tem um bom problema, talvez o problema que outros partidos gostariam de ter: mais de uma opção", respondeu ele ao ser questionado sobre quem seria o candidato tucano.
Segundo ele, o PSDB deve definir seu projeto de governo antes de lançar um nome na disputa presidencial. "Mais importante do que definirmos agora quem será o candidato do partido é definirmos o que esse candidato representa, o que ele sinalizará de novo para o Brasil, que país ele se propõe a conduzir, com que visão do ponto de vista econômico, do ponto de vista das parcerias com o setor privado, que visão do mundo ele tem."
Aécio defendeu que o PSDB feche alianças para poder vencer a eleição de 2010. "Não acho que isoladamente, solitariamente o PSDB tenha condições de vencer qualquer eleição. Ele tem que estar unido no momento e vamos encontrar essa nossa unidade com muita responsabilidade e desprendimento."
O GLOBO
Panorama Político
Ilimar Franco
Aécio Neves em campanha
O governador Aécio Neves esteve ontem em Santa Catarina para anunciar a ajuda de Minas Gerais aos flagelados pelas chuvas e enchentes. Esteve também no Paraná, onde mandou um recado para os tucanos paulistas: "É preciso que o PSDB passe a dar mais ouvidos ao Brasil como um todo, com as suas diferenças, com as suas angústias. Só assim nós nos reaproximaremos do Brasil que queremos governar".
Tucano repete que não pretende se filiar ao PMDB
Evandro Fadel
O governador Aécio Neves descartou ontem a possibilidade de mudar de partido para facilitar uma eventual candidatura à Presidência em 2010. A insistência para que ele vá para o PMDB tem sido externada pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa. Aécio agradeceu à “gentileza” dos peemedebistas, mas afirmou: “Estou muito bem no PSDB e acredito que PMDB e PSDB podem construir um projeto juntos”.
VALOR ECONÔMICO
"PSDB cansou de perder eleições", diz Aécio
Folhapress, de São Paulo
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse ontem que o seu partido se cansou de perder as eleições. O mineiro é um dos cotados para assumir a cabeça de chapa tucana na disputa presidencial de 2010. Ele disputa esse posto com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em 2006, o PSDB lançou a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin e perdeu a eleição presidencial para o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que se reelegeu.
Para Aécio, a escolha do pré-candidato do PSDB deve levar em conta os "anseios do país" e não apenas a "opinião de poucos". "O PSDB cansou de perder eleições, até porque as decisões foram muito centralizadas e eu faço aqui até a minha mea culpa, eu participei de algumas dessas decisões."
Aécio disse que foi-se o tempo que apenas um grupo de caciques tucanos escolhia o candidato do partido. "Foi-se o tempo em que uma, duas, ou três pessoas indicavam os candidatos do partido. Isso é diferente."
"É preciso que o PSDB inverta um pouco essa lógica e passe a dar mais ouvidos ao Brasil como um todo, com as suas diferenças, com as suas angústias. Só assim nós nos reaproximaremos do Brasil que queremos governar."
Aécio recebeu ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em Belo Horizonte para discutir o processo de sucessão de Lula. "Ele [FHC] é sempre uma liderança respeitável no partido, tem credibilidade no país, e acho que a sua ponderação e a sua posição será muito importante."
Aécio disse que não pretende sair de seu partido para se filiar ao PMDB. O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), convidou Aécio a entrar no seu partido em troca da cabeça de chapa que disputará a Presidência, em 2010.
"Tenho recebido gentilezas muito grandes do companheiro do PMDB. Eu tenho uma relação pessoal com o PMDB, histórica. Foi o único partido ao qual eu pertenci antes de irmos construir o PSDB. Mas eu estou muito bem no PSDB, acho que o PSDB e o PMDB podem trabalhar para construir, juntos, um projeto para o Brasil", disse Aécio.
Aécio afirmou que o PSDB tem um "bom problema", que é o excesso de bons nomes para disputar a Presidência. "Acho que o PSDB tem um bom problema, talvez o problema que outros partidos gostariam de ter: mais de uma opção", respondeu ele ao ser questionado sobre quem seria o candidato tucano.
Segundo ele, o PSDB deve definir seu projeto de governo antes de lançar um nome na disputa presidencial. "Mais importante do que definirmos agora quem será o candidato do partido é definirmos o que esse candidato representa, o que ele sinalizará de novo para o Brasil, que país ele se propõe a conduzir, com que visão do ponto de vista econômico, do ponto de vista das parcerias com o setor privado, que visão do mundo ele tem."
Aécio defendeu que o PSDB feche alianças para poder vencer a eleição de 2010. "Não acho que isoladamente, solitariamente o PSDB tenha condições de vencer qualquer eleição. Ele tem que estar unido no momento e vamos encontrar essa nossa unidade com muita responsabilidade e desprendimento."
O GLOBO
Panorama Político
Ilimar Franco
Aécio Neves em campanha
O governador Aécio Neves esteve ontem em Santa Catarina para anunciar a ajuda de Minas Gerais aos flagelados pelas chuvas e enchentes. Esteve também no Paraná, onde mandou um recado para os tucanos paulistas: "É preciso que o PSDB passe a dar mais ouvidos ao Brasil como um todo, com as suas diferenças, com as suas angústias. Só assim nós nos reaproximaremos do Brasil que queremos governar".
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
CLIPPING - 01 DE DEZEMBRO
GAZETA MERCANTIL
Lula se reúne com governadores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje à noite a Recife com uma extensa agenda relacionada a programas do governo federal e a reunião do IX Fórum dos Governadores do Nordeste que contará, também, com os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB).
O presidente seguirá do aeroporto para o Palácio do Governo de Pernambuco onde, às 20h, para o balanço das metas do programa de eletrificação rural Luz Para Todos. Iniciado há vinte anos pelo então governador de Pernambuco, Miguel Arraes, o programa foi lançado pelo governo federal em 2004 e, em Pernambuco, já destinou R$ 234,6 milhões em recursos federais que resultaram na conclusão da infra-estrutura para fornecer energia elétrica em todo o estado. A meta inicial de 79.837 ligações foi ultrapassada atingindo 85,4 ligações.
Na terça-feira, Lula participa de café da manhã com lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco e segue para a inauguração do segundo trecho do Canal da Malária e a entrega de 128 casas, na cidade de Olinda, obras dos projetos da Bacia do Rio Beberibe que contam com R$ 500 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Em seguida, o presidente e o ministro da Justiça, Tarso Genro, lançam no bairro de Santo Amaro, em Recife, 29 projetos para combate à criminalidade dentro do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), criando os Territórios de Paz em comunidades com alto índice de violência. Além de diversas ações sociais, os projetos incluem bolsas de R$ 400,00 para reforçar salários dos policiais que participam de cursos de segurança pública e de R$ 100,00 para incentivar jovens envolvidos com o crime a voltar à sociedade como multiplicadores da cultura da paz. A proposta é beneficiar 20.825 jovens no país.
À tarde, o presidente e sete ministros participarão da reunião dos governadores, no Palácio do Governo de Pernambuco. No encontro, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, falará sobre as medidas do governo para enfrentar a crise econômica e deverá assegurar a continuação, sem cortes, dos investimentos do PAC. Esta será a terceira reunião do presidente com governadores do Nordeste este ano.
Lula se reúne com governadores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje à noite a Recife com uma extensa agenda relacionada a programas do governo federal e a reunião do IX Fórum dos Governadores do Nordeste que contará, também, com os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB).
O presidente seguirá do aeroporto para o Palácio do Governo de Pernambuco onde, às 20h, para o balanço das metas do programa de eletrificação rural Luz Para Todos. Iniciado há vinte anos pelo então governador de Pernambuco, Miguel Arraes, o programa foi lançado pelo governo federal em 2004 e, em Pernambuco, já destinou R$ 234,6 milhões em recursos federais que resultaram na conclusão da infra-estrutura para fornecer energia elétrica em todo o estado. A meta inicial de 79.837 ligações foi ultrapassada atingindo 85,4 ligações.
Na terça-feira, Lula participa de café da manhã com lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco e segue para a inauguração do segundo trecho do Canal da Malária e a entrega de 128 casas, na cidade de Olinda, obras dos projetos da Bacia do Rio Beberibe que contam com R$ 500 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Em seguida, o presidente e o ministro da Justiça, Tarso Genro, lançam no bairro de Santo Amaro, em Recife, 29 projetos para combate à criminalidade dentro do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), criando os Territórios de Paz em comunidades com alto índice de violência. Além de diversas ações sociais, os projetos incluem bolsas de R$ 400,00 para reforçar salários dos policiais que participam de cursos de segurança pública e de R$ 100,00 para incentivar jovens envolvidos com o crime a voltar à sociedade como multiplicadores da cultura da paz. A proposta é beneficiar 20.825 jovens no país.
À tarde, o presidente e sete ministros participarão da reunião dos governadores, no Palácio do Governo de Pernambuco. No encontro, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, falará sobre as medidas do governo para enfrentar a crise econômica e deverá assegurar a continuação, sem cortes, dos investimentos do PAC. Esta será a terceira reunião do presidente com governadores do Nordeste este ano.
domingo, 30 de novembro de 2008
CLIPPING - 30 DE NOVEMBRO
CORREIO BRAZILIENSE
Brasília-DF
Denise Rothenburg
Nem vem
Na firme decisão de afastar PSDB e PT em 2010, o PSB, que está no meio do caminho, abre as portas para o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), assim como já abriu para Aécio Neves (PSDB). Não é à toa que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem conversado tanto com os mineiros ultimamente. Embora seja aliado de Lula, ele também tem outras opções para o caso de o PT terminar deixando o PSB à deriva na sucessão presidencial.
Brasília-DF
Denise Rothenburg
Nem vem
Na firme decisão de afastar PSDB e PT em 2010, o PSB, que está no meio do caminho, abre as portas para o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), assim como já abriu para Aécio Neves (PSDB). Não é à toa que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem conversado tanto com os mineiros ultimamente. Embora seja aliado de Lula, ele também tem outras opções para o caso de o PT terminar deixando o PSB à deriva na sucessão presidencial.
sábado, 29 de novembro de 2008
CLIPPING - 29 DE NOVEMBRO
ZERO HORA
Ministro quer Aécio Neves no PMDB
Hélio Costa defendeu candidatura à Presidência de governador
Ministro das Comunicações, Hélio Costa afirmou ontem que Minas Gerais “gostariam muito de ter um candidato mineiro à Presidência da República” e reafirmou que o ideal seria o governador Aécio Neves deixar o PSDB e entrar no PMDB (partido do ministro). A declaração foi feita no Palácio do Planalto.
Na quinta-feira, Costa já havia dito, em Belo Horizonte, que o PMDB está “de braços abertos” para receber o governador e que este precisa “ter coragem” de mudar de partido. Ontem, ele acrescentou que esse é o caminho de Aécio, porque já é sabido, segundo ele, que o candidato presidencial do PSDB para 2010 é o governador de São Paulo, José Serra.
– A possível chance de se fazer uma boa composição ainda no governo do PT com o PMDB é olhando essas forças que podem, no futuro, representar uma grande aliança – declarou o ministro, em conversa com jornalistas depois de participar da cerimônia de assinatura do protocolo de implantação de uma infra-estrutura de TV digital que será compartilhada pelas emissoras públicas de televisão.
Hélio Costa disse que o caso de Aécio não se enquadra na lei de fidelidade partidária.
– Ele (Aécio) terá que deixar o governo pelo menos oito meses antes (das eleições) para ser candidato a qualquer coisa. Ele não pode ser candidato à reeleição. Não tem problema nenhum.”
ISTO É
Tucanos em campanha
A exemplo de Serra, Aécio Neves desembarca em vários Estados de olho em 2010
Rudolfo Lago
Com a sucessão do presidente Lula anotada em lugar de destaque na agenda, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) estão com seus blocos na rua. Em público, os dois tucanos trocam afagos; nos bastidores, cada um trata de buscar maior apoio político dentro e fora do PSDB. Ambos têm corrido o País para angariar aliados. Aécio usa o "choque de gestão", programa implantado em Minas há quatro anos para estimular o funcionalismo, como pretexto para viajar pelos Estados. Serra se vale da idéia da redistribuição tributária: formaliza convênios pelos quais ele recolhe em São Paulo o ICMS de produtos e depois os repassa para os Estados para os quais esses produtos serão destinados. Como as palestras de Aécio, cada assinatura de convênio transforma- se num pequeno ato político.
Serra já comeu pastel de feira em Londrina, no Paraná, e passeou pela orla de Maceió, em Alagoas, apertando as mãos de eleitores. Na segundafeira 1º, Aécio desembarca em São José dos Pinhais, cidade próxima a Curitiba, onde fará palestra para líderes políticos. No dia seguinte estará no Recife (PE) para uma reunião da Sudene. Nesses eventos, a estratégia do mineiro é mostrar às lideranças tucanas que em torno do seu nome o PSDB pode chegar em 2010 com uma aliança partidária mais ampla do que a de Serra. "As duas últimas disputas nacionais mostraram que não basta a parceria com o DEM para ganhar a eleição. É preciso ampliar", tem dito o governador mineiro a seus interlocutores.
O "choque administrativo" já levou Aécio a dez Estados. Em São Paulo, Serra adotou programa semelhante, mas apenas este ano. Em suas palestras, o mineiro não deixa de provocar e diz que "está três anos à frente do paulista". A participação de Aécio no evento do Recife é articulada pelo governador pernambucano, Eduardo Campos, do PSB, partido do prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, afilhado político de Aécio. Trata-se de uma aliança que o mineiro espera repetir em 2010 e nessa direção parece levar vantagem sobre Serra. Ciro Gomes, o pré-candidato do PSB à sucessão de Lula, já declarou que contra Aécio ele não disputa a eleição. "Pode ser verdade que não se possa repetir em nível nacional o que aconteceu em Belo Horizonte, mas o que aconteceu lá precisa valer como exemplo de que um novo entendimento político, mais amplo, pode ser obtido", entende o primeiro vicepresidente da Câmara dos Deputados, Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), um dos principais aliados de Aécio.
Enquanto correm o Brasil propagando suas idéias, Serra e Aécio movem-se de forma semelhante em seus Estados. Ambos anunciam ambiciosos projetos de investimentos e criaram "PACs locais" que pretendem apresentar como cartões-postais de suas gestões. Mas o mineiro tem procurado evitar o corpo a corpo com os eleitores. Aécio entende que não é o momento de oficializar sua candidatura, pois as pesquisas o mostram bem abaixo de Serra e ele quer tempo para reverter essa situação. Nisso, enfrenta a pressão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que prega que o PSDB antecipe a escolha de seu candidato e encare logo a disputa. "É um equívoco precipitarmos nomes sem ter clareza do projeto, da idéia que vai sustentar essa candidatura, não apenas do PSDB, mas de uma coligação que eu espero seja mais ampla", diz Aécio. Serra também não pretende pressionar por uma decisão breve. Acredita que a precipitação possa provocar fissuras irreparáveis.
Serra e Aécio também têm posturas semelhantes em relação ao governo Lula. Ambos procuram se apresentar como sucessores qualificados e não como opositores. E nesse sentido os dois trombam com FHC. Em recente reunião com prefeitos e vereadores eleitos pelo PSDB, o ex-presidente teceu fortes críticas à forma como Lula vem tratando da crise econômica: "Não diga bobagem, presidente", afirmou FHC. Serra discordou. "O presidente Lula está preocupado com a crise e temos até feito boas parcerias para enfrentá-la", afirmou o governador.
As convergências entre Serra e Aécio, no entanto, não significam unidade e a cúpula tucana teme que a disposição dos dois para a disputa interna leve à derrota em 2010. "Precisamos agir com maturidade e desprendimento. Chega de perder", alerta o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB.
ÉPOCA
Ruth de Aquino
Entre o Rio e Paris, Aécio prefere Brasília
Não consigo me convencer de que a disputa para a Presidência em 2010 será entre Serra e Dilma. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também não está convencido. Talvez nem o presidente Lula acredite que o duelo final seja entre dois soldados com cintura dura e riso truncado. Deve correr por fora um candidato com mais charme e carisma. Aécio aposta tanto nisso que saiu em campanha na única cidade que o seduz tanto ou mais que o Rio de Janeiro: Paris.
O mineiro de alma carioca quer armar logo as prévias do PSDB e desafiar o favorito Serra. Como o governador de São Paulo está com a faca (FHC) e o queijo (Kassab) na mão, Aécio age para vencer o jogo tucano. “Nossas chances serão enormes se tivermos juízo, desprendimento e capacidade para aglutinar as forças”, diz. Defende “uma bandeira nova” no PSDB. E tenta mostrar que o Alckmin de 2010 é o outro. Com seu sorriso, suas relações com o PMDB, o apoio de Tasso Jereissati e o controle do segundo maior colégio eleitoral do país, Aécio se considera capaz de derrotar Serra nas internas. E depois, nas urnas, Dilma, a mãe do PAC, do pré-sal e do Bolsa Família.
Aécio precisa ter cuidado com o marketing excessivo, que transforma simpáticos em malas. Há duas semanas, recebi e-mail de Paris da “Assessoria de Imprensa do Governador MG”. Anunciava sua condecoração na Legião de Honra da França. Apaguei. Três minutos depois, novo e-mail. Parecia o mesmo, deletei. Comecei a temer um vírus spam Aécio. Quando percebi que eram assessores de verdade, arquivei. Fui bombardeada.
Os assessores transcreveram o pronunciamento de Aécio em Paris. “A França é a segunda pátria dos cidadãos de nossa América blablablá, a matriz intelectual do mundo, com o sadio ceticismo de Montaigne...é também a pátria de Delacroix (delacroá).” Entre parênteses estava a pronúncia, para ninguém errar. Incrível. Aécio se dirigiu ao ex-presidente Giscard d’Estaing: “Vossa Excelência chegou à mais elevada posição da França aos 48 anos”. Aécio também tem 48 anos. Santa coincidência. Vive la France.
Alguém deveria dizer ao governador que marketing
em excesso transforma simpáticos em malas
O e-mail seguinte trazia entrevista com Aécio. “É a primeira vez”, disse ele, “que um governador de Minas é homenageado com a mais ampla condecoração francesa, criada por Napoleão Bonaparte há mais de 200 anos.” Lula e FHC estão entre os membros da Legião de Honra. A assessoria foi adiante: “Giscard d’Estaing ressaltou que Minas Gerais é maior que a França e que aprecia muito o trabalho de Aécio Neves com o Choque de Gestão”. Mais uma mensagem excitante, sobre investimentos da Vallourec, Fiat e Eurocopter em Minas Gerais e o metrô de Belo Horizonte.
A essa altura, eu já estava quase viciada nos e-mails da assessoria e me perguntava ansiosamente qual seria o próximo passo de Aécio em Paris. Mas chegou o fim de semana – e as mensagens secaram. O que terá feito na Cidade Luz, no sábado e no domingo, o governador de Minas Gerais, grande baladeiro e carnavalesco, apreciador de restaurantes e belas mulheres no Rio de Janeiro?
Na segunda-feira, a assessoria ataca novamente. Aécio assina em Lille acordo de irmandade entre Minas e a região de Nord Pas-de-Calais. “A cinergia (sic) entre poder público e a iniciativa privada é absolutamente necessária”, diz Aécio. Nova informação, imperdível: ele inaugura em Turim, Itália, a Exposição Viver Mais, com delegação de empresários, artistas e cientistas mineiros. Segundo a assessoria, “a mostra foi pautada em uma demonstração sensorial do Estado”. Intrigante. Ah, ia esquecendo o fecho: “O show dos cantores Vander Lee e Regina Spósito”. Menos, menos.
O governador paulista e a ministra petista não parecem tão seduzidos por Paris, muito menos pelo Rio. Pertencem à mesma geração. Já passaram dos 60 anos. Eles se assemelham na seriedade, na atração por números e até nos olhos. Duros serão os debates. Sem gafes ou tiradas espirituosas. Depois de um sociólogo ph.D. e de um operário líder sindical, cada qual com seu apelo, o próximo presidente será mesmo Serra ou Dilma? É cedo para definir. Aécio joga com a idade e a simpatia.
VEJA
Radar
COPA 2014
Negócios da bola
A Andrade Gutierrez está de olho grande no Mineirão. Tem pronto um megaprojeto para uma completa reforma do estádio e do seu entorno, que o preparará para a Copa de 2014. Os planos da Andrade já foram apresentados a Aécio Neves.
EXAME
TRIBUTOS
Mais um problema para as mineradoras
O setor de mineração, que sofre com a queda dos preços internacionais, está apreensivo. Agora, o problema é a inclusão de uma emenda no projeto de reforma tributária que pode dobrar o valor a ser pago pelas companhias aos governos estaduais. A sugestão dos secretários da Fazenda, liderados pelo governador mineiro, aécio Neves, foi aceita pelo relator da reforma, deputado Sandro Mabel (PR-GO). Nela, o cálculo dos royalties deixa de ser feito sobre o lucro líquido das empresas e passa a usar como base o lucro bruto. Além disso, a alíquota, que hoje varia de 0,2% a 3%, passa a ser cobrada sempre pelo percentual máximo. Empresas mineradoras argumentam que a medida vai dobrar a carga tributária do setor, uma das mais altas do mundo.
Ministro quer Aécio Neves no PMDB
Hélio Costa defendeu candidatura à Presidência de governador
Ministro das Comunicações, Hélio Costa afirmou ontem que Minas Gerais “gostariam muito de ter um candidato mineiro à Presidência da República” e reafirmou que o ideal seria o governador Aécio Neves deixar o PSDB e entrar no PMDB (partido do ministro). A declaração foi feita no Palácio do Planalto.
Na quinta-feira, Costa já havia dito, em Belo Horizonte, que o PMDB está “de braços abertos” para receber o governador e que este precisa “ter coragem” de mudar de partido. Ontem, ele acrescentou que esse é o caminho de Aécio, porque já é sabido, segundo ele, que o candidato presidencial do PSDB para 2010 é o governador de São Paulo, José Serra.
– A possível chance de se fazer uma boa composição ainda no governo do PT com o PMDB é olhando essas forças que podem, no futuro, representar uma grande aliança – declarou o ministro, em conversa com jornalistas depois de participar da cerimônia de assinatura do protocolo de implantação de uma infra-estrutura de TV digital que será compartilhada pelas emissoras públicas de televisão.
Hélio Costa disse que o caso de Aécio não se enquadra na lei de fidelidade partidária.
– Ele (Aécio) terá que deixar o governo pelo menos oito meses antes (das eleições) para ser candidato a qualquer coisa. Ele não pode ser candidato à reeleição. Não tem problema nenhum.”
ISTO É
Tucanos em campanha
A exemplo de Serra, Aécio Neves desembarca em vários Estados de olho em 2010
Rudolfo Lago
Com a sucessão do presidente Lula anotada em lugar de destaque na agenda, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) estão com seus blocos na rua. Em público, os dois tucanos trocam afagos; nos bastidores, cada um trata de buscar maior apoio político dentro e fora do PSDB. Ambos têm corrido o País para angariar aliados. Aécio usa o "choque de gestão", programa implantado em Minas há quatro anos para estimular o funcionalismo, como pretexto para viajar pelos Estados. Serra se vale da idéia da redistribuição tributária: formaliza convênios pelos quais ele recolhe em São Paulo o ICMS de produtos e depois os repassa para os Estados para os quais esses produtos serão destinados. Como as palestras de Aécio, cada assinatura de convênio transforma- se num pequeno ato político.
Serra já comeu pastel de feira em Londrina, no Paraná, e passeou pela orla de Maceió, em Alagoas, apertando as mãos de eleitores. Na segundafeira 1º, Aécio desembarca em São José dos Pinhais, cidade próxima a Curitiba, onde fará palestra para líderes políticos. No dia seguinte estará no Recife (PE) para uma reunião da Sudene. Nesses eventos, a estratégia do mineiro é mostrar às lideranças tucanas que em torno do seu nome o PSDB pode chegar em 2010 com uma aliança partidária mais ampla do que a de Serra. "As duas últimas disputas nacionais mostraram que não basta a parceria com o DEM para ganhar a eleição. É preciso ampliar", tem dito o governador mineiro a seus interlocutores.
O "choque administrativo" já levou Aécio a dez Estados. Em São Paulo, Serra adotou programa semelhante, mas apenas este ano. Em suas palestras, o mineiro não deixa de provocar e diz que "está três anos à frente do paulista". A participação de Aécio no evento do Recife é articulada pelo governador pernambucano, Eduardo Campos, do PSB, partido do prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, afilhado político de Aécio. Trata-se de uma aliança que o mineiro espera repetir em 2010 e nessa direção parece levar vantagem sobre Serra. Ciro Gomes, o pré-candidato do PSB à sucessão de Lula, já declarou que contra Aécio ele não disputa a eleição. "Pode ser verdade que não se possa repetir em nível nacional o que aconteceu em Belo Horizonte, mas o que aconteceu lá precisa valer como exemplo de que um novo entendimento político, mais amplo, pode ser obtido", entende o primeiro vicepresidente da Câmara dos Deputados, Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), um dos principais aliados de Aécio.
Enquanto correm o Brasil propagando suas idéias, Serra e Aécio movem-se de forma semelhante em seus Estados. Ambos anunciam ambiciosos projetos de investimentos e criaram "PACs locais" que pretendem apresentar como cartões-postais de suas gestões. Mas o mineiro tem procurado evitar o corpo a corpo com os eleitores. Aécio entende que não é o momento de oficializar sua candidatura, pois as pesquisas o mostram bem abaixo de Serra e ele quer tempo para reverter essa situação. Nisso, enfrenta a pressão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que prega que o PSDB antecipe a escolha de seu candidato e encare logo a disputa. "É um equívoco precipitarmos nomes sem ter clareza do projeto, da idéia que vai sustentar essa candidatura, não apenas do PSDB, mas de uma coligação que eu espero seja mais ampla", diz Aécio. Serra também não pretende pressionar por uma decisão breve. Acredita que a precipitação possa provocar fissuras irreparáveis.
Serra e Aécio também têm posturas semelhantes em relação ao governo Lula. Ambos procuram se apresentar como sucessores qualificados e não como opositores. E nesse sentido os dois trombam com FHC. Em recente reunião com prefeitos e vereadores eleitos pelo PSDB, o ex-presidente teceu fortes críticas à forma como Lula vem tratando da crise econômica: "Não diga bobagem, presidente", afirmou FHC. Serra discordou. "O presidente Lula está preocupado com a crise e temos até feito boas parcerias para enfrentá-la", afirmou o governador.
As convergências entre Serra e Aécio, no entanto, não significam unidade e a cúpula tucana teme que a disposição dos dois para a disputa interna leve à derrota em 2010. "Precisamos agir com maturidade e desprendimento. Chega de perder", alerta o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB.
ÉPOCA
Ruth de Aquino
Entre o Rio e Paris, Aécio prefere Brasília
Não consigo me convencer de que a disputa para a Presidência em 2010 será entre Serra e Dilma. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também não está convencido. Talvez nem o presidente Lula acredite que o duelo final seja entre dois soldados com cintura dura e riso truncado. Deve correr por fora um candidato com mais charme e carisma. Aécio aposta tanto nisso que saiu em campanha na única cidade que o seduz tanto ou mais que o Rio de Janeiro: Paris.
O mineiro de alma carioca quer armar logo as prévias do PSDB e desafiar o favorito Serra. Como o governador de São Paulo está com a faca (FHC) e o queijo (Kassab) na mão, Aécio age para vencer o jogo tucano. “Nossas chances serão enormes se tivermos juízo, desprendimento e capacidade para aglutinar as forças”, diz. Defende “uma bandeira nova” no PSDB. E tenta mostrar que o Alckmin de 2010 é o outro. Com seu sorriso, suas relações com o PMDB, o apoio de Tasso Jereissati e o controle do segundo maior colégio eleitoral do país, Aécio se considera capaz de derrotar Serra nas internas. E depois, nas urnas, Dilma, a mãe do PAC, do pré-sal e do Bolsa Família.
Aécio precisa ter cuidado com o marketing excessivo, que transforma simpáticos em malas. Há duas semanas, recebi e-mail de Paris da “Assessoria de Imprensa do Governador MG”. Anunciava sua condecoração na Legião de Honra da França. Apaguei. Três minutos depois, novo e-mail. Parecia o mesmo, deletei. Comecei a temer um vírus spam Aécio. Quando percebi que eram assessores de verdade, arquivei. Fui bombardeada.
Os assessores transcreveram o pronunciamento de Aécio em Paris. “A França é a segunda pátria dos cidadãos de nossa América blablablá, a matriz intelectual do mundo, com o sadio ceticismo de Montaigne...é também a pátria de Delacroix (delacroá).” Entre parênteses estava a pronúncia, para ninguém errar. Incrível. Aécio se dirigiu ao ex-presidente Giscard d’Estaing: “Vossa Excelência chegou à mais elevada posição da França aos 48 anos”. Aécio também tem 48 anos. Santa coincidência. Vive la France.
Alguém deveria dizer ao governador que marketing
em excesso transforma simpáticos em malas
O e-mail seguinte trazia entrevista com Aécio. “É a primeira vez”, disse ele, “que um governador de Minas é homenageado com a mais ampla condecoração francesa, criada por Napoleão Bonaparte há mais de 200 anos.” Lula e FHC estão entre os membros da Legião de Honra. A assessoria foi adiante: “Giscard d’Estaing ressaltou que Minas Gerais é maior que a França e que aprecia muito o trabalho de Aécio Neves com o Choque de Gestão”. Mais uma mensagem excitante, sobre investimentos da Vallourec, Fiat e Eurocopter em Minas Gerais e o metrô de Belo Horizonte.
A essa altura, eu já estava quase viciada nos e-mails da assessoria e me perguntava ansiosamente qual seria o próximo passo de Aécio em Paris. Mas chegou o fim de semana – e as mensagens secaram. O que terá feito na Cidade Luz, no sábado e no domingo, o governador de Minas Gerais, grande baladeiro e carnavalesco, apreciador de restaurantes e belas mulheres no Rio de Janeiro?
Na segunda-feira, a assessoria ataca novamente. Aécio assina em Lille acordo de irmandade entre Minas e a região de Nord Pas-de-Calais. “A cinergia (sic) entre poder público e a iniciativa privada é absolutamente necessária”, diz Aécio. Nova informação, imperdível: ele inaugura em Turim, Itália, a Exposição Viver Mais, com delegação de empresários, artistas e cientistas mineiros. Segundo a assessoria, “a mostra foi pautada em uma demonstração sensorial do Estado”. Intrigante. Ah, ia esquecendo o fecho: “O show dos cantores Vander Lee e Regina Spósito”. Menos, menos.
O governador paulista e a ministra petista não parecem tão seduzidos por Paris, muito menos pelo Rio. Pertencem à mesma geração. Já passaram dos 60 anos. Eles se assemelham na seriedade, na atração por números e até nos olhos. Duros serão os debates. Sem gafes ou tiradas espirituosas. Depois de um sociólogo ph.D. e de um operário líder sindical, cada qual com seu apelo, o próximo presidente será mesmo Serra ou Dilma? É cedo para definir. Aécio joga com a idade e a simpatia.
VEJA
Radar
COPA 2014
Negócios da bola
A Andrade Gutierrez está de olho grande no Mineirão. Tem pronto um megaprojeto para uma completa reforma do estádio e do seu entorno, que o preparará para a Copa de 2014. Os planos da Andrade já foram apresentados a Aécio Neves.
EXAME
TRIBUTOS
Mais um problema para as mineradoras
O setor de mineração, que sofre com a queda dos preços internacionais, está apreensivo. Agora, o problema é a inclusão de uma emenda no projeto de reforma tributária que pode dobrar o valor a ser pago pelas companhias aos governos estaduais. A sugestão dos secretários da Fazenda, liderados pelo governador mineiro, aécio Neves, foi aceita pelo relator da reforma, deputado Sandro Mabel (PR-GO). Nela, o cálculo dos royalties deixa de ser feito sobre o lucro líquido das empresas e passa a usar como base o lucro bruto. Além disso, a alíquota, que hoje varia de 0,2% a 3%, passa a ser cobrada sempre pelo percentual máximo. Empresas mineradoras argumentam que a medida vai dobrar a carga tributária do setor, uma das mais altas do mundo.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
CLIPPING - 28 DE NOVEMBRO
O ESTADO DE SÃO PAULO
Costa faz aceno a Aécio pelo PMDB
Eduardo Kattah
O ministro Hélio Costa considera “muito provável” eventual saída do governador Aécio Neves do PSDB. E afirmou que o PMDB está de “braços abertos” para recebê-lo. Para Costa, a candidatura presidencial de José Serra está “muito consolidada” no PSDB. Aécio discordou . “É uma avaliação dele que eu respeito, mas discordo”, disse. E agradeceu “os gestos que o PMDB tem feito”.
ESTADO DE MINAS
Governador rebate ministro
Leonardo Augusto
O governador Aécio Neves rebateu ontem declaração do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), de que, caso queira ser candidato à Presidência da República em 2010, deveria deixar o PSDB. Na avaliação do ministro, os tucanos já estão consolidados em torno do lançamento do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), como candidato a sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para Aécio, o partido ainda não tem decidido quem será o candidato em 2010. O governador voltou a dizer que ainda é cedo para o início das discussões em torno da disputa pela presidência. “Acho que é absolutamente prematuro estarmos tratando de sucessão em 2010, seja presidencial, seja governamental. Temos um ano ainda de muitas dificuldades para enfrentar, um ano de crise e estamos avaliando quase que diariamente as conseqüências dessa crise no estado, na geração de empregos, na desaceleração das atividades econômicas”.
Durante visita a uma feira de artesanato em Belo Horizonte, Aécio frisou ainda o relacionamento com o partido de Hélio Costa. “O PMDB em sua grande maioria tem participado da nossa base de apoio. Tem ajudado Minas Gerais a enfrentar as suas dificuldades, a encontrar o caminho do desenvolvimento. Eu tenho uma interlocução muito fácil com o ministro Hélio Costa e com outras lideranças do PMDB como o presidente Fernando Diniz”. O ministro participou ontem, também em Belo Horizonte, de cerimônia na Assembléia para anúncio de justificativas para colocar a TV do Poder Legislativo em sinal aberto.
PRESSÃO O governador afirmou que o secretário de estado de Governo, Danilo de Castro, ainda não encerrou as negociações com a Assembléia Legislativa para o fechamento de um novo valor para as emendas parlamentares, hoje de R$ 1 milhão. Os parlamentares querem o dobro e afirmam que, em São Paulo, o valor é de R$ 5 milhões. “Não vou fazer comparação com outros estados, o que estou fazendo aqui é em função da nossa realidade. A comparação que estamos fazendo é com aquilo que o estado teve condições de crescer e tem condições de honrar. Não tenho dificuldades de, por exemplo, aprovar emendas de R$ 5 milhões ou R$ 10 milhões. Terei uma grande dificuldade de pagá-las e acho que os mineiros preferem um valor que seja realista e que seja honrado integralmente como tem sido ao longo de todos os últimos anos do que apenas uma manifestação política”, alegou.
Costa faz aceno a Aécio pelo PMDB
Eduardo Kattah
O ministro Hélio Costa considera “muito provável” eventual saída do governador Aécio Neves do PSDB. E afirmou que o PMDB está de “braços abertos” para recebê-lo. Para Costa, a candidatura presidencial de José Serra está “muito consolidada” no PSDB. Aécio discordou . “É uma avaliação dele que eu respeito, mas discordo”, disse. E agradeceu “os gestos que o PMDB tem feito”.
ESTADO DE MINAS
Governador rebate ministro
Leonardo Augusto
O governador Aécio Neves rebateu ontem declaração do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), de que, caso queira ser candidato à Presidência da República em 2010, deveria deixar o PSDB. Na avaliação do ministro, os tucanos já estão consolidados em torno do lançamento do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), como candidato a sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para Aécio, o partido ainda não tem decidido quem será o candidato em 2010. O governador voltou a dizer que ainda é cedo para o início das discussões em torno da disputa pela presidência. “Acho que é absolutamente prematuro estarmos tratando de sucessão em 2010, seja presidencial, seja governamental. Temos um ano ainda de muitas dificuldades para enfrentar, um ano de crise e estamos avaliando quase que diariamente as conseqüências dessa crise no estado, na geração de empregos, na desaceleração das atividades econômicas”.
Durante visita a uma feira de artesanato em Belo Horizonte, Aécio frisou ainda o relacionamento com o partido de Hélio Costa. “O PMDB em sua grande maioria tem participado da nossa base de apoio. Tem ajudado Minas Gerais a enfrentar as suas dificuldades, a encontrar o caminho do desenvolvimento. Eu tenho uma interlocução muito fácil com o ministro Hélio Costa e com outras lideranças do PMDB como o presidente Fernando Diniz”. O ministro participou ontem, também em Belo Horizonte, de cerimônia na Assembléia para anúncio de justificativas para colocar a TV do Poder Legislativo em sinal aberto.
PRESSÃO O governador afirmou que o secretário de estado de Governo, Danilo de Castro, ainda não encerrou as negociações com a Assembléia Legislativa para o fechamento de um novo valor para as emendas parlamentares, hoje de R$ 1 milhão. Os parlamentares querem o dobro e afirmam que, em São Paulo, o valor é de R$ 5 milhões. “Não vou fazer comparação com outros estados, o que estou fazendo aqui é em função da nossa realidade. A comparação que estamos fazendo é com aquilo que o estado teve condições de crescer e tem condições de honrar. Não tenho dificuldades de, por exemplo, aprovar emendas de R$ 5 milhões ou R$ 10 milhões. Terei uma grande dificuldade de pagá-las e acho que os mineiros preferem um valor que seja realista e que seja honrado integralmente como tem sido ao longo de todos os últimos anos do que apenas uma manifestação política”, alegou.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
CLIPPING - 27 DE NOVEMBRO
CORREIO BRAZILIENSE
Mesa Diretora Modelo 2010
Por Denise Rothenburg Com Guilherme Queiroz
Pré-candidatos a presidente da República em 2010, os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, trabalham de forma diferente a eleição para presidente da Câmara. Enquanto Serra aposta todas as fichas em Michel Temer (PMDB), Aécio mantém distância regulamentar. Explica-se: Serra quer afastar Temer do PT. Ciro Nogueira (PI), além de amigo do governador mineiro, pertence ao PP do senador Francisco Dornelles (RJ), tio de Aécio, que já abriu as portas do partido para o sobrinho.
FOLHA DE SÃO PAULO
Mônica Bergamo
Ponto...
A próxima queda de braço da Anac será com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB-MG). A agência colocará em consulta pública no começo do próximo ano a proposta de abrir o aeroporto central da Pampulha para vôos que liguem Belo Horizonte a cidades como São Paulo, Rio e Brasília. O governador é contra -e já disse isso à presidente da Anac, Solange Vieira. Ele quer manter os vôos exclusivamente no aeroporto de Confins.
Mesa Diretora Modelo 2010
Por Denise Rothenburg Com Guilherme Queiroz
Pré-candidatos a presidente da República em 2010, os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, trabalham de forma diferente a eleição para presidente da Câmara. Enquanto Serra aposta todas as fichas em Michel Temer (PMDB), Aécio mantém distância regulamentar. Explica-se: Serra quer afastar Temer do PT. Ciro Nogueira (PI), além de amigo do governador mineiro, pertence ao PP do senador Francisco Dornelles (RJ), tio de Aécio, que já abriu as portas do partido para o sobrinho.
FOLHA DE SÃO PAULO
Mônica Bergamo
Ponto...
A próxima queda de braço da Anac será com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB-MG). A agência colocará em consulta pública no começo do próximo ano a proposta de abrir o aeroporto central da Pampulha para vôos que liguem Belo Horizonte a cidades como São Paulo, Rio e Brasília. O governador é contra -e já disse isso à presidente da Anac, Solange Vieira. Ele quer manter os vôos exclusivamente no aeroporto de Confins.
DO BLOG
José Serra é um grande nome do PSDB, mas a vez é de Aécio. O governador paulista tem grandes chances de perder para o candidato petista, já que carrega uma forte rejeição e não tem o carisma suficiente para derrotar a máquina petista.
Somente Aécio Neves com sua habilidade política e trânsito em todos os partidos pode ir além do DEM e formar uma ampla aliança para 2010.
Além disso, Aécio terá muito mais facilidades para entrar no feudo nordestino do PT. E é ali que a eleição será decidida.
Serra, devido ao recall de 2002 está bem a frente nas pesquisas. Mas alguém duvida que o carismático Aécio, com sua popularidade imbatível em Minas Gerais e tantos feitos na condução do estado, com dois meses de exposição na mídia não alcançaria facilmente os 35 - 40% nas pesquisas?
O melhor caminho para os tucanos é Serra ser reeleito em São Paulo e Aécio cumprir o destino que uma fatalidade tirou de seu avô, a presidência da República. Com isso, os dois cargos mais importantes do país estariam nas mãos do PSDB.
Somente Aécio Neves com sua habilidade política e trânsito em todos os partidos pode ir além do DEM e formar uma ampla aliança para 2010.
Além disso, Aécio terá muito mais facilidades para entrar no feudo nordestino do PT. E é ali que a eleição será decidida.
Serra, devido ao recall de 2002 está bem a frente nas pesquisas. Mas alguém duvida que o carismático Aécio, com sua popularidade imbatível em Minas Gerais e tantos feitos na condução do estado, com dois meses de exposição na mídia não alcançaria facilmente os 35 - 40% nas pesquisas?
O melhor caminho para os tucanos é Serra ser reeleito em São Paulo e Aécio cumprir o destino que uma fatalidade tirou de seu avô, a presidência da República. Com isso, os dois cargos mais importantes do país estariam nas mãos do PSDB.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
CLIPPING - 26 DE NOVEMBRO
CORREIO BRAZILIENSE
Marcos Coimbra
Partidos e nomes
A crise econômica internacional continua a polarizar as atenções da imprensa, mas mesmo ela, quando a abordagem é política, já é discutida em função das candidaturas postas para 2010.
Neste fim de ano, quando as recentes eleições municipais já parecem coisa antiga, o noticiário político começa a ser dominado pelas discussões a respeito da sucessão de Lula. Imagine-se daqui a alguns meses. Não vai haver outro assunto.
A crise econômica internacional continua a polarizar as atenções da imprensa, mas mesmo ela, quando a abordagem é política, já é discutida em função das candidaturas postas para 2010. Quem ganha e quem perde com a crise? Quem pode crescer se aumentarem as preocupações dos eleitores?
Nessas discussões, tratamos de nomes. Serra ou Aécio? Dilma? Senão ela, quem no PT? Ciro? O PMDB terá candidato próprio?
Sempre foi assim, em nosso sistema político. A mídia apresenta os nomes, a opinião pública os avalia, pesquisas são feitas, ouvem-se opiniões de líderes e especialistas. Um dia, alguma instância, dentro de cada partido, escolhe o nome do candidato.
Como se tomam essas decisões? Quais são as instâncias ouvidas? Afinal, quem monta o cardápio que o sistema político oferece aos eleitores?
Hoje, o Brasil é quase uma exceção na América Latina, um país onde não se questiona o processo de escolha dos candidatos. É como se ele não interessasse aos cidadãos, se fosse algo sobre o qual ninguém tem nada a dizer, salvo as direções partidárias.
Dirigentes e notáveis, dentro de um partido, podem ter tanta influência que, sozinhos, fazem todas as indicações, desde uma chapa de vereadores, a quem será o candidato a presidente. Ao distinto público, incluindo militantes e simpatizantes, resta votar.
Nos Estados Unidos, desde o início do século passado, o sistema de eleições primárias foi adotado como instrumento para aumentar o controle do governo pelos cidadãos. A idéia era fazer com que a voz do eleitor fosse ouvida desde o começo do processo político e não apenas no seu término, na hora de votar.
Essa experiência, em graus maiores ou menores, se disseminou pelas Américas nos últimos anos. Em alguns países, as eleições primárias fazem já parte da legislação, em outros, foram incorporadas às práticas partidárias. Só não existem de todo em poucos. Dentre os únicos quatro, no Brasil.
Quem mais tem se preocupado com o assunto é o PSDB, através, principalmente, de manifestações de Fernando Henrique Cardoso. Outras lideranças do partido também têm falado sobre o tema.
Parece claro que, confirmadas as duas (ou mais) candidaturas do PSDB, terá que ser encontrado um método legitimo para que uma seja escolhida. Se haverá algum tipo de prévia, se outra solução for melhor, não importa. O relevante é que a decisão seja aberta, transparente, participativa.
Na nossa tradição, tendemos a ver disputas internas como inconvenientes, diversionistas, que beneficiam apenas os adversários. Deve ser por isso que Lula, na única vez em que teve de lidar com uma proposta desse tipo, avisou o PT que preferiria desistir da candidatura a enfrentar uma prévia. Em 1997, tiveram que convencer Eduardo Suplicy a recuar de sua aspiração a se candidatar, para não melindrá-lo.
Ao contrário, as prévias são boas. Para os grandes partidos, onde existem muitas opiniões, a escolha de uma candidatura pode ser um momento fundamental. As diferenças se explicitam, as alas e correntes medem suas forças, o partido se revela e permite que os pontos de vista mais sintonizados com os eleitores prevaleçam.
Se o PSDB vier mesmo a fazer as prévias que parecem possíveis, quem vai ter que se explicar é Lula. Não vai ser bom para o PT ficar como o partido onde a vontade de uma pessoa (ainda que essa pessoa seja Lula) é a única coisa que conta.
ESTADO DE SÃO PAULO
Aécio discorda das críticas do secretário de Serra
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), reiterou ontem a preocupação com eventuais perdas para os Estados na proposta de reforma tributária, mas discordou da avaliação “radical” do governo paulista sobre o relatório apresentado pelo deputado Sandro Mabel (PR-GO). Para Aécio a reforma “é necessária para o País”.
Em entrevista ao Estado, o secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, criticou o relatório, afirmando que ele propõe “a destruição da indústria paulista”.
Os governos da Bahia e do Amazonas também mostraram-se contrários às críticas feitas por Mauro Ricardo. “Esta reforma será bem-vinda se corrigir distorções tributárias”, afirmou o governador Eduardo Braga (PMDB). O secretário da Fazenda baiano, Carlos Martins, alfinetou: “São Paulo se acostumou a só pensar em seus interesses e precisa começar a pensar no País como um todo”.
O governo do Espírito Santo concorda em parte com a posição paulista. “Não há qualquer sinalização de que a carga tributária será reduzida”, disse a secretária da Fazenda capixaba, Cristiane Mendonça. No Rio, o secretário da Fazenda, Joaquim Levy, disse ter sentido falta de contrapartidas aos Estados.
ESTADO DE MINAS
Itamar aconselha Aécio
Ex-presidente afirma que governador não deve se filiar ao PMDB e que o melhor seria uma definição rápida sobre a sua candidatura ao Palácio do Planalto nas eleições de 2010
Bertha Maakaroun
O ex-presidente da República e ex-governador de Minas Itamar Franco declarou ontem que, se fosse perguntado, desaconselharia o governador Aécio Neves (PSDB) a eventual filiação ao PMDB. “Se ele pedir a minha opinião se deve se filiar ao PMDB, eu lhe diria: nunca”, assinalou. Itamar acrescentou em seguida: “Olha que eu sou fundador do antigo MDB, o nono a assinar a ficha do PMDB nacional”. Depois de lembrar que ficou no PMDB por mais de 20 anos, Itamar, que hoje está sem partido, disse: “Em 1998 tentei ser candidato a presidente pelo PMDB e eles escolheram Fernando Henrique Cardoso”.
Depois de reiterar que gostaria de ver Minas de volta ao Palácio do Planalto através de Aécio, Itamar considerou que o governador precisa se definir rapidamente se será candidato. “Acho que ele vai ter de se definir rapidamente. Mas, claro, a velocidade quem escolhe é ele, se deseja ser candidato a presidente”, afirmou Itamar. Ao analisar o cenário político-eleitoral nacional, Itamar considerou forte a pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Temos do outro lado uma candidata forte, a ministra Dilma Rousseff. É uma mulher de excelente combatividade, está mostrando que tem uma ação forte não só no processo eleitoral, como no processo político. Ela é candidata que se tem de olhar com muito respeito”, disse.
Em crítica velada à aliança anunciada entre o PT de Fernando Pimentel e o PSDB na capital mineira, Itamar afirmou: “Aqui se falava em nova idéia, nova identidade que todos deveríamos nos unir. Mas, de repente, o que vejo em Juiz de Fora? Todos se uniram contra o candidato Custódio Mattos, do PSDB. Então, a aliança não é uma idéia geral. Foi específica para a capital”, afirmou. Segundo Itamar o contexto de Belo Horizonte aponta para uma forte incongruência do PT de Fernando Pimentel em 2010. “Ele já disse que apóia a Dilma Rousseff. Se o Aécio Neves for candidato a presidente, o que fará?” indagou.
Itamar Franco foi homenageado ontem, na Associação Comercial de Minas Gerais, com a comenda da Ordem Juscelino Kubitschek. Em discurso aos empresários e amigos presentes, ele fez um balanço de sua atuação pública à frente da Presidência da República entre 1992 e 1994 assim como a sua gestão no governo de Minas, entre 1998 e 2002. Citando o principal herdeiro da Escola de Frankfurt, Junger Habermas, Itamar afirmou: “Os argumentos éticos mais fortes são aqueles que levam em conta aquilo que é bom para nós – para todos”.
Itamar ressaltou as condições em que recebeu o país em 1992, mergulhado numa crise institucional política e diante de forte crise econômica. Lembrou que estabilizou a moeda, por meio do Plano Real, e imprimiu critérios éticos na administração pública, criando a Comissão de Ética Pública. “Sob nosso comando o país cresceu mais de 5% ao ano, restabeleceram-se a auto-estima e a confiança do povo brasileiro e não se registraram os famosos escândalos, hoje repetidamente retratados na imprensa”, disse.
Itamar Franco descreveu ainda a situação em que encontrou em 1998 o governo de Minas: “Recebi Minas Gerais em dificílima situação: com a Polícia Militar humilhada e revoltada, a Cemig entregue ao capital estrangeiro, a Copasa devedora de milhões, o BDMG prestes a ser transformado em agência de fomento. O estado tinha um caixa de poucos milhões ante compromissos de centenas de milhões, um décimo terceiro salário atrasado, dívida internacional elevada e o que deve ser fixado – com cerca de 13% de arrecadação do estado comprometida”, afirmou. De acordo com Itamar Franco, exceção ao comprometimento da arrecadação, tudo foi revertido em seu governo. “Ao final do mandato, entregamos um estado refortalecido e, através de uma lei delegada pronto para que o novo governo assentasse as bases de sua administração”, observou.
Itamar disse ainda que, como homem público, sempre procurou ser “simples, modesto, não badalador”, buscando a austeridade e a ética como carro-chefe da administração.
Aécio afirmou que considera um equívoco precipitar o anúncio de nomes de candidatos do PSDB à presidência da república, sem ter clareza da proposta do partido para a “era pós-Lula”. Ele defendeu que o partido amadureça proposta de reformas consistentes a serem anunciadas apenas no final do ano que vem. Ele discordou do presidente Itamar Franco, contrário à sua migração para o PMDB. “Ninguém vai governar sem o PMDB – que é essencial para as eleições e mais ainda para a governabilidade”.
Marcos Coimbra
Partidos e nomes
A crise econômica internacional continua a polarizar as atenções da imprensa, mas mesmo ela, quando a abordagem é política, já é discutida em função das candidaturas postas para 2010.
Neste fim de ano, quando as recentes eleições municipais já parecem coisa antiga, o noticiário político começa a ser dominado pelas discussões a respeito da sucessão de Lula. Imagine-se daqui a alguns meses. Não vai haver outro assunto.
A crise econômica internacional continua a polarizar as atenções da imprensa, mas mesmo ela, quando a abordagem é política, já é discutida em função das candidaturas postas para 2010. Quem ganha e quem perde com a crise? Quem pode crescer se aumentarem as preocupações dos eleitores?
Nessas discussões, tratamos de nomes. Serra ou Aécio? Dilma? Senão ela, quem no PT? Ciro? O PMDB terá candidato próprio?
Sempre foi assim, em nosso sistema político. A mídia apresenta os nomes, a opinião pública os avalia, pesquisas são feitas, ouvem-se opiniões de líderes e especialistas. Um dia, alguma instância, dentro de cada partido, escolhe o nome do candidato.
Como se tomam essas decisões? Quais são as instâncias ouvidas? Afinal, quem monta o cardápio que o sistema político oferece aos eleitores?
Hoje, o Brasil é quase uma exceção na América Latina, um país onde não se questiona o processo de escolha dos candidatos. É como se ele não interessasse aos cidadãos, se fosse algo sobre o qual ninguém tem nada a dizer, salvo as direções partidárias.
Dirigentes e notáveis, dentro de um partido, podem ter tanta influência que, sozinhos, fazem todas as indicações, desde uma chapa de vereadores, a quem será o candidato a presidente. Ao distinto público, incluindo militantes e simpatizantes, resta votar.
Nos Estados Unidos, desde o início do século passado, o sistema de eleições primárias foi adotado como instrumento para aumentar o controle do governo pelos cidadãos. A idéia era fazer com que a voz do eleitor fosse ouvida desde o começo do processo político e não apenas no seu término, na hora de votar.
Essa experiência, em graus maiores ou menores, se disseminou pelas Américas nos últimos anos. Em alguns países, as eleições primárias fazem já parte da legislação, em outros, foram incorporadas às práticas partidárias. Só não existem de todo em poucos. Dentre os únicos quatro, no Brasil.
Quem mais tem se preocupado com o assunto é o PSDB, através, principalmente, de manifestações de Fernando Henrique Cardoso. Outras lideranças do partido também têm falado sobre o tema.
Parece claro que, confirmadas as duas (ou mais) candidaturas do PSDB, terá que ser encontrado um método legitimo para que uma seja escolhida. Se haverá algum tipo de prévia, se outra solução for melhor, não importa. O relevante é que a decisão seja aberta, transparente, participativa.
Na nossa tradição, tendemos a ver disputas internas como inconvenientes, diversionistas, que beneficiam apenas os adversários. Deve ser por isso que Lula, na única vez em que teve de lidar com uma proposta desse tipo, avisou o PT que preferiria desistir da candidatura a enfrentar uma prévia. Em 1997, tiveram que convencer Eduardo Suplicy a recuar de sua aspiração a se candidatar, para não melindrá-lo.
Ao contrário, as prévias são boas. Para os grandes partidos, onde existem muitas opiniões, a escolha de uma candidatura pode ser um momento fundamental. As diferenças se explicitam, as alas e correntes medem suas forças, o partido se revela e permite que os pontos de vista mais sintonizados com os eleitores prevaleçam.
Se o PSDB vier mesmo a fazer as prévias que parecem possíveis, quem vai ter que se explicar é Lula. Não vai ser bom para o PT ficar como o partido onde a vontade de uma pessoa (ainda que essa pessoa seja Lula) é a única coisa que conta.
ESTADO DE SÃO PAULO
Aécio discorda das críticas do secretário de Serra
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), reiterou ontem a preocupação com eventuais perdas para os Estados na proposta de reforma tributária, mas discordou da avaliação “radical” do governo paulista sobre o relatório apresentado pelo deputado Sandro Mabel (PR-GO). Para Aécio a reforma “é necessária para o País”.
Em entrevista ao Estado, o secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, criticou o relatório, afirmando que ele propõe “a destruição da indústria paulista”.
Os governos da Bahia e do Amazonas também mostraram-se contrários às críticas feitas por Mauro Ricardo. “Esta reforma será bem-vinda se corrigir distorções tributárias”, afirmou o governador Eduardo Braga (PMDB). O secretário da Fazenda baiano, Carlos Martins, alfinetou: “São Paulo se acostumou a só pensar em seus interesses e precisa começar a pensar no País como um todo”.
O governo do Espírito Santo concorda em parte com a posição paulista. “Não há qualquer sinalização de que a carga tributária será reduzida”, disse a secretária da Fazenda capixaba, Cristiane Mendonça. No Rio, o secretário da Fazenda, Joaquim Levy, disse ter sentido falta de contrapartidas aos Estados.
ESTADO DE MINAS
Itamar aconselha Aécio
Ex-presidente afirma que governador não deve se filiar ao PMDB e que o melhor seria uma definição rápida sobre a sua candidatura ao Palácio do Planalto nas eleições de 2010
Bertha Maakaroun
O ex-presidente da República e ex-governador de Minas Itamar Franco declarou ontem que, se fosse perguntado, desaconselharia o governador Aécio Neves (PSDB) a eventual filiação ao PMDB. “Se ele pedir a minha opinião se deve se filiar ao PMDB, eu lhe diria: nunca”, assinalou. Itamar acrescentou em seguida: “Olha que eu sou fundador do antigo MDB, o nono a assinar a ficha do PMDB nacional”. Depois de lembrar que ficou no PMDB por mais de 20 anos, Itamar, que hoje está sem partido, disse: “Em 1998 tentei ser candidato a presidente pelo PMDB e eles escolheram Fernando Henrique Cardoso”.
Depois de reiterar que gostaria de ver Minas de volta ao Palácio do Planalto através de Aécio, Itamar considerou que o governador precisa se definir rapidamente se será candidato. “Acho que ele vai ter de se definir rapidamente. Mas, claro, a velocidade quem escolhe é ele, se deseja ser candidato a presidente”, afirmou Itamar. Ao analisar o cenário político-eleitoral nacional, Itamar considerou forte a pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Temos do outro lado uma candidata forte, a ministra Dilma Rousseff. É uma mulher de excelente combatividade, está mostrando que tem uma ação forte não só no processo eleitoral, como no processo político. Ela é candidata que se tem de olhar com muito respeito”, disse.
Em crítica velada à aliança anunciada entre o PT de Fernando Pimentel e o PSDB na capital mineira, Itamar afirmou: “Aqui se falava em nova idéia, nova identidade que todos deveríamos nos unir. Mas, de repente, o que vejo em Juiz de Fora? Todos se uniram contra o candidato Custódio Mattos, do PSDB. Então, a aliança não é uma idéia geral. Foi específica para a capital”, afirmou. Segundo Itamar o contexto de Belo Horizonte aponta para uma forte incongruência do PT de Fernando Pimentel em 2010. “Ele já disse que apóia a Dilma Rousseff. Se o Aécio Neves for candidato a presidente, o que fará?” indagou.
Itamar Franco foi homenageado ontem, na Associação Comercial de Minas Gerais, com a comenda da Ordem Juscelino Kubitschek. Em discurso aos empresários e amigos presentes, ele fez um balanço de sua atuação pública à frente da Presidência da República entre 1992 e 1994 assim como a sua gestão no governo de Minas, entre 1998 e 2002. Citando o principal herdeiro da Escola de Frankfurt, Junger Habermas, Itamar afirmou: “Os argumentos éticos mais fortes são aqueles que levam em conta aquilo que é bom para nós – para todos”.
Itamar ressaltou as condições em que recebeu o país em 1992, mergulhado numa crise institucional política e diante de forte crise econômica. Lembrou que estabilizou a moeda, por meio do Plano Real, e imprimiu critérios éticos na administração pública, criando a Comissão de Ética Pública. “Sob nosso comando o país cresceu mais de 5% ao ano, restabeleceram-se a auto-estima e a confiança do povo brasileiro e não se registraram os famosos escândalos, hoje repetidamente retratados na imprensa”, disse.
Itamar Franco descreveu ainda a situação em que encontrou em 1998 o governo de Minas: “Recebi Minas Gerais em dificílima situação: com a Polícia Militar humilhada e revoltada, a Cemig entregue ao capital estrangeiro, a Copasa devedora de milhões, o BDMG prestes a ser transformado em agência de fomento. O estado tinha um caixa de poucos milhões ante compromissos de centenas de milhões, um décimo terceiro salário atrasado, dívida internacional elevada e o que deve ser fixado – com cerca de 13% de arrecadação do estado comprometida”, afirmou. De acordo com Itamar Franco, exceção ao comprometimento da arrecadação, tudo foi revertido em seu governo. “Ao final do mandato, entregamos um estado refortalecido e, através de uma lei delegada pronto para que o novo governo assentasse as bases de sua administração”, observou.
Itamar disse ainda que, como homem público, sempre procurou ser “simples, modesto, não badalador”, buscando a austeridade e a ética como carro-chefe da administração.
Aécio afirmou que considera um equívoco precipitar o anúncio de nomes de candidatos do PSDB à presidência da república, sem ter clareza da proposta do partido para a “era pós-Lula”. Ele defendeu que o partido amadureça proposta de reformas consistentes a serem anunciadas apenas no final do ano que vem. Ele discordou do presidente Itamar Franco, contrário à sua migração para o PMDB. “Ninguém vai governar sem o PMDB – que é essencial para as eleições e mais ainda para a governabilidade”.
DO BLOG
Aécio Neves deve ser o próximo presidente do Brasil. Somente ele reúne as qualidades para vencer o PT e, depois, fazer um governo para marcar a história.
O governador mineiro, além de um líder moderno e competente, é quem pode conduzir um grande pacto para tirar o Brasil do atraso.
Chega da companheirada empregada nos ministérios e estatais. Chega de conduzir o país querendo reduzir tudo a uma só voz: a voz do retrocesso, de Chavez e Evo Moralez. Chega da política internacional terceiro-mundista onde as ligações com ditaduras jurássicas são mais importantes do que com as grandes nações do mundo. Chega de uma carga tributária exorbitante para financiar ONGs corruptas ligadas aos ativistas profissionais.
O momento chegou de deixarmos de ser o país do futuro para nos tornarmos o presente que todos os brasileiros merecem.
Por isso, é Aécio Presidente. TEMPO DE MUDAR
O governador mineiro, além de um líder moderno e competente, é quem pode conduzir um grande pacto para tirar o Brasil do atraso.
Chega da companheirada empregada nos ministérios e estatais. Chega de conduzir o país querendo reduzir tudo a uma só voz: a voz do retrocesso, de Chavez e Evo Moralez. Chega da política internacional terceiro-mundista onde as ligações com ditaduras jurássicas são mais importantes do que com as grandes nações do mundo. Chega de uma carga tributária exorbitante para financiar ONGs corruptas ligadas aos ativistas profissionais.
O momento chegou de deixarmos de ser o país do futuro para nos tornarmos o presente que todos os brasileiros merecem.
Por isso, é Aécio Presidente. TEMPO DE MUDAR
terça-feira, 25 de novembro de 2008
CLIPPING - 25 DE NOVEMBRO
VALOR ECONÔMICO
Raymundo Costa
Aécio se mantém no jogo de 2010
Engana-se quem acha que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, tirou o PMDB das alternativas de que dispõe para 2010. Na última conversa que teve com o deputado Michel Temer, presidente do partido, e o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, o tucano mineiro tratou de deixar as portas abertas. Bem abertas.
"Se o Serra me atropelar...", ainda ironizou, ao se despedir, referindo-se ao governador de São Paulo, José Serra, e à fama do tucano de passar por cima dos adversários.
Entre os tucanos é corrente a avaliação segundo a qual Aécio será candidato em 2010, seja pelo PSDB ou PMDB.
Por quê? Em outra oportunidade as condições talvez não sejam mais tão boas quanto as atuais, quando o governador encerra seu segundo mandato com uma aprovação que beira a casa dos 80%. Um piparote da Executiva Nacional resolve a questão da resolução que pemedebistas mineiros aprovaram para dificultar a filiação de Aécio ao partido.
A questão é saber se o PMDB terá a mínima vontade de ter um candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A não ser como o candidato de um PSDB coeso, hipótese, no momento, considerada improvável, não haveria melhor cenário para Aécio.
Resta saber se falará mais alto a lógica regional pemedebista e mais uma vez o partido ficará sem candidato, o que ocorre sistematicamente desde 1994, quando Orestes Quércia teve participação melancólica na eleição.
Se Aécio não for para o PMDB, parece evidente hoje para tucanos que este partido, sem candidato, se alia à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ou ao governador de São Paulo, José Serra. Isso, se não se dividir entre os dois, uma prática usual entre os pemedebistas.
Aécio passaria então a ser um outsider numa eleição em que poderia reunir - como se acredita no PSDB - um amplo espectro que vai do centro para a direita, e que ainda não se julga representado nas eleições de 2010. Deve ir com Serra contrariado, se não tiver opção mais digerível.
Mas Aécio também tem dificuldades no próprio terreiro. O governador perdeu a aposta que fez na parceria do PSDB com o PT, chegou a resmungar contra Lula logo após as eleições municipais e terá um problema a mais para resolver em Minas, o terceiro maior colégio eleitoral do país: Dilma Rousseff - cuja candidatura Lula já disse até para os tucanos que é pra valer -, é mineira.
É com Dilma que devem ficar os ministros os mineiros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), por exemplo, dividindo um território que até a eleição municipal parecia blindado pelo popular Aécio - aliás, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), aliado eventual do governador na eleição passada, também promete compor com a força-tarefa de Dilma no Estado.
Aécio tem sido aconselhado até por pemedebistas a não se filiar ao partido, se pensa em concorrer à Presidência em 2010. A margem de segurança é pequena, como o PMDB já demonstrou em situações anteriores, quando deixou a pé o ex-presidente Itamar Franco e o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, convidado para a integrar a sigla justamente para ser candidato na eleição de 2006.
No momento, o PMDB é um partido mais inclinado a indicar um candidato a vice-presidente na chapa governista. Mas não descarta a possibilidade de ter um candidato próprio, ainda mais se esse candidato é um governador jovem, bem avaliado e neto de Tancredo Neves, cujo centenário será comemorado justamente em 2010, o ano da eleição.
Até a definição dos partidos, no entanto, o Congresso precisa correr com algumas decisões. Como vai ficar a questão da fidelidade, por exemplo.
O Congresso tende a abrir uma janela para permitir a troca de partidos - o que interessa diretamente a Aécio Neves.
Mas a mudança terá de ser feita por emenda constitucional, para não correr o risco de cair nos tribunais. Mudanças na Constituição requerem quórum qualificado e tempo - e por se tratar de regras eleitorais, precisam ser aprovadas até o início de outubro. O que não deve constituir tarefa fácil, devido aos interesses em jogo.
JORNAL DO BRASIL
Informe JB
Leandro Mazzini
Bombeiro
FHC já serve de bombeiro, em prol dos assuntos do tucanato. É ele quem está tentando reaproximar Garibaldi Alves de José Agripino Maia, afastados pelo palanque de Natal na disputa deste ano. Quer os dois unidos por José Serra ou Aécio Neves em 2010.
Raymundo Costa
Aécio se mantém no jogo de 2010
Engana-se quem acha que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, tirou o PMDB das alternativas de que dispõe para 2010. Na última conversa que teve com o deputado Michel Temer, presidente do partido, e o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, o tucano mineiro tratou de deixar as portas abertas. Bem abertas.
"Se o Serra me atropelar...", ainda ironizou, ao se despedir, referindo-se ao governador de São Paulo, José Serra, e à fama do tucano de passar por cima dos adversários.
Entre os tucanos é corrente a avaliação segundo a qual Aécio será candidato em 2010, seja pelo PSDB ou PMDB.
Por quê? Em outra oportunidade as condições talvez não sejam mais tão boas quanto as atuais, quando o governador encerra seu segundo mandato com uma aprovação que beira a casa dos 80%. Um piparote da Executiva Nacional resolve a questão da resolução que pemedebistas mineiros aprovaram para dificultar a filiação de Aécio ao partido.
A questão é saber se o PMDB terá a mínima vontade de ter um candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A não ser como o candidato de um PSDB coeso, hipótese, no momento, considerada improvável, não haveria melhor cenário para Aécio.
Resta saber se falará mais alto a lógica regional pemedebista e mais uma vez o partido ficará sem candidato, o que ocorre sistematicamente desde 1994, quando Orestes Quércia teve participação melancólica na eleição.
Se Aécio não for para o PMDB, parece evidente hoje para tucanos que este partido, sem candidato, se alia à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ou ao governador de São Paulo, José Serra. Isso, se não se dividir entre os dois, uma prática usual entre os pemedebistas.
Aécio passaria então a ser um outsider numa eleição em que poderia reunir - como se acredita no PSDB - um amplo espectro que vai do centro para a direita, e que ainda não se julga representado nas eleições de 2010. Deve ir com Serra contrariado, se não tiver opção mais digerível.
Mas Aécio também tem dificuldades no próprio terreiro. O governador perdeu a aposta que fez na parceria do PSDB com o PT, chegou a resmungar contra Lula logo após as eleições municipais e terá um problema a mais para resolver em Minas, o terceiro maior colégio eleitoral do país: Dilma Rousseff - cuja candidatura Lula já disse até para os tucanos que é pra valer -, é mineira.
É com Dilma que devem ficar os ministros os mineiros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), por exemplo, dividindo um território que até a eleição municipal parecia blindado pelo popular Aécio - aliás, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), aliado eventual do governador na eleição passada, também promete compor com a força-tarefa de Dilma no Estado.
Aécio tem sido aconselhado até por pemedebistas a não se filiar ao partido, se pensa em concorrer à Presidência em 2010. A margem de segurança é pequena, como o PMDB já demonstrou em situações anteriores, quando deixou a pé o ex-presidente Itamar Franco e o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, convidado para a integrar a sigla justamente para ser candidato na eleição de 2006.
No momento, o PMDB é um partido mais inclinado a indicar um candidato a vice-presidente na chapa governista. Mas não descarta a possibilidade de ter um candidato próprio, ainda mais se esse candidato é um governador jovem, bem avaliado e neto de Tancredo Neves, cujo centenário será comemorado justamente em 2010, o ano da eleição.
Até a definição dos partidos, no entanto, o Congresso precisa correr com algumas decisões. Como vai ficar a questão da fidelidade, por exemplo.
O Congresso tende a abrir uma janela para permitir a troca de partidos - o que interessa diretamente a Aécio Neves.
Mas a mudança terá de ser feita por emenda constitucional, para não correr o risco de cair nos tribunais. Mudanças na Constituição requerem quórum qualificado e tempo - e por se tratar de regras eleitorais, precisam ser aprovadas até o início de outubro. O que não deve constituir tarefa fácil, devido aos interesses em jogo.
JORNAL DO BRASIL
Informe JB
Leandro Mazzini
Bombeiro
FHC já serve de bombeiro, em prol dos assuntos do tucanato. É ele quem está tentando reaproximar Garibaldi Alves de José Agripino Maia, afastados pelo palanque de Natal na disputa deste ano. Quer os dois unidos por José Serra ou Aécio Neves em 2010.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
CLIPPING - 24 DE NOVEMBRO
Zero Hora
FH tem pressa em definir candidato
Para ex-presidente tucanos devem enfatizar críticas a governo Lula
Presidente de honra do PSDB, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso deu a largada nos preparativos do partido para a eleição de 2010.Num discurso forte, no qual se referiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como traidor do povo brasileiro, FH defendeu, no sábado, que o PSDB apresente à sociedade já no ano que vem – até o início do segundo semestre – um único candidato à sucessão do petista no Palácio do Planalto. Ele não descarta a convenção como mecanismo de escolha.– É cedo para definir (esse nome) agora, mas não é cedo para iniciar as conversas entre nós. Se houver divisão, fazemos a convenção. Mas (o partido) tem de ter um candidato. Caso contrário, as forças da sociedade não têm por onde ecoar. Nós temos de apresentar o outro lado – enfatizou.O ex-presidente, no entanto, não quis citar nomes:– Nós temos vários líderes com essa capacidade de despertar entusiasmo nos nossos militantes. Essa é a única coisa que eu quero fazer, ajudar a formar essa visão que incorpore alguém – afirmou ele em São Paulo, em evento para uma platéia de 400 pessoas, entre prefeitos e vereadores eleitos do PSDB no Estado.Antes de iniciar seu discurso, FH fez questão de informar que havia jantado com o governador de São Paulo, José Serra, na madrugada anterior. O paulista trava disputa interna com o mineiro Aécio Neves pelo direito de concorrer à Presidência pela chapa tucana. O ex-presidente também deve se reunir com Aécio nos próximos dias.Ao argumentar que o candidato será “a voz” do que o PSDB planeja para o futuro, FH incitou os tucanos a acirrar o tom crítico em relação ao governo. Apesar de dizer que o foco não deve ser a crítica pessoal ao presidente Lula, ele próprio foi incisivo:– Não precisamos ser agressivos com ninguém. Mas nem por isso vamos dizer que tudo o que seu mestre fala está certo. Temos de dizer: o rei está nu, aqui, ali, acolá. Põe a roupa, presidente.
Valor Econômico
Escolha de candidato a 2010 afeta disputas internas do PSDB
Paulo de Tarso Lyra, de Brasília
A escolha do candidato à Presidência da República estará no centro das decisões que o PSDB tomará em 2009 e deverá afetar pelo menos outras duas disputas internas. Deputados ouvidos pelo Valor, avaliam que a definição do candidato da legenda à Presidência - entre os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves - terá reflexos consideráveis sobre as escolhas dos nomes que ocuparão uma vaga - provavelmente a vice-presidência - na Mesa Diretora da Câmara e na liderança da bancada.
No primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, São Paulo e Minas disputavam o direito de liderar os deputados em plenário. A partir de 2006, um acordo de procedimentos definiu que a vaga na Mesa seria dos mineiros e a liderança caberia aos paulistas. Nada que não possa ser alterado. "Não há nenhum acordo escrito sobre isso", alertou o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), cuja liderança se encerra no início do próximo ano.
Apesar de serem dois postos considerados estratégicos, a duração dos respectivos mandatos é diferente. Quem for indicado pela bancada para a Mesa Diretora ficará lá de fevereiro de 2009 a fevereiro de 2011. O futuro líder, no entanto, terá que passar o bastão em fevereiro de 2010. Se a atual regra for mantida, Aécio teria um aliado seu assegurado na Mesa por dois anos. Já Serra enfrentaria uma situação um pouco mais delicada.
O PSDB paulista vem rachado desde 2002, quando Serra foi candidato a presidente, e a divisão de aprofundou em 2006, quando o ex-governador Geraldo Alckmin concorreu com Lula, tomando a vaga de Serra, que estava melhor situado nas pesquisas. A cizânia se agravou nas eleições municipais, quando Serra, que preferia apoiar o, agora, prefeito reeleito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), foi derrotado dentro do partido, que decidiu pela candidatura própria, novamente de Alckmin. O governador paulista poderia emplacar um aliado na liderança no ano que vem, mas correria o risco de ver um líder em 2010, quando a campanha presidencial ocorrerá de fato, não tão alinhado a ele.
E caso abra mão de indicar um líder no ano que vem, perderá um posto de poder no momento em que o nome do candidato será escolhido pelo partido. Por tudo isso, a bancada torce para que os dois governadores se envolvam o mínimo possível. Mas não há como negar que São Paulo e Minas vão comandar esse debate. "Estamos reféns desta disputa, são as duas maiores bancadas estaduais do PSDB", reconheceu o deputado Gustavo Fruet (PR).
O deputado paranaense até desfruta de bom prestígio interno - em 2007, chegou a ser lançado candidato do partido à presidência da Casa, durante a eleição vencida pelo petista Arlindo Chinaglia (PT-SP). Mas rende-se aos números - Minas tem 7 deputados e São Paulo, 18. "Destes, entre 7 e 9 são ligados diretamente a Serra. Mas acho que depois da disputa municipal, a tendência é que os tucanos paulistas se unam em torno do governador paulista", acredita o tucano paranaense. Um tucano mineiro reforça o coro de Fruet. "Se essa questão (briga entre serristas e alckmistas) fosse colocada há dois, três meses, seria de fato motivo para preocupação. Hoje, a divisão interna na bancada paulista não é tão acentuada assim", declarou o parlamentar.
Como estratégia política, no entanto, questiona-se qual vaga seria maior objeto de cobiça. A opinião geral é de que a liderança é mais importante do que a Mesa Diretora. "O cargo na Mesa é mais burocrático, para dentro, institucional. O líder é político, dialoga pela legenda com os demais partidos da oposição, eventuais aliados e a sociedade", definiu Fruet.
Ex-líder do governo durante a gestão Fernando Henrique Cardoso, o deputado Arnaldo Madeira (SP) disputou a liderança da bancada neste ano, mas foi derrotado por José Aníbal. Ele é taxativo ao afirmar que 2009 é o ano decisivo para as pretensões eleitorais do partido. Mesmo assim, acha que nem Aécio nem Serra vão se atropelar mutuamente nas disputas pela liderança e pela Mesa Diretora. "Eles não vão se expor assim", acredita Madeira.
Outros compartilham da esperança de um grande acordo político para evitar ainda mais constrangimentos ao partido. Serrista convicto, o deputado Jutahy Júnior (BA) assegura que um entendimento será costurado. "Não haverá disputa, vamos encontrar os nomes de consenso", assegurou. Ele tem histórico de divergência com o partido: chegou a criticar abertamente o candidato à Presidência, na época, Fernando Henrique Cardoso, por ter fechado um acordo, em 1993, com o então PFL de Antonio Carlos Magalhães (BA). Jutahy e ACM eram adversários ferrenhos.
"O cenário atual pode parecer complexo, mas temos que, neste momento, trabalhar a harmonia interna e escolher nomes que tragam unidade ao partido", completou o deputado Otávio Leite (RJ). O líder José Aníbal talvez reflita bem essa necessidade de conciliação política: alckmista confesso, mantém diálogo político com Serra. Ele aposta no bom senso dos governadores de São Paulo e de Minas para diminuir os atritos internos desnecessários.
Na opinião do líder, todo o esforço deve ser voltado para fortalecer a musculatura partidária diante dos desafios que estão por vir. "Os dois - Aécio e Serra - têm clareza de que não podemos brigar nesse momento". A razão é clara: apesar da crise internacional que diminuirá o ritmo de crescimento do país, Lula ainda terá capital político considerável para queimar em 2010.
FH tem pressa em definir candidato
Para ex-presidente tucanos devem enfatizar críticas a governo Lula
Presidente de honra do PSDB, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso deu a largada nos preparativos do partido para a eleição de 2010.Num discurso forte, no qual se referiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como traidor do povo brasileiro, FH defendeu, no sábado, que o PSDB apresente à sociedade já no ano que vem – até o início do segundo semestre – um único candidato à sucessão do petista no Palácio do Planalto. Ele não descarta a convenção como mecanismo de escolha.– É cedo para definir (esse nome) agora, mas não é cedo para iniciar as conversas entre nós. Se houver divisão, fazemos a convenção. Mas (o partido) tem de ter um candidato. Caso contrário, as forças da sociedade não têm por onde ecoar. Nós temos de apresentar o outro lado – enfatizou.O ex-presidente, no entanto, não quis citar nomes:– Nós temos vários líderes com essa capacidade de despertar entusiasmo nos nossos militantes. Essa é a única coisa que eu quero fazer, ajudar a formar essa visão que incorpore alguém – afirmou ele em São Paulo, em evento para uma platéia de 400 pessoas, entre prefeitos e vereadores eleitos do PSDB no Estado.Antes de iniciar seu discurso, FH fez questão de informar que havia jantado com o governador de São Paulo, José Serra, na madrugada anterior. O paulista trava disputa interna com o mineiro Aécio Neves pelo direito de concorrer à Presidência pela chapa tucana. O ex-presidente também deve se reunir com Aécio nos próximos dias.Ao argumentar que o candidato será “a voz” do que o PSDB planeja para o futuro, FH incitou os tucanos a acirrar o tom crítico em relação ao governo. Apesar de dizer que o foco não deve ser a crítica pessoal ao presidente Lula, ele próprio foi incisivo:– Não precisamos ser agressivos com ninguém. Mas nem por isso vamos dizer que tudo o que seu mestre fala está certo. Temos de dizer: o rei está nu, aqui, ali, acolá. Põe a roupa, presidente.
Valor Econômico
Escolha de candidato a 2010 afeta disputas internas do PSDB
Paulo de Tarso Lyra, de Brasília
A escolha do candidato à Presidência da República estará no centro das decisões que o PSDB tomará em 2009 e deverá afetar pelo menos outras duas disputas internas. Deputados ouvidos pelo Valor, avaliam que a definição do candidato da legenda à Presidência - entre os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves - terá reflexos consideráveis sobre as escolhas dos nomes que ocuparão uma vaga - provavelmente a vice-presidência - na Mesa Diretora da Câmara e na liderança da bancada.
No primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, São Paulo e Minas disputavam o direito de liderar os deputados em plenário. A partir de 2006, um acordo de procedimentos definiu que a vaga na Mesa seria dos mineiros e a liderança caberia aos paulistas. Nada que não possa ser alterado. "Não há nenhum acordo escrito sobre isso", alertou o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), cuja liderança se encerra no início do próximo ano.
Apesar de serem dois postos considerados estratégicos, a duração dos respectivos mandatos é diferente. Quem for indicado pela bancada para a Mesa Diretora ficará lá de fevereiro de 2009 a fevereiro de 2011. O futuro líder, no entanto, terá que passar o bastão em fevereiro de 2010. Se a atual regra for mantida, Aécio teria um aliado seu assegurado na Mesa por dois anos. Já Serra enfrentaria uma situação um pouco mais delicada.
O PSDB paulista vem rachado desde 2002, quando Serra foi candidato a presidente, e a divisão de aprofundou em 2006, quando o ex-governador Geraldo Alckmin concorreu com Lula, tomando a vaga de Serra, que estava melhor situado nas pesquisas. A cizânia se agravou nas eleições municipais, quando Serra, que preferia apoiar o, agora, prefeito reeleito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), foi derrotado dentro do partido, que decidiu pela candidatura própria, novamente de Alckmin. O governador paulista poderia emplacar um aliado na liderança no ano que vem, mas correria o risco de ver um líder em 2010, quando a campanha presidencial ocorrerá de fato, não tão alinhado a ele.
E caso abra mão de indicar um líder no ano que vem, perderá um posto de poder no momento em que o nome do candidato será escolhido pelo partido. Por tudo isso, a bancada torce para que os dois governadores se envolvam o mínimo possível. Mas não há como negar que São Paulo e Minas vão comandar esse debate. "Estamos reféns desta disputa, são as duas maiores bancadas estaduais do PSDB", reconheceu o deputado Gustavo Fruet (PR).
O deputado paranaense até desfruta de bom prestígio interno - em 2007, chegou a ser lançado candidato do partido à presidência da Casa, durante a eleição vencida pelo petista Arlindo Chinaglia (PT-SP). Mas rende-se aos números - Minas tem 7 deputados e São Paulo, 18. "Destes, entre 7 e 9 são ligados diretamente a Serra. Mas acho que depois da disputa municipal, a tendência é que os tucanos paulistas se unam em torno do governador paulista", acredita o tucano paranaense. Um tucano mineiro reforça o coro de Fruet. "Se essa questão (briga entre serristas e alckmistas) fosse colocada há dois, três meses, seria de fato motivo para preocupação. Hoje, a divisão interna na bancada paulista não é tão acentuada assim", declarou o parlamentar.
Como estratégia política, no entanto, questiona-se qual vaga seria maior objeto de cobiça. A opinião geral é de que a liderança é mais importante do que a Mesa Diretora. "O cargo na Mesa é mais burocrático, para dentro, institucional. O líder é político, dialoga pela legenda com os demais partidos da oposição, eventuais aliados e a sociedade", definiu Fruet.
Ex-líder do governo durante a gestão Fernando Henrique Cardoso, o deputado Arnaldo Madeira (SP) disputou a liderança da bancada neste ano, mas foi derrotado por José Aníbal. Ele é taxativo ao afirmar que 2009 é o ano decisivo para as pretensões eleitorais do partido. Mesmo assim, acha que nem Aécio nem Serra vão se atropelar mutuamente nas disputas pela liderança e pela Mesa Diretora. "Eles não vão se expor assim", acredita Madeira.
Outros compartilham da esperança de um grande acordo político para evitar ainda mais constrangimentos ao partido. Serrista convicto, o deputado Jutahy Júnior (BA) assegura que um entendimento será costurado. "Não haverá disputa, vamos encontrar os nomes de consenso", assegurou. Ele tem histórico de divergência com o partido: chegou a criticar abertamente o candidato à Presidência, na época, Fernando Henrique Cardoso, por ter fechado um acordo, em 1993, com o então PFL de Antonio Carlos Magalhães (BA). Jutahy e ACM eram adversários ferrenhos.
"O cenário atual pode parecer complexo, mas temos que, neste momento, trabalhar a harmonia interna e escolher nomes que tragam unidade ao partido", completou o deputado Otávio Leite (RJ). O líder José Aníbal talvez reflita bem essa necessidade de conciliação política: alckmista confesso, mantém diálogo político com Serra. Ele aposta no bom senso dos governadores de São Paulo e de Minas para diminuir os atritos internos desnecessários.
Na opinião do líder, todo o esforço deve ser voltado para fortalecer a musculatura partidária diante dos desafios que estão por vir. "Os dois - Aécio e Serra - têm clareza de que não podemos brigar nesse momento". A razão é clara: apesar da crise internacional que diminuirá o ritmo de crescimento do país, Lula ainda terá capital político considerável para queimar em 2010.
CLIPPING - 23 DE NOVEMBRO
O Estado de São Paulo
FHC quer PSDB duro contra Lula
Ex-presidente diz, em encontro tucano, que partido deve escolher em seis meses o seu candidato à sucessão
Clarissa Oliveira
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu ontem a largada nos preparativos do PSDB para a eleição de 2010 e deixou claro o discurso que espera do candidato que for escolhido para tentar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Avisando que quer a definição de um nome dentro de aproximadamente seis meses, ele disse que é preciso apontar rapidamente “a voz” capaz de expor os ideais que levarão a sigla de volta ao comando do País. “Não precisamos ser agressivos pessoalmente com ninguém. Mas nem por isso vamos dizer: ‘tudo o que seu mestre fala está certo’. Não está. Temos que dizer: ‘o rei está nu, aqui, ali, acolá. Põe a roupa, presidente’”, afirmou FHC, arrancando aplausos de uma platéia de prefeitos e vereadores tucanos eleitos em outubro, organizado pelo PSDB paulista. “Não diga bobagem, presidente. Seja mais coerente com sua história. Não seja tão rápido no julgamento do que os outros fizeram. Perceba que uma nação se faz numa seqüência de gerações. Não seja tão pretensioso. Seja um pouquinho mais humilde”, prosseguiu. Após a abertura do evento, em entrevista, FHC minimizou as críticas. “Eu disse que todos temos que ser humildes. Ele, como ser humano, é bom que seja”. Além de cobrar um discurso incisivo contra o governo e o presidente, o tucano disse querer que o partido escolha seu candidato, no máximo, até o início do segundo semestre do ano que vem. Se em seis meses a sigla não chegar a um entendimento, ele acredita que os cotados - até agora os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais - devem disputar em convenção. “Não temos medo. Se tiver divisão, faça convenção. Escolha. Mas temos de ter o candidato.”FHC, que contou ter jantado na noite anterior com Serra, não economizou nos elogios ao governador paulista. Mas não falou sobre quem prefere para o posto: “Os dois são bons. Mas eu sou presidente de honra do partido. Não posso, antes da hora, antes de conversar com os dois, antecipar”.O próprio Serra também participou do evento, realizado para subsidiar prefeitos e vereadores com uma linha de ação para o novo mandato. O governador falou na cerimônia de encerramento, quando FHC já havia deixado o local. Líderes tucanos também se dividiram entre a manhã e o fim da tarde, entre eles o vice-governador Alberto Goldman, o secretário da Casa Civil no Estado, Aloysio Nunes Ferreira, o presidente municipal da sigla, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (SP), e o presidente nacional, senador Sérgio Guerra (PE). Este último evitou endossar a tese de que a escolha do candidato poderá ser decidida em disputa preliminar. “Não creio que essa questão vá ser levada à convenção ou prévias do partido. Se cultivarmos a união, é possível que isso esteja resolvido até o ano que vem.”Em meio à sucessão de críticas ao presidente Lula e ao seu governo, FHC disse que a atual administração traiu o eleitorado brasileiro. “O governo atual disse uma coisa para o País e fez outra”, afirmou. “Não podemos aceitar essa história de que todos os gatos são pardos. Nós não somos gatos pardos. Somos outra coisa. Somos tucanos.”Ele também não poupou o PT. Disse que as últimas eleições serviram de prova de que a sigla de Lula, derrotada em grandes centros, está sendo empurrada para os grotões. Agora, completou, a legenda ainda se mantém como reflexo da Presidência da República. Mas, na prática, deixou de ter uma presença ativa junto à sociedade.
Jornal do Brasil
Anna Ramalho
Serra ou Aécio?
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), trabalha para ser o vice na chapa do tucano que deverá concorrer à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.
O Globo
Merval Pereira
As forças regionais
NOVA YORK. Ao analisar os reflexos dos resultados da eleição municipal deste ano na sucessão presidencial de 2010, os cientistas políticos Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas, e Cesar Zucco, do Iuperj, fizeram um balanço de seus efeitos sobre a política interna de PT, PSDB e PMDB, partidos de onde provavelmente sairão os principais candidatos, e identificaram os estados-chave para a disputa de 2010. Eles lembram que a viabilidade da oposição em 2010 depende da sua capacidade de diminuir a vantagem governista em algumas regiões, e compensá-la em outras. A vitória da oposição nos estados do Sul e do Sudeste e em dois dos estados do Centro-Oeste (MS e MT) na eleição presidencial de 2006 ocorreu por uma diferença de 4,5 milhões de votos, pequena se comparada com os 10,5 milhões de votos de diferença no restante do país. A votação de Lula em 2006, lembram os autores, atingiu "níveis sem precedentes no Norte e no Nordeste", parecendo difícil a eles que, no Centro-Sul, um eventual candidato da oposição consiga vantagem muito maior do que obteve em 2006, ou mesmo que supere o desempenho obtido no Rio Grande Sul. O Estado do Rio, que deu mais de dois milhões de votos de vantagem para Lula, poderia propiciar ganhos para a oposição, mas a vitória de Eduardo Paes, e o conseqüente fortalecimento do popular governador Sérgio Cabral, sugere aos autores que quaisquer avanços do PSDB, principal articulador da campanha de Fernando Gabeira, serão muito limitados. Sobraria Minas, que, apesar da popularidade do já então governador Aécio Neves, deu um milhão de votos de vantagem para Lula em 2006. Segundo o estudo, reside em Minas o maior potencial de crescimento da oposição na região. Por isso, para os autores, continua em aberto a escolha do candidato do PSDB, uma vez que, sem o apoio entusiástico de Aécio, dificilmente a candidatura de Serra poderá decolar no segundo maior colégio eleitoral da federação e no estado considerado o centro geopolítico do país. Analisando mais detalhadamente a situação do PSDB, eles destacam que, embora sabidamente dominado por sua ala paulista, os grupos mineiro e cearense sempre foram importantes no partido. Para eles, no entanto, a "vitória esmagadora" de Serra na cidade de São Paulo, bem como o considerável desempenho do partido no estado, colocaram Serra em posição de vantagem. E a vitória estrondosa de Beto Richa em Curitiba e o relativo declínio da seção cearense deslocaram de vez o eixo do partido para o Sul e Sudeste do país. Os autores admitem que a atual configuração das forças internas do PSDB é, a princípio, amplamente favorável a José Serra, mas se mostram ainda em dúvida quanto à sua eventual candidatura ser viável em termos nacionais. Outro fator que poderá contribuir para o fortalecimento de Aécio, segundo os autores, é a busca de apoios para além do DEM. Embora a oposição precise se fortalecer no Nordeste, o PSDB, por conta própria, não tem muitas perspectivas nesta região, necessitando, portanto, de um aliado, analisam eles. Esse papel foi desempenhado em eleições passadas pelo ex-PFL, mas os autores duvidam que o partido possa continuar ocupando tal posição, pois na análise deles, o DEM deverá ser um parceiro ainda mais minoritário na aliança de centro-direita, por conta da perda de força na Bahia e em Pernambuco. Assim, se o PSDB ficar restrito a uma aliança somente com o DEM, dizem os autores, terá muito poucas chances de reduzir a vantagem governista no Nordeste, uma vez que, combinados, os dois partidos têm uma presença importante (porém declinante) no Ceará e na Paraíba, presença moderada em Pernambuco, e uma força muito limitada nos demais estados da região. O PMDB continuará sendo o partido-pivô, na avaliação do estudo. Não bastasse o crescimento da legenda em termos absolutos, ela se fortaleceu particularmente na Bahia e no Ceará, principais eleitorados do Nordeste, mantendo também presença considerável, e sempre maior que a do PSDB, nos demais estados da região, com exceção de Pernambuco. Os autores ressaltam, porém, que, apesar de ter se beneficiado muitíssimo do alinhamento com o governo, a adesão de importantes segmentos do PMDB ao governo não será automática em 2010. Eles lembram que, em seis dos onze maiores estados do país, o PMDB e o PT estiveram em lados opostos nas eleições nas capitais em 2008. Em três das mais importantes disputas, o PMDB e o PT foram protagonistas de acirradas disputas: Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Apesar destas disputas, importantes nomes do PMDB mineiro, gaúcho e baiano presentes no ministério - assim como as negociações com a sua ala paulista para a presidência da Câmara - serão peças-chave para consolidar o apoio de grande parte da agremiação. Caso o governo consiga manter a fidelidade desses setores do PMDB, a competitividade de uma candidatura de oposição ficará comprometida, analisa o estudo. No campo governista, Lula preferiu a manutenção de alianças a um fortalecimento irrestrito do PT. Os resultados não foram ruins para o partido, mas foram, na avaliação dos autores, muito melhores para o governo, uma vez que ele conseguiu evitar rachaduras explícitas na sua base de apoio, apesar de complicadas disputas regionais. Para os autores, a derrota do PT paulistano pode, paradoxalmente, ter fortalecido a posição de Lula com respeito à sua própria sucessão. Eles avaliam que com as vitórias na periferia da capital e uma pequena expansão do partido no interior de São Paulo, Lula passa a ter um controle maior sobre a principal seção do PT, controle que será essencial seja para emplacar um candidato de outro estado, seja para oferecer a cabeça da chapa para um partido aliado - hipótese, segundo os autores, remota, porém não impossível.
Estado de Minas
VIAGEM ESPARTANA
Impressionou o empresariado que acompanhou o governador Aécio Neves (PSDB) em sua viagem à França e à Itália a forma espartana com que ele se comportou. Apesar da agenda cheia, com eventos importantes e encontros com CEOs de algumas das maiores empresas européias, Aécio estava acompanhado de poucos assessores. Detalhe: cada empresário que integrou a comitiva fez a viagem por conta própria, pagou as contas com o próprio bolso.
FHC quer PSDB duro contra Lula
Ex-presidente diz, em encontro tucano, que partido deve escolher em seis meses o seu candidato à sucessão
Clarissa Oliveira
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu ontem a largada nos preparativos do PSDB para a eleição de 2010 e deixou claro o discurso que espera do candidato que for escolhido para tentar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Avisando que quer a definição de um nome dentro de aproximadamente seis meses, ele disse que é preciso apontar rapidamente “a voz” capaz de expor os ideais que levarão a sigla de volta ao comando do País. “Não precisamos ser agressivos pessoalmente com ninguém. Mas nem por isso vamos dizer: ‘tudo o que seu mestre fala está certo’. Não está. Temos que dizer: ‘o rei está nu, aqui, ali, acolá. Põe a roupa, presidente’”, afirmou FHC, arrancando aplausos de uma platéia de prefeitos e vereadores tucanos eleitos em outubro, organizado pelo PSDB paulista. “Não diga bobagem, presidente. Seja mais coerente com sua história. Não seja tão rápido no julgamento do que os outros fizeram. Perceba que uma nação se faz numa seqüência de gerações. Não seja tão pretensioso. Seja um pouquinho mais humilde”, prosseguiu. Após a abertura do evento, em entrevista, FHC minimizou as críticas. “Eu disse que todos temos que ser humildes. Ele, como ser humano, é bom que seja”. Além de cobrar um discurso incisivo contra o governo e o presidente, o tucano disse querer que o partido escolha seu candidato, no máximo, até o início do segundo semestre do ano que vem. Se em seis meses a sigla não chegar a um entendimento, ele acredita que os cotados - até agora os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais - devem disputar em convenção. “Não temos medo. Se tiver divisão, faça convenção. Escolha. Mas temos de ter o candidato.”FHC, que contou ter jantado na noite anterior com Serra, não economizou nos elogios ao governador paulista. Mas não falou sobre quem prefere para o posto: “Os dois são bons. Mas eu sou presidente de honra do partido. Não posso, antes da hora, antes de conversar com os dois, antecipar”.O próprio Serra também participou do evento, realizado para subsidiar prefeitos e vereadores com uma linha de ação para o novo mandato. O governador falou na cerimônia de encerramento, quando FHC já havia deixado o local. Líderes tucanos também se dividiram entre a manhã e o fim da tarde, entre eles o vice-governador Alberto Goldman, o secretário da Casa Civil no Estado, Aloysio Nunes Ferreira, o presidente municipal da sigla, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (SP), e o presidente nacional, senador Sérgio Guerra (PE). Este último evitou endossar a tese de que a escolha do candidato poderá ser decidida em disputa preliminar. “Não creio que essa questão vá ser levada à convenção ou prévias do partido. Se cultivarmos a união, é possível que isso esteja resolvido até o ano que vem.”Em meio à sucessão de críticas ao presidente Lula e ao seu governo, FHC disse que a atual administração traiu o eleitorado brasileiro. “O governo atual disse uma coisa para o País e fez outra”, afirmou. “Não podemos aceitar essa história de que todos os gatos são pardos. Nós não somos gatos pardos. Somos outra coisa. Somos tucanos.”Ele também não poupou o PT. Disse que as últimas eleições serviram de prova de que a sigla de Lula, derrotada em grandes centros, está sendo empurrada para os grotões. Agora, completou, a legenda ainda se mantém como reflexo da Presidência da República. Mas, na prática, deixou de ter uma presença ativa junto à sociedade.
Jornal do Brasil
Anna Ramalho
Serra ou Aécio?
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), trabalha para ser o vice na chapa do tucano que deverá concorrer à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.
O Globo
Merval Pereira
As forças regionais
NOVA YORK. Ao analisar os reflexos dos resultados da eleição municipal deste ano na sucessão presidencial de 2010, os cientistas políticos Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas, e Cesar Zucco, do Iuperj, fizeram um balanço de seus efeitos sobre a política interna de PT, PSDB e PMDB, partidos de onde provavelmente sairão os principais candidatos, e identificaram os estados-chave para a disputa de 2010. Eles lembram que a viabilidade da oposição em 2010 depende da sua capacidade de diminuir a vantagem governista em algumas regiões, e compensá-la em outras. A vitória da oposição nos estados do Sul e do Sudeste e em dois dos estados do Centro-Oeste (MS e MT) na eleição presidencial de 2006 ocorreu por uma diferença de 4,5 milhões de votos, pequena se comparada com os 10,5 milhões de votos de diferença no restante do país. A votação de Lula em 2006, lembram os autores, atingiu "níveis sem precedentes no Norte e no Nordeste", parecendo difícil a eles que, no Centro-Sul, um eventual candidato da oposição consiga vantagem muito maior do que obteve em 2006, ou mesmo que supere o desempenho obtido no Rio Grande Sul. O Estado do Rio, que deu mais de dois milhões de votos de vantagem para Lula, poderia propiciar ganhos para a oposição, mas a vitória de Eduardo Paes, e o conseqüente fortalecimento do popular governador Sérgio Cabral, sugere aos autores que quaisquer avanços do PSDB, principal articulador da campanha de Fernando Gabeira, serão muito limitados. Sobraria Minas, que, apesar da popularidade do já então governador Aécio Neves, deu um milhão de votos de vantagem para Lula em 2006. Segundo o estudo, reside em Minas o maior potencial de crescimento da oposição na região. Por isso, para os autores, continua em aberto a escolha do candidato do PSDB, uma vez que, sem o apoio entusiástico de Aécio, dificilmente a candidatura de Serra poderá decolar no segundo maior colégio eleitoral da federação e no estado considerado o centro geopolítico do país. Analisando mais detalhadamente a situação do PSDB, eles destacam que, embora sabidamente dominado por sua ala paulista, os grupos mineiro e cearense sempre foram importantes no partido. Para eles, no entanto, a "vitória esmagadora" de Serra na cidade de São Paulo, bem como o considerável desempenho do partido no estado, colocaram Serra em posição de vantagem. E a vitória estrondosa de Beto Richa em Curitiba e o relativo declínio da seção cearense deslocaram de vez o eixo do partido para o Sul e Sudeste do país. Os autores admitem que a atual configuração das forças internas do PSDB é, a princípio, amplamente favorável a José Serra, mas se mostram ainda em dúvida quanto à sua eventual candidatura ser viável em termos nacionais. Outro fator que poderá contribuir para o fortalecimento de Aécio, segundo os autores, é a busca de apoios para além do DEM. Embora a oposição precise se fortalecer no Nordeste, o PSDB, por conta própria, não tem muitas perspectivas nesta região, necessitando, portanto, de um aliado, analisam eles. Esse papel foi desempenhado em eleições passadas pelo ex-PFL, mas os autores duvidam que o partido possa continuar ocupando tal posição, pois na análise deles, o DEM deverá ser um parceiro ainda mais minoritário na aliança de centro-direita, por conta da perda de força na Bahia e em Pernambuco. Assim, se o PSDB ficar restrito a uma aliança somente com o DEM, dizem os autores, terá muito poucas chances de reduzir a vantagem governista no Nordeste, uma vez que, combinados, os dois partidos têm uma presença importante (porém declinante) no Ceará e na Paraíba, presença moderada em Pernambuco, e uma força muito limitada nos demais estados da região. O PMDB continuará sendo o partido-pivô, na avaliação do estudo. Não bastasse o crescimento da legenda em termos absolutos, ela se fortaleceu particularmente na Bahia e no Ceará, principais eleitorados do Nordeste, mantendo também presença considerável, e sempre maior que a do PSDB, nos demais estados da região, com exceção de Pernambuco. Os autores ressaltam, porém, que, apesar de ter se beneficiado muitíssimo do alinhamento com o governo, a adesão de importantes segmentos do PMDB ao governo não será automática em 2010. Eles lembram que, em seis dos onze maiores estados do país, o PMDB e o PT estiveram em lados opostos nas eleições nas capitais em 2008. Em três das mais importantes disputas, o PMDB e o PT foram protagonistas de acirradas disputas: Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Apesar destas disputas, importantes nomes do PMDB mineiro, gaúcho e baiano presentes no ministério - assim como as negociações com a sua ala paulista para a presidência da Câmara - serão peças-chave para consolidar o apoio de grande parte da agremiação. Caso o governo consiga manter a fidelidade desses setores do PMDB, a competitividade de uma candidatura de oposição ficará comprometida, analisa o estudo. No campo governista, Lula preferiu a manutenção de alianças a um fortalecimento irrestrito do PT. Os resultados não foram ruins para o partido, mas foram, na avaliação dos autores, muito melhores para o governo, uma vez que ele conseguiu evitar rachaduras explícitas na sua base de apoio, apesar de complicadas disputas regionais. Para os autores, a derrota do PT paulistano pode, paradoxalmente, ter fortalecido a posição de Lula com respeito à sua própria sucessão. Eles avaliam que com as vitórias na periferia da capital e uma pequena expansão do partido no interior de São Paulo, Lula passa a ter um controle maior sobre a principal seção do PT, controle que será essencial seja para emplacar um candidato de outro estado, seja para oferecer a cabeça da chapa para um partido aliado - hipótese, segundo os autores, remota, porém não impossível.
Estado de Minas
VIAGEM ESPARTANA
Impressionou o empresariado que acompanhou o governador Aécio Neves (PSDB) em sua viagem à França e à Itália a forma espartana com que ele se comportou. Apesar da agenda cheia, com eventos importantes e encontros com CEOs de algumas das maiores empresas européias, Aécio estava acompanhado de poucos assessores. Detalhe: cada empresário que integrou a comitiva fez a viagem por conta própria, pagou as contas com o próprio bolso.
domingo, 23 de novembro de 2008
CLIPPING - 22 DE NOVEMBRO
Estado de Minas
FHC: crise favorece Aécio
ELEIÇÕES 2010
Ex-presidente diz que ainda é cedo para definir candidato tucano para disputar sucessão, mas adianta que o governador de Minas demonstra grande capacidade administrativa
Tudo vai depender de como cada um se posiciona politicamente diante da crise. Pode ser o Serra, pode ser o Aécio, que faz um grande governo em Minas e pode sair desta crise como o melhor nome do partido - Fernando Henrique Cardoso,ex-presidente da República
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que ainda é muito cedo para o PSDB definir seu candidato a presidente da República em 2010, diante do impacto da crise econômica mundial no Brasil, e que a opção da legenda dependerá das circunstâncias da eleição. “Tudo vai depender de como cada um se posiciona politicamente diante da crise. Pode ser o Serra, pode ser o Aécio, que faz um grande governo em Minas e pode sair dessa crise com o melhor nome do partido”, admitiu. Fernando Henrique tem almoço marcado com o governador de Minas para 2 de dezembro, em Belo Horizonte. O impasse na definição do candidato do PSDB, segundo Fernando Henrique Cardoso, só será resolvido perto da eleição, em função da mudança de cenário político. “O fundamental é o partido chegar unido em 2010, mas não tenho dúvidas de que as circunstâncias é que determinarão o perfil do candidato. Quem parece ser o melhor nome hoje pode não ser amanhã”, avalia. O ex-presidente da República, que considerava Serra mais experiente para o cargo, reavaliou seu posicionamento: “Aécio demonstrou grande capacidade administrativa no seu governo”, diz. FHC anunciou o encontro com Aécio para os primeiros dias de dezembro durante gravação de entrevista exclusiva para o programa 3 a 1 da TV Brasil, que vai ao ar na próxima quarta-feira. Durante a entrevista, ele defendeu o programa de privatizações de seu governo, negou qualquer envolvimento com o banqueiro Daniel Dantas nos leilões das empresas de telefonia e disse que não quis privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil porque considera as duas empresas estratégicas. “Privatizar ou estatizar depende das circunstâncias, o importante é garantir a concorrência”, justificou. “O que é me preocupa agora é que está havendo muita concentração”, criticou. Durante a entrevista, Fernando Henrique criticou os gastos do governo federal, mas negou que aposta no quanto-pior-melhor. “É claro que torço para que as medidas adotadas por Lula dêem resultado positivo para o país. Quem mais sofre com a crise é o povo; quero o melhor para o Brasil”, disse o tucano. Ao comparar a crise atual com a que enfrentou durante o segundo mandato, disse que a situação é muito diferente: “Naquela época, houve crise cambial, agora o problema é a falta de liquidez nos Estados Unidos”. Muito ligado ao Partido Democrata, Fernando Henrique destacou a importãncia da eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, mas disse que o Brasil não deve teve ter ilusões com relação ao tratamento dado ao nosso país pelo futuro governo norte-americano. “Enquanto eles estiverem plantando milho, nós não vamos quebrar as barreiras ao etanol brasileiro. Eles se movem por interesse e nós temos de fazer a mesma coisa.”, disse. Segundo ele, a eleição de Obama tem significado muito importante, “porque é um negro na presidência da maior potência do planeta”, mas as relações entre o Brasil e os EUA continuarão tendo pontos de aproximação e pontos de afastamento. Simbolicamente, segundo ele, o fechamento da prisão de Guantanamo já sinaliza uma mudança de rumo na política externa , mas Obama vai dar prioridade aos próprios problemas dos EUA.
Estado de Minas
Pressão da base
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), será muito pressionado para realizar prévias no partido. É que muitos tucanos saíram das urnas convencidos de que a principal lição da disputa municipal foi a necessidade de fortalecer as bases do partido e que o melhor caminho para isso é a consulta a todos os filiados ao partido sobre quem deve ser o candidato à Presidência da República. A briga é entre os governadores Aécio Neves e José Serra.
Isto é
Brasil confidencial
por Octávio Costa
Prévia tucana vai ao TSE
A sugestão do governador Aécio Neves de que o PSDB realize consultas prévias para escolher seu candidato à sucessão de 2010 pode esbarrar no TSE. Acontece que a legislação brasileira não prevê o mecanismo de primárias que nos Estados Unidos ajudou a difundir nacionalmente o nome de Barack Obama, graças à disputa acirrada com Hillary Clinton pela indicação do Partido Democrata. Um dos problemas é o seguinte: como José Serra e Aécio Neves poderiam fazer campanha e pedir votos às bases tucanas em período pré-eleitoral? Pelo sim, pelo não, o PSDB encaminhou consulta ao TSE e aguarda uma defi nição para o início do ano que vem.
FHC: crise favorece Aécio
ELEIÇÕES 2010
Ex-presidente diz que ainda é cedo para definir candidato tucano para disputar sucessão, mas adianta que o governador de Minas demonstra grande capacidade administrativa
Tudo vai depender de como cada um se posiciona politicamente diante da crise. Pode ser o Serra, pode ser o Aécio, que faz um grande governo em Minas e pode sair desta crise como o melhor nome do partido - Fernando Henrique Cardoso,ex-presidente da República
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que ainda é muito cedo para o PSDB definir seu candidato a presidente da República em 2010, diante do impacto da crise econômica mundial no Brasil, e que a opção da legenda dependerá das circunstâncias da eleição. “Tudo vai depender de como cada um se posiciona politicamente diante da crise. Pode ser o Serra, pode ser o Aécio, que faz um grande governo em Minas e pode sair dessa crise com o melhor nome do partido”, admitiu. Fernando Henrique tem almoço marcado com o governador de Minas para 2 de dezembro, em Belo Horizonte. O impasse na definição do candidato do PSDB, segundo Fernando Henrique Cardoso, só será resolvido perto da eleição, em função da mudança de cenário político. “O fundamental é o partido chegar unido em 2010, mas não tenho dúvidas de que as circunstâncias é que determinarão o perfil do candidato. Quem parece ser o melhor nome hoje pode não ser amanhã”, avalia. O ex-presidente da República, que considerava Serra mais experiente para o cargo, reavaliou seu posicionamento: “Aécio demonstrou grande capacidade administrativa no seu governo”, diz. FHC anunciou o encontro com Aécio para os primeiros dias de dezembro durante gravação de entrevista exclusiva para o programa 3 a 1 da TV Brasil, que vai ao ar na próxima quarta-feira. Durante a entrevista, ele defendeu o programa de privatizações de seu governo, negou qualquer envolvimento com o banqueiro Daniel Dantas nos leilões das empresas de telefonia e disse que não quis privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil porque considera as duas empresas estratégicas. “Privatizar ou estatizar depende das circunstâncias, o importante é garantir a concorrência”, justificou. “O que é me preocupa agora é que está havendo muita concentração”, criticou. Durante a entrevista, Fernando Henrique criticou os gastos do governo federal, mas negou que aposta no quanto-pior-melhor. “É claro que torço para que as medidas adotadas por Lula dêem resultado positivo para o país. Quem mais sofre com a crise é o povo; quero o melhor para o Brasil”, disse o tucano. Ao comparar a crise atual com a que enfrentou durante o segundo mandato, disse que a situação é muito diferente: “Naquela época, houve crise cambial, agora o problema é a falta de liquidez nos Estados Unidos”. Muito ligado ao Partido Democrata, Fernando Henrique destacou a importãncia da eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, mas disse que o Brasil não deve teve ter ilusões com relação ao tratamento dado ao nosso país pelo futuro governo norte-americano. “Enquanto eles estiverem plantando milho, nós não vamos quebrar as barreiras ao etanol brasileiro. Eles se movem por interesse e nós temos de fazer a mesma coisa.”, disse. Segundo ele, a eleição de Obama tem significado muito importante, “porque é um negro na presidência da maior potência do planeta”, mas as relações entre o Brasil e os EUA continuarão tendo pontos de aproximação e pontos de afastamento. Simbolicamente, segundo ele, o fechamento da prisão de Guantanamo já sinaliza uma mudança de rumo na política externa , mas Obama vai dar prioridade aos próprios problemas dos EUA.
Estado de Minas
Pressão da base
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), será muito pressionado para realizar prévias no partido. É que muitos tucanos saíram das urnas convencidos de que a principal lição da disputa municipal foi a necessidade de fortalecer as bases do partido e que o melhor caminho para isso é a consulta a todos os filiados ao partido sobre quem deve ser o candidato à Presidência da República. A briga é entre os governadores Aécio Neves e José Serra.
Isto é
Brasil confidencial
por Octávio Costa
Prévia tucana vai ao TSE
A sugestão do governador Aécio Neves de que o PSDB realize consultas prévias para escolher seu candidato à sucessão de 2010 pode esbarrar no TSE. Acontece que a legislação brasileira não prevê o mecanismo de primárias que nos Estados Unidos ajudou a difundir nacionalmente o nome de Barack Obama, graças à disputa acirrada com Hillary Clinton pela indicação do Partido Democrata. Um dos problemas é o seguinte: como José Serra e Aécio Neves poderiam fazer campanha e pedir votos às bases tucanas em período pré-eleitoral? Pelo sim, pelo não, o PSDB encaminhou consulta ao TSE e aguarda uma defi nição para o início do ano que vem.
sábado, 22 de novembro de 2008
CLIPPING - 21 DE NOVEMBRO
Zero Hora
Direto de Brasília
Klécio Santos
Aves migratórias
Se tem um partido que pensa 24 horas na sucessão presidencial de 2010, esse é o PSDB. Depois de dois mandatos do PT, os tucanos enxergam na saída de cena de Lula a grande chance de retomar o poder. Não à toa Aécio Neves e José Serra não perdem tempo. Lula se aproximou de antigos adversários? Pois Aécio inovou e transformou os próprios petistas em aliados eleitorais em Belo Horizonte. O presidente criou um PAC? Serra não deixou por menos e anda anunciando que investiu ainda mais que o Planalto em obras de infra-estrutura.À frente de gestões exitosas, Aécio e Serra não têm poupado dinheiro nem empenho para viabilizar suas pretensões eleitorais. No jogo entre Brasil e Portugal, quarta-feira, o governador paulista passou boa parte do tempo alheio às jogadas de Kaká e Robinho. Estava interessado era em conversar com o colega do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do DEM. Nos bastidores, se comenta que essa pode ser uma chapa competitiva para 2010. É exatamente para aprimorar esse debate que os tucanos sobem em revoada a Serra gaúcha a partir de hoje.Diante da ausência de Aécio, Serra atrairá todos os holofotes. Mas até mesmo a governadora Yeda Crusius, que há bem pouco tempo era motivo de preocupação do tucanato, ganha destaque por conta do propalado déficit zero. O modelo, aliás, é copiado de Aécio e tem inspiração na iniciativa privada. O problema é que essa bandeira, por mais que represente um compromisso com a boa gestão, talvez não seja a mais adequada para uma campanha presidencial. O eleitor quer saber mesmo é de renda, emprego, consumo e programas sociais.
O Globo
Ancelmo Gois
Filme sem Petrobras Com o adiamento, por causa da crise, para fevereiro ou março de 2009 da entrega dos projetos, a Petrobras, a rigor, vai ficar um ano sem investir na produção de filmes brasileiros. O último edital foi em março de 2007. Segue... A Petrobras está para o cinema assim como a Caixa Econômica, por exemplo, está para o setor imobiliário. O bom filho a casa.... Há uma articulação petista para convencer o senador e ex-ministro Cristovam Buarque a retornar aos quadros do partido. Aliás... Fernando Haddad, no Congresso, quarta, lembrava a um deputado, sobre um tema de longo prazo, que em 2011 não seria mais ministro da Educação. Minutos depois, Haddad recebeu um bilhete: "Só se eu perder a eleição para presidente, de novo." Assinado Cristovam Buarque.
A arma de cada um De Delfim Netto numa roda de amigos em Paris: - Aécio e Serra têm iguais condições de serem candidatos do PSDB em 2010. Mas os dois têm estilos políticos diferentes. Aécio disputa o lugar com florete e Serra, com machado. Por falar em... Delfim tem freqüentado sebos em Paris à procura de livros sobre.... a economia muçulmana entre o século VIII e o XII. Segundo ele, é a melhor maneira de entender a crise atual. É. Pode ser. Cinema a R$4 A Ancine vai repetir, de 24 a 27 agora, aquela promoção de filmes nacionais a R$4, a inteira, e a R$2, a meia, nos cinemas. Nas duas primeiras semanas da promoção, 25 filmes brasileiros foram exibidos em 417 salas de várias cidades.
Direto de Brasília
Klécio Santos
Aves migratórias
Se tem um partido que pensa 24 horas na sucessão presidencial de 2010, esse é o PSDB. Depois de dois mandatos do PT, os tucanos enxergam na saída de cena de Lula a grande chance de retomar o poder. Não à toa Aécio Neves e José Serra não perdem tempo. Lula se aproximou de antigos adversários? Pois Aécio inovou e transformou os próprios petistas em aliados eleitorais em Belo Horizonte. O presidente criou um PAC? Serra não deixou por menos e anda anunciando que investiu ainda mais que o Planalto em obras de infra-estrutura.À frente de gestões exitosas, Aécio e Serra não têm poupado dinheiro nem empenho para viabilizar suas pretensões eleitorais. No jogo entre Brasil e Portugal, quarta-feira, o governador paulista passou boa parte do tempo alheio às jogadas de Kaká e Robinho. Estava interessado era em conversar com o colega do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do DEM. Nos bastidores, se comenta que essa pode ser uma chapa competitiva para 2010. É exatamente para aprimorar esse debate que os tucanos sobem em revoada a Serra gaúcha a partir de hoje.Diante da ausência de Aécio, Serra atrairá todos os holofotes. Mas até mesmo a governadora Yeda Crusius, que há bem pouco tempo era motivo de preocupação do tucanato, ganha destaque por conta do propalado déficit zero. O modelo, aliás, é copiado de Aécio e tem inspiração na iniciativa privada. O problema é que essa bandeira, por mais que represente um compromisso com a boa gestão, talvez não seja a mais adequada para uma campanha presidencial. O eleitor quer saber mesmo é de renda, emprego, consumo e programas sociais.
O Globo
Ancelmo Gois
Filme sem Petrobras Com o adiamento, por causa da crise, para fevereiro ou março de 2009 da entrega dos projetos, a Petrobras, a rigor, vai ficar um ano sem investir na produção de filmes brasileiros. O último edital foi em março de 2007. Segue... A Petrobras está para o cinema assim como a Caixa Econômica, por exemplo, está para o setor imobiliário. O bom filho a casa.... Há uma articulação petista para convencer o senador e ex-ministro Cristovam Buarque a retornar aos quadros do partido. Aliás... Fernando Haddad, no Congresso, quarta, lembrava a um deputado, sobre um tema de longo prazo, que em 2011 não seria mais ministro da Educação. Minutos depois, Haddad recebeu um bilhete: "Só se eu perder a eleição para presidente, de novo." Assinado Cristovam Buarque.
A arma de cada um De Delfim Netto numa roda de amigos em Paris: - Aécio e Serra têm iguais condições de serem candidatos do PSDB em 2010. Mas os dois têm estilos políticos diferentes. Aécio disputa o lugar com florete e Serra, com machado. Por falar em... Delfim tem freqüentado sebos em Paris à procura de livros sobre.... a economia muçulmana entre o século VIII e o XII. Segundo ele, é a melhor maneira de entender a crise atual. É. Pode ser. Cinema a R$4 A Ancine vai repetir, de 24 a 27 agora, aquela promoção de filmes nacionais a R$4, a inteira, e a R$2, a meia, nos cinemas. Nas duas primeiras semanas da promoção, 25 filmes brasileiros foram exibidos em 417 salas de várias cidades.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
CLIPPING - 20 DE NOVEMBRO
Correio Braziliense
Aécio na estrada
O presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Égide Meneguetti, vai reunir 3 mil pessoas para ouvir o governador de Minas, Aécio Neves, e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, em 1º de dezembro. E Meneguetti, ao marcar o encontro, avisou: “É o melhor palanque que posso dar a um candidato a presidente”.
Estado de Minas
Fiat vai manter os R$ 5 bi para Minas
Os investimentos de R$ 5 bilhões do Grupo Fiat em Minas Gerais estão mantidos, apesar das dificuldades enfrentadas pela economia global. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da empresa, Sergio Marchionni, durante encontro com o governador Aécio Neves em Turim, na Itália. O acordo de cooperação técnica e intercâmbio entre o grupo e o governo mineiro, que resultará também na expansão das unidades de Betim, Sete Lagoas e Contagem, deverá gerar 5,6 mil empregos diretos até 2010. O governador e a direção da empresa assinaram também o protocolo de intenções para a criação de um centro de inteligência em combustíveis na planta da Fiat em Betim. O investimento se justifica pela presença da empresa nesse mercado. A Fiat, que detém 24,7% do mercado brasileiro de automóveis, tem 38% dos carros flex no país, o que corresponde a 2,7 milhões de veículos. “Esse investimento em novas alternativas de combustíveis nos coloca em um novo patamar da indústria automobilística. Isso vai agregar novos empregos qualificados àqueles que já existem em Minas Gerais e que serão também ampliados pelos novos investimentos aqui hoje garantidos”, disse o governador na solenidade, que também contou com a presença de empresários brasileiros e italianos. Marchionni reafirmou seu otimismo em relação à economia brasileira. “O Brasil é um país com capacidade de sofrer menos os impactos da crise global, porque tem uma base econômica sólida e um perfil exportador. Isso reforça a nossa confiança no país, que para nós representa o segundo mercado mais importante do mundo, depois da própria Itália. Já temos 32 anos de relacionamento com Minas Gerais, e hoje eu posso dizer que a Fiat, sem o estado, não seria a mesma”, afirmou Marchionni. O Grupo Fiat gera hoje 25 mil empregos diretos no país. Somente em Betim (MG), onde está instalada a maior fábrica da empresa no mundo, são 15 mil empregos. Os investimentos em Minas fazem parte do plano do grupo de aplicar R$ 6,4 bilhões no Mercosul, entre 2008 e 2010. Além da ampliação da Fiat Automóveis, em Betim, e da Iveco, em Sete Lagoas, o grupo vai investir na expansão da FPT Powertrain Technologies, em Betim e Sete Lagoas; da Teksid, em Betim; da New Holland Construções, em Contagem; e da Magneti Marelli, em Contagem e Lavras. A empresa prevê um incremento de R$ 11 bilhões em seu faturamento, no decorrer de quatro anos, após a implantação desses projetos.
Aécio na estrada
O presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Égide Meneguetti, vai reunir 3 mil pessoas para ouvir o governador de Minas, Aécio Neves, e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, em 1º de dezembro. E Meneguetti, ao marcar o encontro, avisou: “É o melhor palanque que posso dar a um candidato a presidente”.
Estado de Minas
Fiat vai manter os R$ 5 bi para Minas
Os investimentos de R$ 5 bilhões do Grupo Fiat em Minas Gerais estão mantidos, apesar das dificuldades enfrentadas pela economia global. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da empresa, Sergio Marchionni, durante encontro com o governador Aécio Neves em Turim, na Itália. O acordo de cooperação técnica e intercâmbio entre o grupo e o governo mineiro, que resultará também na expansão das unidades de Betim, Sete Lagoas e Contagem, deverá gerar 5,6 mil empregos diretos até 2010. O governador e a direção da empresa assinaram também o protocolo de intenções para a criação de um centro de inteligência em combustíveis na planta da Fiat em Betim. O investimento se justifica pela presença da empresa nesse mercado. A Fiat, que detém 24,7% do mercado brasileiro de automóveis, tem 38% dos carros flex no país, o que corresponde a 2,7 milhões de veículos. “Esse investimento em novas alternativas de combustíveis nos coloca em um novo patamar da indústria automobilística. Isso vai agregar novos empregos qualificados àqueles que já existem em Minas Gerais e que serão também ampliados pelos novos investimentos aqui hoje garantidos”, disse o governador na solenidade, que também contou com a presença de empresários brasileiros e italianos. Marchionni reafirmou seu otimismo em relação à economia brasileira. “O Brasil é um país com capacidade de sofrer menos os impactos da crise global, porque tem uma base econômica sólida e um perfil exportador. Isso reforça a nossa confiança no país, que para nós representa o segundo mercado mais importante do mundo, depois da própria Itália. Já temos 32 anos de relacionamento com Minas Gerais, e hoje eu posso dizer que a Fiat, sem o estado, não seria a mesma”, afirmou Marchionni. O Grupo Fiat gera hoje 25 mil empregos diretos no país. Somente em Betim (MG), onde está instalada a maior fábrica da empresa no mundo, são 15 mil empregos. Os investimentos em Minas fazem parte do plano do grupo de aplicar R$ 6,4 bilhões no Mercosul, entre 2008 e 2010. Além da ampliação da Fiat Automóveis, em Betim, e da Iveco, em Sete Lagoas, o grupo vai investir na expansão da FPT Powertrain Technologies, em Betim e Sete Lagoas; da Teksid, em Betim; da New Holland Construções, em Contagem; e da Magneti Marelli, em Contagem e Lavras. A empresa prevê um incremento de R$ 11 bilhões em seu faturamento, no decorrer de quatro anos, após a implantação desses projetos.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
CLIPPING - 19 DE NOVEMBRO
Estado de Minas
Disputa polarizada em 2010
Cientistas políticos apostam que PT e PSDB vão aglutinar partidos à esquerda e à direita
Eleições polarizadas entre dois grandes eixos de coligações: de um lado, PSDB, DEM e PTB e legendas mais à direita; de outro, PT, PCdoB e demais partidos mais à esquerda. O PMDB indefinido, até se posicionar junto ao pólo que perceber maiores chances de vitória. O PT entra na disputa sem a maior estrela, Lula, provavelmente com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, carregando ainda a interrogação de até que ponto o presidente será capaz de transferir votos à petista. Uma crise internacional que provavelmente chegará ao Brasil com intensidade moderada, não o suficiente para abater a popularidade do governo Lula. E por fim, a incógnita em relação ao posicionamento político do governador Aécio Neves, caso a indicação do PSDB para concorrer ao Planalto recaia sobre o governador paulista, José Serra: Aécio se arriscará a construir um novo cenário, ingressando no PMDB, abrindo uma terceira via? Em torno desses pontos concordam os cientistas políticos Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Carlos Ranulfo de Melo e Juarez Guimarães, ambos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que ontem abriram o Simpósio Nacional de Marketing Político e Opinião Pública, organizado pela UFMG e Uni-BH com a palestra “O Brasil após Lula: como ficam as eleições presidenciais de 2010?” Também integraram a mesa os professores Dalmir Farancisco (UFMG) e Luiz Ademir de Oliveira (Uni-BH).Todos reconheceram que, diferentemente da baixa acuidade das previsões de economistas, a ciência política alcança melhor capacidade preditiva. “A dose de imprevisibilidade na ciência política nem chega perto da probabilidade de um indivíduo perder na bolsa por aconselhamento de economistas”, assinalou Marcus Figueiredo. Num sistema eleitoral estável e com lógica em torno de uma bipolarização da disputa, a crise internacional não atingirá o país profundamente, considerou Carlos Ranulfo. Com ele fez coro Juarez Guimarães: “Não seremos capturados pelo processo recessivo”, disse , em referência ao eventual impacto da crise sobre a avaliação do governo federal. Para Guimarães, o governo Lula teve mais êxito do que o governo Fernando Henrique Cardoso em incorporar direitos sociais, ampliando a base social do estado brasileiro. Na opinião do cientista, na hipótese de uma crise branda, o discurso de uma eventual candidatura de Serra, que em 2002 enfatizou a “continuidade sem continuísmo” será de difícil assimilação. “Qual seria o lema de Serra? Será o retorno sem volta? O retorno a um governo impopular que não se sustenta diante da comparação de indicadores em nenhuma área?”, indagou Guimarães. Nesse sentido, ele afirmou que, se configurada a indicação de Serra no PSDB, há a hipótese de Aécio filiar-se ao PMDB. Para ele, contudo, esse é um movimento de “alto risco”, dada a opção histórica do PMDB de investir nas candidaturas regionais em detrimento da disputa presidencial. Na mesma linha de análise, Marcus Figueiredo e Carlos Ranulfo consideraram que o PMDB não lança candidatos no plano nacional porque, dada a sua força federativa, qualquer dos lados que vença a disputa precisará da legenda para governar. “O PMDB é um enigma”, assinalou Figueiredo. “Ganhe quem ganhar, terá de recorrer ao PMDB para ter maioria no Congresso”, acrescentou Ranulfo.
Estado de Minas
Movimento no ninho
O PSDB mineiro deve se movimentar nos próximos dias para manifestar o desejo de ter candidatura própria ao Palácio da Liberdade em 2010. A idéia é liberar o governador Aécio Neves (PSDB) para cuidar das articulações nacionais e impedir que ele fique a reboque de negociações de outros partidos, em especial o PT do prefeito Fernando Pimentel. Além disso, os tucanos sabem que podem precisar de um palanque forte no estado e não querem correr riscos.
Correio Braziliense
Nas Entrelinhas
Luiz Carlos Azedo
O tempo de cada umAs chances de Serra e Aécio estão numa espécie de meio-termo: um cenário de crise que impeça a alavancagem de Dilma, sem ao mesmo tempo arrasar São Paulo e Minas
Mudou o paradigma da política brasileira. A crise mundial, com seus reflexos no Brasil, condiciona a sucessão presidencial de 2010. Ainda não levou de roldão as candidaturas já existentes nem possibilitou o surgimento de um salvador da pátria, mas já aparecem interessados em desempenhar esse papel, como o delegado federal Protógenes Queiroz, que conversa com o PSol. Queda-de-braço Há uma corrida contra o relógio. O governo pisa no acelerador para executar seus programas, tenta segurar o dólar e garantir o crédito para amortecer os impactos da crise na vida do cidadão. A oposição administra o discurso contra o governo Lula e endossa as medidas anticíclicas. Está com um olho no emprego, outro na inflação. A grande incógnita é saber até onde irá a redução da atividade econômica. Essa variável determinará se a equação gastos públicos versus arrecadação tributária será resolvida antes ou depois das eleições de 2010. O xis da questão é a taxa de juros. Para muitos, chegou a hora de eliminar uma taxa de juros excessivamente elevada. A crise de liquidez fortaleceu o grupo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na sua queda-de-braço com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Depois de capitalizar a operação de salvamento do setor financeiro, Meirelles começa a sofrer o desgaste provocado pela redução da atividade econômica. Para a cozinha do Palácio do Planalto, há espaço para redução da taxa de juros. Seria a maneira de evitar uma recessão mais grave e a alta da inflação. Meirelles resiste. Argumenta que para isso é necessário austeridade fiscal, o que não está acontecendo. Ou seja, se o governo continua gastando, é preciso manter uma taxa de juros que torne os títulos públicos atrativos para os investidores estrangeiros; para reduzir os juros, seria indispensável reduzir os gastos públicos na proporção igual ou superior à queda da arrecadação. É uma escolha de Sofia, que o presidente Lula está empurrando com a barriga. Baixas taxas de juros, câmbio estável e competitivo e inflação sob absoluto controle são tarefas para o futuro governo. Sucessão à vista Lula mira na própria sucessão. Administra a crise de maneira a viabilizar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nada de cortes nos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que a ministra comanda. Nada de redução dos gastos sociais do governo com as parcelas mais pobres da população. A palavra de ordem é poupança zero, consumir para preservar empregos e salários. Se o governo surfar a crise dessa forma, a sucessão de 2010 estará no papo. O problema dessa estratégia é o tempo. Com forte viés eleitoral, não pode ser mantida a longo prazo. Seu sucesso depende da velocidade do impacto da crise mundial na economia brasileira. Na crise, a oposição se finge de morta. Onde tem o poder regional, está no mesmo barco do governo Lula. Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, os dois presidenciáveis do PSDB, procuram ganhar tempo. Os dois estados serão os mais atingidos pela crise. Seus governos terão problemas se a situação sair do controle e a recessão for para valer. As chances de Serra e Aécio estão numa espécie de meio-termo: um cenário de crise que impeça a alavancagem de Dilma, sem ao mesmo tempo arrasar São Paulo e Minas. Eis uma situação clássica da política, já descrita por Maquiavel, na qual a fortuna escolhe a virtude que mais lhe interessa.
Valor Econômico
"Quem abrir o jogo leva pedrada", diz FHC sobre Serra x Aécio
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em palestra no Senado, defendeu medidas de fortalecimento do Congresso Nacional em relação ao Poder Executivo, como "limitar a fúria das medidas provisórias" e adotar medidas de controle do Orçamento da União. "Se o Congresso abdica do controle do orçamento e das MPs, evidentemente haverá uma hipertrofia do Executivo", afirmou.
Na primeira vez que retornou ao Senado após deixar a Presidência da República (2002), FHC defendeu um "equilíbrio maior" entre os três Poderes, alertando também para o risco de "hipertrofia também do Judiciário" e diminuição do Legislativo.
Em entrevista, FHC afirmou ser cedo para apontar quem vai ser o candidato do PSDB à Presidência da República: José Serra ou Aécio Neves. "(Eles) Não são políticos inexperientes e sabem que, se começar abrir o jogo agora, vai levar pedrada o tempo todo. Temos de ter calma", afirmou.
A idéia de aprovação de uma proposta que abra um prazo para que parlamentares troquem de partido (a chamada "janela") foi criticada pelo ex-presidente. Ele, no entanto, acha que o político não deve ficar "enjaulado". Defende um mecanismo que possibilite a mudança de partido, mas submeta o político a uma sanção, como torná-lo inelegível temporariamente, caso troque de legenda.
"Se abrir a janela, muita gente pula fora. Essas coisas têm de fazer com muita seriedade, acho que dar um jeitinho não é bom. Evidentemente, não se pode criar um sistema como agora, em que você muda de partido a toda hora por razões puramente pessoais, por outro lado você não pode enjaular as pessoas. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio".
O ex-presidente abriu o ciclo de debates sobre o Poder Legislativo, promovido pelo Interlegis - órgão do Senado criado para modernização e integração do Poder Legislativo em seus três níveis, federal, estadual e municipal. Antes de FHC, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), fez um rápido pronunciamento, em que voltou a criticar o excesso de MPs editadas pelo Executivo. E disse que a cobrança incluía o ex-presidente. FHC lembrou que as MPs foram criadas pela Assembléia Nacional Constituinte para dar "agilidade" ao presidente da República. Disse que a falta de limites à reedição era arbitrário, mas a situação agravou-se com a mudança constitucional durante sua gestão, que proibiu a reedição de MPs e criou o mecanismo de obstrução da pauta. "O presidente, agora sim, pára o Congresso".
Em sua palestra, FHC também citou o "poder político" concedido pela Constituição ao Supremo Tribunal Federal (STF), que agora começa a exercê-lo. Citou, como um dos instrumentos que dão ao STF esse poder, o "mandado de injunção", por meio da qual representantes da população podem se queixar de um dispositivo constitucional não regulamentado. "Criamos a possibilidade de o Supremo exercer um papel político maior do que jamais houve no Brasil e ele começa a exercer isso".
FHC disse que está faltando ao Congresso uma "agenda de transformação". Segundo ele, quando há uma agenda, o Congresso promove debate na sociedade e passa a ter força. Mas o que está acontecendo, na sua opinião, é que o Congresso está a reboque do Executivo. "Quando o Executivo perde a agenda, o Congresso se perde, fica sem saber para que rumo vai."
Jornal do Brasil
A candidata Dilma e a nuvem
Villas-Bôas Corrêa
A candidatura da ministra Dilma Rousseff foi lançada com grande antecedência e pouco a pouco, nas intencionais inconfidências do presidente Lula, quando o céu de brigadeiro da plena euforia com o maior governo, etc confirmava que, com a sua popularidade, ele elegeria um poste.
O êxito é a mais perfeita mesinha que cura todos os males e imuniza o beneficiado contra os imprevistos do destino. Mas, a política, como ensina o conselheiro, é uma caixinha de surpresas. Lula aperfeiçoou a tática para empurrar a candidatura da sua escolha pessoal, sem consultar ninguém ou dar a mínima atenção ao PT e seus dirigentes embrulhados em denúncias que nem foram apuradas para valer ou desmentidas com provas definitivas.
Para ligar a ministra-candidata aos êxitos estatísticos oficiais, passou a incluí-la como presença obrigatória nas suas viagens domésticas e internacionais do campeão de milhas voadas no aerolula. Dona Dilma passou a ser a sombra do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, que nos dois últimos anos úteis do mandato da reeleição – 2010 é ano de campanha e de eleição para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais – promete inaugurar obras em todos os estados, em milhares de municípios, resolvendo problemas crônicos, desatando todos os nós que embaraçam a nossa milagrosa passagem pelo túnel do passado para o futuro.
Sem contestação séria no bloco aliado e com o PT mudo, sem soltar um pio, a ministra foi avançando no terreno baldio e a sua candidatura pousando no consenso do fato consumado.
A nuvem da crise financeira internacional não deu tempo para ser percebida no céu da euforia e pegou o mundo de surpresa. O governo fez o que pôde para fingir que a ignorava, com Lula alternando adjetivos e substantivos para distrair a platéia: "Se chegar ao Brasil, será quase desapercebida", depois promovida a marola e admitida na sua evidente gravidade.
É de cristalina evidência que o presidente continua com o controle político do esquema que montou sem poupar a viúva para manter viva a chama dos compromissos. Lula foi de uma generosidade sem limites. Para adquirir o apoio do PMDB, que estava em oferta na praça, entregou ministérios, autarquias, fatias do bolo, pacotes de caramelos, a transposição do rio São Francisco para acudir a sede do Nordeste.
Mas, como a roda da ambição não pára, com os sacolejos da crise, velhas e novas cobranças chegam ao balcão. A presidência do Senado, valorizada pelo desempenho do senador Garibaldi Alves, que martela as críticas e cobranças, é reivindicada pelo PT, enquanto a presidência da Câmara está escorregando para os braços do presidente do PMDB, deputado Michel Temer.
Enfim, entre arranhados e feridos, salvam-se todos. O ano está acabando e a carga passa para o decisivo 2009. Cada qual com o seu lote de dúvidas. O desafio da oposição passa e termina com a acomodação dos governadores de São Paulo, José Serra e Aécio Neves, de Minas, na chapa com duas vagas de peso diferente.
A ministra Dilma, sem concorrente com cacife para enfrentar o padrinho da sua candidatura, dissimula as apreensões e vem fazendo o possível para domar o seu temperamento e conquistar as simpatias da base.
Mas, é a nuvem da crise que escurece o horizonte e não abre a brecha para que se enxergue mais do que um palmo adiante do nariz.
Disputa polarizada em 2010
Cientistas políticos apostam que PT e PSDB vão aglutinar partidos à esquerda e à direita
Eleições polarizadas entre dois grandes eixos de coligações: de um lado, PSDB, DEM e PTB e legendas mais à direita; de outro, PT, PCdoB e demais partidos mais à esquerda. O PMDB indefinido, até se posicionar junto ao pólo que perceber maiores chances de vitória. O PT entra na disputa sem a maior estrela, Lula, provavelmente com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, carregando ainda a interrogação de até que ponto o presidente será capaz de transferir votos à petista. Uma crise internacional que provavelmente chegará ao Brasil com intensidade moderada, não o suficiente para abater a popularidade do governo Lula. E por fim, a incógnita em relação ao posicionamento político do governador Aécio Neves, caso a indicação do PSDB para concorrer ao Planalto recaia sobre o governador paulista, José Serra: Aécio se arriscará a construir um novo cenário, ingressando no PMDB, abrindo uma terceira via? Em torno desses pontos concordam os cientistas políticos Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Carlos Ranulfo de Melo e Juarez Guimarães, ambos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que ontem abriram o Simpósio Nacional de Marketing Político e Opinião Pública, organizado pela UFMG e Uni-BH com a palestra “O Brasil após Lula: como ficam as eleições presidenciais de 2010?” Também integraram a mesa os professores Dalmir Farancisco (UFMG) e Luiz Ademir de Oliveira (Uni-BH).Todos reconheceram que, diferentemente da baixa acuidade das previsões de economistas, a ciência política alcança melhor capacidade preditiva. “A dose de imprevisibilidade na ciência política nem chega perto da probabilidade de um indivíduo perder na bolsa por aconselhamento de economistas”, assinalou Marcus Figueiredo. Num sistema eleitoral estável e com lógica em torno de uma bipolarização da disputa, a crise internacional não atingirá o país profundamente, considerou Carlos Ranulfo. Com ele fez coro Juarez Guimarães: “Não seremos capturados pelo processo recessivo”, disse , em referência ao eventual impacto da crise sobre a avaliação do governo federal. Para Guimarães, o governo Lula teve mais êxito do que o governo Fernando Henrique Cardoso em incorporar direitos sociais, ampliando a base social do estado brasileiro. Na opinião do cientista, na hipótese de uma crise branda, o discurso de uma eventual candidatura de Serra, que em 2002 enfatizou a “continuidade sem continuísmo” será de difícil assimilação. “Qual seria o lema de Serra? Será o retorno sem volta? O retorno a um governo impopular que não se sustenta diante da comparação de indicadores em nenhuma área?”, indagou Guimarães. Nesse sentido, ele afirmou que, se configurada a indicação de Serra no PSDB, há a hipótese de Aécio filiar-se ao PMDB. Para ele, contudo, esse é um movimento de “alto risco”, dada a opção histórica do PMDB de investir nas candidaturas regionais em detrimento da disputa presidencial. Na mesma linha de análise, Marcus Figueiredo e Carlos Ranulfo consideraram que o PMDB não lança candidatos no plano nacional porque, dada a sua força federativa, qualquer dos lados que vença a disputa precisará da legenda para governar. “O PMDB é um enigma”, assinalou Figueiredo. “Ganhe quem ganhar, terá de recorrer ao PMDB para ter maioria no Congresso”, acrescentou Ranulfo.
Estado de Minas
Movimento no ninho
O PSDB mineiro deve se movimentar nos próximos dias para manifestar o desejo de ter candidatura própria ao Palácio da Liberdade em 2010. A idéia é liberar o governador Aécio Neves (PSDB) para cuidar das articulações nacionais e impedir que ele fique a reboque de negociações de outros partidos, em especial o PT do prefeito Fernando Pimentel. Além disso, os tucanos sabem que podem precisar de um palanque forte no estado e não querem correr riscos.
Correio Braziliense
Nas Entrelinhas
Luiz Carlos Azedo
O tempo de cada umAs chances de Serra e Aécio estão numa espécie de meio-termo: um cenário de crise que impeça a alavancagem de Dilma, sem ao mesmo tempo arrasar São Paulo e Minas
Mudou o paradigma da política brasileira. A crise mundial, com seus reflexos no Brasil, condiciona a sucessão presidencial de 2010. Ainda não levou de roldão as candidaturas já existentes nem possibilitou o surgimento de um salvador da pátria, mas já aparecem interessados em desempenhar esse papel, como o delegado federal Protógenes Queiroz, que conversa com o PSol. Queda-de-braço Há uma corrida contra o relógio. O governo pisa no acelerador para executar seus programas, tenta segurar o dólar e garantir o crédito para amortecer os impactos da crise na vida do cidadão. A oposição administra o discurso contra o governo Lula e endossa as medidas anticíclicas. Está com um olho no emprego, outro na inflação. A grande incógnita é saber até onde irá a redução da atividade econômica. Essa variável determinará se a equação gastos públicos versus arrecadação tributária será resolvida antes ou depois das eleições de 2010. O xis da questão é a taxa de juros. Para muitos, chegou a hora de eliminar uma taxa de juros excessivamente elevada. A crise de liquidez fortaleceu o grupo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na sua queda-de-braço com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Depois de capitalizar a operação de salvamento do setor financeiro, Meirelles começa a sofrer o desgaste provocado pela redução da atividade econômica. Para a cozinha do Palácio do Planalto, há espaço para redução da taxa de juros. Seria a maneira de evitar uma recessão mais grave e a alta da inflação. Meirelles resiste. Argumenta que para isso é necessário austeridade fiscal, o que não está acontecendo. Ou seja, se o governo continua gastando, é preciso manter uma taxa de juros que torne os títulos públicos atrativos para os investidores estrangeiros; para reduzir os juros, seria indispensável reduzir os gastos públicos na proporção igual ou superior à queda da arrecadação. É uma escolha de Sofia, que o presidente Lula está empurrando com a barriga. Baixas taxas de juros, câmbio estável e competitivo e inflação sob absoluto controle são tarefas para o futuro governo. Sucessão à vista Lula mira na própria sucessão. Administra a crise de maneira a viabilizar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nada de cortes nos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que a ministra comanda. Nada de redução dos gastos sociais do governo com as parcelas mais pobres da população. A palavra de ordem é poupança zero, consumir para preservar empregos e salários. Se o governo surfar a crise dessa forma, a sucessão de 2010 estará no papo. O problema dessa estratégia é o tempo. Com forte viés eleitoral, não pode ser mantida a longo prazo. Seu sucesso depende da velocidade do impacto da crise mundial na economia brasileira. Na crise, a oposição se finge de morta. Onde tem o poder regional, está no mesmo barco do governo Lula. Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, os dois presidenciáveis do PSDB, procuram ganhar tempo. Os dois estados serão os mais atingidos pela crise. Seus governos terão problemas se a situação sair do controle e a recessão for para valer. As chances de Serra e Aécio estão numa espécie de meio-termo: um cenário de crise que impeça a alavancagem de Dilma, sem ao mesmo tempo arrasar São Paulo e Minas. Eis uma situação clássica da política, já descrita por Maquiavel, na qual a fortuna escolhe a virtude que mais lhe interessa.
Valor Econômico
"Quem abrir o jogo leva pedrada", diz FHC sobre Serra x Aécio
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em palestra no Senado, defendeu medidas de fortalecimento do Congresso Nacional em relação ao Poder Executivo, como "limitar a fúria das medidas provisórias" e adotar medidas de controle do Orçamento da União. "Se o Congresso abdica do controle do orçamento e das MPs, evidentemente haverá uma hipertrofia do Executivo", afirmou.
Na primeira vez que retornou ao Senado após deixar a Presidência da República (2002), FHC defendeu um "equilíbrio maior" entre os três Poderes, alertando também para o risco de "hipertrofia também do Judiciário" e diminuição do Legislativo.
Em entrevista, FHC afirmou ser cedo para apontar quem vai ser o candidato do PSDB à Presidência da República: José Serra ou Aécio Neves. "(Eles) Não são políticos inexperientes e sabem que, se começar abrir o jogo agora, vai levar pedrada o tempo todo. Temos de ter calma", afirmou.
A idéia de aprovação de uma proposta que abra um prazo para que parlamentares troquem de partido (a chamada "janela") foi criticada pelo ex-presidente. Ele, no entanto, acha que o político não deve ficar "enjaulado". Defende um mecanismo que possibilite a mudança de partido, mas submeta o político a uma sanção, como torná-lo inelegível temporariamente, caso troque de legenda.
"Se abrir a janela, muita gente pula fora. Essas coisas têm de fazer com muita seriedade, acho que dar um jeitinho não é bom. Evidentemente, não se pode criar um sistema como agora, em que você muda de partido a toda hora por razões puramente pessoais, por outro lado você não pode enjaular as pessoas. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio".
O ex-presidente abriu o ciclo de debates sobre o Poder Legislativo, promovido pelo Interlegis - órgão do Senado criado para modernização e integração do Poder Legislativo em seus três níveis, federal, estadual e municipal. Antes de FHC, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), fez um rápido pronunciamento, em que voltou a criticar o excesso de MPs editadas pelo Executivo. E disse que a cobrança incluía o ex-presidente. FHC lembrou que as MPs foram criadas pela Assembléia Nacional Constituinte para dar "agilidade" ao presidente da República. Disse que a falta de limites à reedição era arbitrário, mas a situação agravou-se com a mudança constitucional durante sua gestão, que proibiu a reedição de MPs e criou o mecanismo de obstrução da pauta. "O presidente, agora sim, pára o Congresso".
Em sua palestra, FHC também citou o "poder político" concedido pela Constituição ao Supremo Tribunal Federal (STF), que agora começa a exercê-lo. Citou, como um dos instrumentos que dão ao STF esse poder, o "mandado de injunção", por meio da qual representantes da população podem se queixar de um dispositivo constitucional não regulamentado. "Criamos a possibilidade de o Supremo exercer um papel político maior do que jamais houve no Brasil e ele começa a exercer isso".
FHC disse que está faltando ao Congresso uma "agenda de transformação". Segundo ele, quando há uma agenda, o Congresso promove debate na sociedade e passa a ter força. Mas o que está acontecendo, na sua opinião, é que o Congresso está a reboque do Executivo. "Quando o Executivo perde a agenda, o Congresso se perde, fica sem saber para que rumo vai."
Jornal do Brasil
A candidata Dilma e a nuvem
Villas-Bôas Corrêa
A candidatura da ministra Dilma Rousseff foi lançada com grande antecedência e pouco a pouco, nas intencionais inconfidências do presidente Lula, quando o céu de brigadeiro da plena euforia com o maior governo, etc confirmava que, com a sua popularidade, ele elegeria um poste.
O êxito é a mais perfeita mesinha que cura todos os males e imuniza o beneficiado contra os imprevistos do destino. Mas, a política, como ensina o conselheiro, é uma caixinha de surpresas. Lula aperfeiçoou a tática para empurrar a candidatura da sua escolha pessoal, sem consultar ninguém ou dar a mínima atenção ao PT e seus dirigentes embrulhados em denúncias que nem foram apuradas para valer ou desmentidas com provas definitivas.
Para ligar a ministra-candidata aos êxitos estatísticos oficiais, passou a incluí-la como presença obrigatória nas suas viagens domésticas e internacionais do campeão de milhas voadas no aerolula. Dona Dilma passou a ser a sombra do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, que nos dois últimos anos úteis do mandato da reeleição – 2010 é ano de campanha e de eleição para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais – promete inaugurar obras em todos os estados, em milhares de municípios, resolvendo problemas crônicos, desatando todos os nós que embaraçam a nossa milagrosa passagem pelo túnel do passado para o futuro.
Sem contestação séria no bloco aliado e com o PT mudo, sem soltar um pio, a ministra foi avançando no terreno baldio e a sua candidatura pousando no consenso do fato consumado.
A nuvem da crise financeira internacional não deu tempo para ser percebida no céu da euforia e pegou o mundo de surpresa. O governo fez o que pôde para fingir que a ignorava, com Lula alternando adjetivos e substantivos para distrair a platéia: "Se chegar ao Brasil, será quase desapercebida", depois promovida a marola e admitida na sua evidente gravidade.
É de cristalina evidência que o presidente continua com o controle político do esquema que montou sem poupar a viúva para manter viva a chama dos compromissos. Lula foi de uma generosidade sem limites. Para adquirir o apoio do PMDB, que estava em oferta na praça, entregou ministérios, autarquias, fatias do bolo, pacotes de caramelos, a transposição do rio São Francisco para acudir a sede do Nordeste.
Mas, como a roda da ambição não pára, com os sacolejos da crise, velhas e novas cobranças chegam ao balcão. A presidência do Senado, valorizada pelo desempenho do senador Garibaldi Alves, que martela as críticas e cobranças, é reivindicada pelo PT, enquanto a presidência da Câmara está escorregando para os braços do presidente do PMDB, deputado Michel Temer.
Enfim, entre arranhados e feridos, salvam-se todos. O ano está acabando e a carga passa para o decisivo 2009. Cada qual com o seu lote de dúvidas. O desafio da oposição passa e termina com a acomodação dos governadores de São Paulo, José Serra e Aécio Neves, de Minas, na chapa com duas vagas de peso diferente.
A ministra Dilma, sem concorrente com cacife para enfrentar o padrinho da sua candidatura, dissimula as apreensões e vem fazendo o possível para domar o seu temperamento e conquistar as simpatias da base.
Mas, é a nuvem da crise que escurece o horizonte e não abre a brecha para que se enxergue mais do que um palmo adiante do nariz.
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