ZERO HORA
Ministro quer Aécio Neves no PMDB
Hélio Costa defendeu candidatura à Presidência de governador
Ministro das Comunicações, Hélio Costa afirmou ontem que Minas Gerais “gostariam muito de ter um candidato mineiro à Presidência da República” e reafirmou que o ideal seria o governador Aécio Neves deixar o PSDB e entrar no PMDB (partido do ministro). A declaração foi feita no Palácio do Planalto.
Na quinta-feira, Costa já havia dito, em Belo Horizonte, que o PMDB está “de braços abertos” para receber o governador e que este precisa “ter coragem” de mudar de partido. Ontem, ele acrescentou que esse é o caminho de Aécio, porque já é sabido, segundo ele, que o candidato presidencial do PSDB para 2010 é o governador de São Paulo, José Serra.
– A possível chance de se fazer uma boa composição ainda no governo do PT com o PMDB é olhando essas forças que podem, no futuro, representar uma grande aliança – declarou o ministro, em conversa com jornalistas depois de participar da cerimônia de assinatura do protocolo de implantação de uma infra-estrutura de TV digital que será compartilhada pelas emissoras públicas de televisão.
Hélio Costa disse que o caso de Aécio não se enquadra na lei de fidelidade partidária.
– Ele (Aécio) terá que deixar o governo pelo menos oito meses antes (das eleições) para ser candidato a qualquer coisa. Ele não pode ser candidato à reeleição. Não tem problema nenhum.”
ISTO É
Tucanos em campanha
A exemplo de Serra, Aécio Neves desembarca em vários Estados de olho em 2010
Rudolfo Lago
Com a sucessão do presidente Lula anotada em lugar de destaque na agenda, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) estão com seus blocos na rua. Em público, os dois tucanos trocam afagos; nos bastidores, cada um trata de buscar maior apoio político dentro e fora do PSDB. Ambos têm corrido o País para angariar aliados. Aécio usa o "choque de gestão", programa implantado em Minas há quatro anos para estimular o funcionalismo, como pretexto para viajar pelos Estados. Serra se vale da idéia da redistribuição tributária: formaliza convênios pelos quais ele recolhe em São Paulo o ICMS de produtos e depois os repassa para os Estados para os quais esses produtos serão destinados. Como as palestras de Aécio, cada assinatura de convênio transforma- se num pequeno ato político.
Serra já comeu pastel de feira em Londrina, no Paraná, e passeou pela orla de Maceió, em Alagoas, apertando as mãos de eleitores. Na segundafeira 1º, Aécio desembarca em São José dos Pinhais, cidade próxima a Curitiba, onde fará palestra para líderes políticos. No dia seguinte estará no Recife (PE) para uma reunião da Sudene. Nesses eventos, a estratégia do mineiro é mostrar às lideranças tucanas que em torno do seu nome o PSDB pode chegar em 2010 com uma aliança partidária mais ampla do que a de Serra. "As duas últimas disputas nacionais mostraram que não basta a parceria com o DEM para ganhar a eleição. É preciso ampliar", tem dito o governador mineiro a seus interlocutores.
O "choque administrativo" já levou Aécio a dez Estados. Em São Paulo, Serra adotou programa semelhante, mas apenas este ano. Em suas palestras, o mineiro não deixa de provocar e diz que "está três anos à frente do paulista". A participação de Aécio no evento do Recife é articulada pelo governador pernambucano, Eduardo Campos, do PSB, partido do prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, afilhado político de Aécio. Trata-se de uma aliança que o mineiro espera repetir em 2010 e nessa direção parece levar vantagem sobre Serra. Ciro Gomes, o pré-candidato do PSB à sucessão de Lula, já declarou que contra Aécio ele não disputa a eleição. "Pode ser verdade que não se possa repetir em nível nacional o que aconteceu em Belo Horizonte, mas o que aconteceu lá precisa valer como exemplo de que um novo entendimento político, mais amplo, pode ser obtido", entende o primeiro vicepresidente da Câmara dos Deputados, Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), um dos principais aliados de Aécio.
Enquanto correm o Brasil propagando suas idéias, Serra e Aécio movem-se de forma semelhante em seus Estados. Ambos anunciam ambiciosos projetos de investimentos e criaram "PACs locais" que pretendem apresentar como cartões-postais de suas gestões. Mas o mineiro tem procurado evitar o corpo a corpo com os eleitores. Aécio entende que não é o momento de oficializar sua candidatura, pois as pesquisas o mostram bem abaixo de Serra e ele quer tempo para reverter essa situação. Nisso, enfrenta a pressão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que prega que o PSDB antecipe a escolha de seu candidato e encare logo a disputa. "É um equívoco precipitarmos nomes sem ter clareza do projeto, da idéia que vai sustentar essa candidatura, não apenas do PSDB, mas de uma coligação que eu espero seja mais ampla", diz Aécio. Serra também não pretende pressionar por uma decisão breve. Acredita que a precipitação possa provocar fissuras irreparáveis.
Serra e Aécio também têm posturas semelhantes em relação ao governo Lula. Ambos procuram se apresentar como sucessores qualificados e não como opositores. E nesse sentido os dois trombam com FHC. Em recente reunião com prefeitos e vereadores eleitos pelo PSDB, o ex-presidente teceu fortes críticas à forma como Lula vem tratando da crise econômica: "Não diga bobagem, presidente", afirmou FHC. Serra discordou. "O presidente Lula está preocupado com a crise e temos até feito boas parcerias para enfrentá-la", afirmou o governador.
As convergências entre Serra e Aécio, no entanto, não significam unidade e a cúpula tucana teme que a disposição dos dois para a disputa interna leve à derrota em 2010. "Precisamos agir com maturidade e desprendimento. Chega de perder", alerta o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB.
ÉPOCA
Ruth de Aquino
Entre o Rio e Paris, Aécio prefere Brasília
Não consigo me convencer de que a disputa para a Presidência em 2010 será entre Serra e Dilma. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também não está convencido. Talvez nem o presidente Lula acredite que o duelo final seja entre dois soldados com cintura dura e riso truncado. Deve correr por fora um candidato com mais charme e carisma. Aécio aposta tanto nisso que saiu em campanha na única cidade que o seduz tanto ou mais que o Rio de Janeiro: Paris.
O mineiro de alma carioca quer armar logo as prévias do PSDB e desafiar o favorito Serra. Como o governador de São Paulo está com a faca (FHC) e o queijo (Kassab) na mão, Aécio age para vencer o jogo tucano. “Nossas chances serão enormes se tivermos juízo, desprendimento e capacidade para aglutinar as forças”, diz. Defende “uma bandeira nova” no PSDB. E tenta mostrar que o Alckmin de 2010 é o outro. Com seu sorriso, suas relações com o PMDB, o apoio de Tasso Jereissati e o controle do segundo maior colégio eleitoral do país, Aécio se considera capaz de derrotar Serra nas internas. E depois, nas urnas, Dilma, a mãe do PAC, do pré-sal e do Bolsa Família.
Aécio precisa ter cuidado com o marketing excessivo, que transforma simpáticos em malas. Há duas semanas, recebi e-mail de Paris da “Assessoria de Imprensa do Governador MG”. Anunciava sua condecoração na Legião de Honra da França. Apaguei. Três minutos depois, novo e-mail. Parecia o mesmo, deletei. Comecei a temer um vírus spam Aécio. Quando percebi que eram assessores de verdade, arquivei. Fui bombardeada.
Os assessores transcreveram o pronunciamento de Aécio em Paris. “A França é a segunda pátria dos cidadãos de nossa América blablablá, a matriz intelectual do mundo, com o sadio ceticismo de Montaigne...é também a pátria de Delacroix (delacroá).” Entre parênteses estava a pronúncia, para ninguém errar. Incrível. Aécio se dirigiu ao ex-presidente Giscard d’Estaing: “Vossa Excelência chegou à mais elevada posição da França aos 48 anos”. Aécio também tem 48 anos. Santa coincidência. Vive la France.
Alguém deveria dizer ao governador que marketing
em excesso transforma simpáticos em malas
O e-mail seguinte trazia entrevista com Aécio. “É a primeira vez”, disse ele, “que um governador de Minas é homenageado com a mais ampla condecoração francesa, criada por Napoleão Bonaparte há mais de 200 anos.” Lula e FHC estão entre os membros da Legião de Honra. A assessoria foi adiante: “Giscard d’Estaing ressaltou que Minas Gerais é maior que a França e que aprecia muito o trabalho de Aécio Neves com o Choque de Gestão”. Mais uma mensagem excitante, sobre investimentos da Vallourec, Fiat e Eurocopter em Minas Gerais e o metrô de Belo Horizonte.
A essa altura, eu já estava quase viciada nos e-mails da assessoria e me perguntava ansiosamente qual seria o próximo passo de Aécio em Paris. Mas chegou o fim de semana – e as mensagens secaram. O que terá feito na Cidade Luz, no sábado e no domingo, o governador de Minas Gerais, grande baladeiro e carnavalesco, apreciador de restaurantes e belas mulheres no Rio de Janeiro?
Na segunda-feira, a assessoria ataca novamente. Aécio assina em Lille acordo de irmandade entre Minas e a região de Nord Pas-de-Calais. “A cinergia (sic) entre poder público e a iniciativa privada é absolutamente necessária”, diz Aécio. Nova informação, imperdível: ele inaugura em Turim, Itália, a Exposição Viver Mais, com delegação de empresários, artistas e cientistas mineiros. Segundo a assessoria, “a mostra foi pautada em uma demonstração sensorial do Estado”. Intrigante. Ah, ia esquecendo o fecho: “O show dos cantores Vander Lee e Regina Spósito”. Menos, menos.
O governador paulista e a ministra petista não parecem tão seduzidos por Paris, muito menos pelo Rio. Pertencem à mesma geração. Já passaram dos 60 anos. Eles se assemelham na seriedade, na atração por números e até nos olhos. Duros serão os debates. Sem gafes ou tiradas espirituosas. Depois de um sociólogo ph.D. e de um operário líder sindical, cada qual com seu apelo, o próximo presidente será mesmo Serra ou Dilma? É cedo para definir. Aécio joga com a idade e a simpatia.
VEJA
Radar
COPA 2014
Negócios da bola
A Andrade Gutierrez está de olho grande no Mineirão. Tem pronto um megaprojeto para uma completa reforma do estádio e do seu entorno, que o preparará para a Copa de 2014. Os planos da Andrade já foram apresentados a Aécio Neves.
EXAME
TRIBUTOS
Mais um problema para as mineradoras
O setor de mineração, que sofre com a queda dos preços internacionais, está apreensivo. Agora, o problema é a inclusão de uma emenda no projeto de reforma tributária que pode dobrar o valor a ser pago pelas companhias aos governos estaduais. A sugestão dos secretários da Fazenda, liderados pelo governador mineiro, aécio Neves, foi aceita pelo relator da reforma, deputado Sandro Mabel (PR-GO). Nela, o cálculo dos royalties deixa de ser feito sobre o lucro líquido das empresas e passa a usar como base o lucro bruto. Além disso, a alíquota, que hoje varia de 0,2% a 3%, passa a ser cobrada sempre pelo percentual máximo. Empresas mineradoras argumentam que a medida vai dobrar a carga tributária do setor, uma das mais altas do mundo.
sábado, 29 de novembro de 2008
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