Estado de Minas
Investimentos firmes em Minas
Governador Aécio Neves, que está na Europa, confirma projetos da Fiat, Vallourec & Mannesmann e Helibrás
A Fiat vai instalar em Betim, na Grande Belo Horizonte, um centro de engenharia responsável pela pesquisa e desenvolvimento de projetos da montadora, trabalho concentrado, hoje, em Turim, na Itália. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, em visita à França, anunciou ontem que assina semana que vem, na Itália, o protocolo de intenções do investimento com o presidente mundial da empresa, Sérgio Marchionne. “Depois de uma longa negociação com a Fiat, que fará investimentos em torno de R$ 5 bilhões na ampliação da sua unidade em Betim, conseguimos garantir a transferência de cerca de 300 engenheiros que virão agora pensar o futuro da empresa e os novos produtos em Minas”, afirmou o governador. Aécio Neves disse, ainda, que em reuniões com executivos dos grupos Vallourec & Mannesmann e EADS, controlador da Airbus Eurocopter e da Helibrás, obteve garantias da manutenção dos investimentos dois dois conglomerados no estado, orçados em US$ 2 bilhões, apesar dos efeitos da crise financeira mundial. Os detalhes do novo investimento anunciado pela Fiat só serão conhecidos na próxima semana, de acordo com a assessoria de imprensa da montadora. Em 2000, a fábrica de Betim ganhou o pólo de desenvolvimento Giovani Agnelli, que desenvolve produtos, faz testes e adaptações em veículos para atender o consumidor brasileiro. Em agosto, o governador de Minas já havia discutido a possibilidade de instalação de um centro de inteligência da montadora em Betim, durante encontro com Sergio Macrchionne. “É um salto do ponto de vista tecnológico extraordinário e aponta para um novo patamar de crescimento da indústria automotiva no Brasil. Pela primeira vez, os produtos que serão vendidos, não apenas no Brasil, mas no mundo, serão discutidos, planejados e projetados em Minas”, disse o governador, em Paris, onde cumpriu agenda de encontros com empresários, acompanhado do secretário de estado da Cultura, Paulo Brant, e do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade. Depois de se reunir com o presidente do Conselho Administrativo do grupo Vallourec, Jean-Paul Parayre, Aécio Neves informou que está mantido o cronograma da construção de uma usina de tubos de aços sem costura no município mineiro de Jeceaba, região Central de Minas. O empreendimento é uma associação do grupo Vallourec e da japonesa Sumitomo Metals, com orçamento de US$ 1,6 bilhão. A unidade deverá começar a produzir em meados de 2010, com a geração de 1,5 mil empregos diretos na fabricação de 1 milhão de toneladas de tubos, quando estiver operando a plena carga. O governador se encontrou, também, com o presidente da EADS, Louis Gallois, que controla a Eurocopter e a Helibrás. A empresa tem investimentos previstos de US$ 350 milhões para expansão da fábrica de Itajubá, no Sul de Minas. Os recursos, conforme informações já divulgadas pelo governo mineiro, vão transformar num pólo de produção de helicópteros, reunindo fornecedores de peças e equipamentos.
Isto É Dinheiro
O PAC dos Estados
Governadores entram no combate à crise e lançam pacotes financeiros de apoio às montadoras e às médias e pequenas empresas
NA TARDE DA TERÇA-FEIRA 11, um movimento sincronizado de duas aves tucanas catalisou as atenções no meio empresarial. Os dois presidenciáveis mais fortes do PSDB até o momento, os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, lançaram no mesmo dia pacotes para atenuar os efeitos da crise mundial em seus respectivos quintais. O líder paulista anunciou a liberação de R$ 4 bilhões aos bancos das montadoras por meio da Nossa Caixa, valor idêntico ao divulgado uma semana antes pelo Banco do Brasil após determinação do presidente Lula. “Estamos somando esforços com o governo federal para manter o nível de emprego”, afirmou Serra na cerimônia em que liberou os recursos. No Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, Aécio canetou um decreto que autoriza financiamento de R$ 470 milhões a 90 mil empresas mineiras. Mas ele deu um passo à frente em relação ao colega de partido. Além de irrigar o setor produtivo com dinheiro vivo, dilatou o prazo para recolhimento do ICMS de dezembro, melhor mês em vendas no comércio, para abril de 2009. A iniciativa engordará em R$ 830 milhões os cofres das empresas já no mês que vem e dará fôlego extra num momento de crédito escasso. “Não vamos nos acovardar numa época de crise”, disse o governador mineiro.
Os pacotes bilionários de Serra e Aécio também têm um claro componente político. Não há como ignorar o fato de que ao mostrar os dentes à crise global ambos acenam ao Palácio do Planalto e dão informalmente mais um passo na corrida eleitoral de 2010. Serra sai na frente. Primeiro porque a Nossa Caixa está em negociações avançadas para venda ao Banco do Brasil. Se a fusão acontecer, o que é provável, os R$ 4 bilhões anunciados por ele sairão dos cofres do BB. Segundo, o governador paulista tem um plano de investimentos maior até que o PAC de Lula. No ano passado, o programa federal investiu R$ 8 bilhões, R$ 1 bilhão a menos que o de Serra. Neste ano, São Paulo gastou R$ 12,7 bilhões, contra R$ 8,2 bilhões do governo federal. O plano de Aécio também é agressivo. Embora menor, o pacote mineiro inclui na mesma cesta iniciativas monetárias e tributárias, além de não privilegiar um setor específico, como no socorro paulista às montadoras.
Nesse contexto, os efeitos dos pacotes anunciados serão decisivos $ para clarear o cenário presidencial nos próximos meses. Em São Paulo, o socorro aparentemente se faz mais necessário. O setor automotivo responde por 25% do PIB industrial, constatação que endossa a ajuda de R$ 4 bilhões. Segundo o Seade/Dieese, cada posto de trabalho extinto nas linhas de produção causa outras sete demissões na cadeia automotiva. Nos próximos meses, novas coincidências político- econômicas devem acontecer no eixo São Paulo-Belo Horizonte. E a crise será apenas um pretexto.
Isto é Dinheiro
CORRIDA ELEITORAL
Café com leiteCom a derrota de Geraldo Alckmin em São Paulo, o governador Aécio Neves começou a traçar sua estratégia para não perder terreno na maior plataforma eleitoral do País. O mineiro, que passava quase todos os fins de semana no Rio, irá cada vez mais a São Paulo, acompanhando Alckmin por cidades do interior.
Correio Braziliense
Moral da história
A ofensiva petista com o bloco de esquerda tem duas leituras. A primeira: Lula gosta do governador pernambucano e, sendo assim, essa candidatura pode fazer com que o presidente desista da idéia fixa de lançar a ministra da Casa Civil. A segunda: pode ser um jogo para afastar o PSB de Aécio Neves. Há, no PT, um temor de que, Aécio decida se filiar ao PMDB ou mesmo ao PSB e, assim, uma aliança PMDB-PSB o deixe isolado. E tudo o que o partido de Lula não quer é ficar fora do bonde de 2010.
Jornal do Brasil
Lula trabalha por legenda mais flexível para 2010
Presidente quer PT coeso, mas aberto à costura de alianças
Karla CorreiaMárcio Falcão
Diante da arrancada precoce da corrida pelo Palácio do Planalto em 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a se articular para interferir diretamente no processo de mudança na direção do PT, que culminará em novembro de 2009, para quando estão marcadas as eleições para cargos da Executiva da legenda. No pensamento do presidente, a viabilidade de uma candidatura petista para sua sucessão passaria por uma mudança no comando do partido, hoje excessivamente voltado para questões internas e com pouco trânsito entre demais legendas e o eleitorado.
Seguindo essa linha de pensamento, Lula tem defendido em conversas privadas a inserção de ex-ocupantes de postos-chave no Executivo – governadores, ministros, prefeitos – na burocracia da sigla. Busca-se para o comando do PT e, em última análise, para a condução da campanha do candidato à presidência da República ungido com o apoio de Lula, um nome que tenha bom relacionamento com legendas aliadas ao governo, capaz de fazer um PT mais flexível na construção de alianças, explica o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Representante de uma corrente no PT identificada com a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, Vaccarezza vê no chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, o candidato natural à presidência do partido. Condutor da campanha de Marta à prefeitura de São Paulo, Gilberto é conhecido de cada governador, senador, deputado ou prefeito que já tenha passado pelo terceiro andar do Palácio do Planalto. Era, até pouco tempo atrás, o nome incensado por Lula para o cargo.
– Há o problema de abrir mão do Gilberto e tirá-lo do gabinete presidencial quase que no último ano do governo Lula – pondera o ex-governador do Acre Jorge Viana, um dos interlocutores freqüentes do presidente no debate sobre a mudança no comando do PT. O atual secretário-geral da legenda, o deputado José Eduardo Cardozo (SP), é lembrado pelo ex-governador como um nome forte para a condução do partido em um ano crucial na preparação para 2010.
De acordo com Viana, o presidente Lula tem pedido maior envolvimento dos governadores no processo sucessório interno da legenda e na própria diretoria, a partir de 2009. Nomes como o do governador da Bahia, Jaques Wagner, e do próprio Jorge Viana são citados com freqüência para a composição da nova Executiva.
O caminho de Dilma
Em um pleito em que a aliança com o maior partido da base governista, o PMDB, é incerta, e onde a oposição tem hoje os dois candidatos mais conhecidos do eleitorado – os governadores tucanos de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves – o PT terá que trabalhar ao mesmo tempo com uma Executiva dotada de nomes influentes dentro e fora da legenda e capaz de construir um programa de governo identificado com a legenda, mas não exclusivamente petista.
O caminho para a consolidação da candidatura petista – hoje personificada na ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff – passa pela construção do comando do partido de forma a abrir a porta para alianças e evitar que, ao fim dos oito anos de governo Lula, o PT acabe defendendo uma candidatura "puro-sangue", admite um petista com trânsito no gabinete presidencial. Também será necessário construir propostas para o candidato à sucessão de Lula que mantenham o compromisso com as políticas econômica e social adotadas nos últimos anos e não espelhem apenas as demandas da legenda, nos moldes do que foi a Carta aos Brasileiros para as eleições de 2002.
Veja
Vai ter de ficar
Aliados de Aécio Neves, não se sabe se com seu aval, sondaram informalmente ministros do Supremo para saber se, pela lei de fidelidade partidária em vigor, o governador perderia o mandato se trocasse de partido. A resposta, unânime, foi "sim".
domingo, 16 de novembro de 2008
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