segunda-feira, 17 de novembro de 2008

CLIPPING - 16 DE NOVEMBRO

Folha de São Paulo

Brasília - Eliane Cantanhêde: O PMDB, que PMDB?


BRASÍLIA - Diz-se que o PMDB vai fazer isso ou aquilo, vai apoiar fulano ou ficar com a sicrana. OK. Mas o que é e quem é o PMDB?Jader Barbalho e Renan Calheiros já despencaram, José Sarney está indo ladeira abaixo no Maranhão, Orestes Quércia é personagem só de São Paulo, Sérgio Cabral e Eduardo Paes foram tucanos, estão peemedebistas, são lulistas e podem virar muitas coisas até 2010.Se um PMDB é forte, é o de Geddel Vieira Lima, que não brinca de esconde-esconde. Com ele, o negócio é escancarado e ele vai logo avisando, a quem interessar possa, que apóia o petista Tião Viana à presidência do Senado e está com Lula e não abre. Mas ele não une o PMDB, nem manda no partido.Apesar de Sarney estar frágil no Maranhão, leva vantagem. Tem status de ex-presidente da República, sabe ocupar espaços no Congresso e no Executivo e tem bom gênio, o que, em política, conta. É ouvido, influencia. E está sendo assediado pelo PSDB do Serra e pelo DEM do Bornhausen.A dificuldade: os Sarney (inclusive d. Marly) têm horror a Serra, a quem atribuem a bomba Lunus da Polícia Federal que detonou a candidatura de Roseana à Presidência. E a facilidade: a PF de Lula agora tem pilhas de documentos e suspeitas sobre o empresário Fernando Sarney. Ou seja, se um foi algoz de Roseana e outro é de Fernando, o jogo está zerado e papai Sarney pode se sentir descompromissado com os dois lados.Por ora, "o PMDB" -seja lá o que isso signifique, além da soma de grupos estaduais e tempo de TV- tenta convencer o tucano Aécio Neves de que quer um nome próprio em 2010. Mas ele não é ingênuo para cair na mesma esparrela de Itamar, Garotinho e outros que entraram no partido para disputar e não tiveram a legenda.No fundo, o PMDB vai para onde for a economia. O destino do partido está sendo jogado não em Brasília, mas em Washington.



Estado de Minas

O fator 2010

Ações anticrise anunciadas pelo governo têm, como alvo, eleição presidencial dentro de dois anos

Se você costuma seguir o noticiário econômico, já deve ter reparado. Desde o fim de setembro, com o agravamento da crise financeira internacional, o governo brasileiro já anunciou algumas dezenas de medidas – algumas delas polêmicas – para não deixar as engrenagens da economia pararem. As propostas incluem desde liberação de recursos do depósito compulsório para que os bancos possam emprestar mais dinheiro a seus clientes à liberação de R$ 2 bilhões, por parte da Caixa Econômica Federal, para que as pessoas possam comprar eletrodoméstico no Natal.Bancos e construtoras em dificuldades também foram beneficiados e instituições estatais, como Banco do Brasil (BB) e a própria Caixa, ganharam musculatura para financiar e comprar empresas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que participou em Washington da reunião do G-20 sobre a crise financeira – parece obcecado em afastar do Brasil a recessão que já se instalou nos Estados Unidos, Europa e Japão. A obstinação do governo é boa para o país – mas o que realmente move cada passo do presidente é o fator 2010, ano em que o Brasil terá eleições presidenciais e para governadores.Se a economia chegar a 2010 razoavelmente arrumada, Lula terá boas condições de eleger seu sucessor – o nome mais falado até agora é o da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mas, se a economia capengar, os investimentos sumirem, as classes C e D perderem poder de compra, as exportações despencarem, o emprego desaparecer e a inflação voltar, a oposição, cujos principais representantes até agora são os governadores tucanos de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, ganharão fôlego extra para subir no ringue e brigar contra o candidato de Lula. Até porque crescimento menor afeta a arrecadação de impostos e compromete investimentos do governo, como o Bolsa-Família, responsável pela grande popularidade do presidente nas classes de renda mais baixa. O desafio não é pequeno. Até meados deste ano, a economia brasileira surfou na onda do crescimento mundial. A estimativa dos analistas é de que o país cresça 5,3% em 2008, o que é um número bom. Com o agravamento da crise, porém, tudo mudou. O crédito externo secou, acabando com a farra do dinheiro com juros civilizados e prazos a perder de vista no Brasil que, durante alguns anos, movimentou setores inteiros da economia, como vendas de automóveis e imóveis.“Dos 5,3%, 5 pontos percentuais devem-se ao mercado interno e investimentos e 0,3%, às exportações. Para o ano que vem, a expectativa é de crescimento entre 3% a 3,5%, o que significa uma forte desaceleração. As pessoas vão sentir. O Natal deste ano não vai ser tão legal”, resume o economista Paulo Pacheco, coordenador do Ibmec Minas. Para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o crescimento em 2009 será de apenas 3,13%. Para o Banco Fator, serão 2,5%. Com prazos menores e juros maiores, as vendas caíram e acenderam o sinal de alerta no governo. Resultado: Lula definiu os setores estratégicos para a economia – exportações, automotivo, construção civil, agricultura e crédito – e abriu os cofres.Da exportação, vêm os dólares que ajudam a manter o equilíbrio das contas públicas nacionais. A indústria automobilística gera empregos e o sonho vendido por Lula de que cada brasileiro possa ter seu automóvel. Da construção civil também vêm milhares de empregos e o outro sonho vendido por Lula, o da casa própria. Da agricultura, vêm os alimentos que ajudam a manter a inflação sob controle, os empregos no campo que evitam o inchaço das cidades e também os dólares com os produtos vendidos no exterior. E o crédito é a mola-mestra – ou, mais que isso, é uma espécie de santo graal da economia, sem o qual não há consumo, vendas ou crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).DRAGÃO DA INFLAÇÃO Lula sabe disso. A oposição também. O governo, portanto, vem agindo para manter esses setores aquecidos e, ao mesmo tempo, tentar manter o dragão da inflação sob controle – Lula também sabe que uma possível escalada inflacionária afetaria fortemente as classes C e D, justamente onde estão a maior parte de seus eleitores.Não será fácil. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), eleito pelo governo como inflação oficial, fechou outubro com alta de 0,45%, ou 6,4% nos últimos 12 meses. A meta da inflação para este ano é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Para o economista Luís Fernando Lopes, da Pátria Investimentos, o índice de 6,5% será atingido já em novembro, o que aumenta a chance de que a inflação estoure a meta em 2008. O motivo é a alta do dólar, que faz estragos nos preços de insumos e produtos importados.Para conter a inflação, é bem provável que o Banco Central (BC) volte a aumentar a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano, o que encarece o crédito – e isso é tudo que Lula não quer. São decisões difíceis de serem tomadas – mas que, a partir de agora, terão como bússola quase exclusiva o fator 2010. Uma última má notícia: segundo pesquisa da Febraban, a crise vai durar mais dois anos, o que significa que seus reflexos ainda serão sentidos em plena campanha presidencial. Lula vai ter de tirar coelho da cartola.


Estado de Minas

FUSÃO COM O PSDB

A direção nacional do PPS negou que esteja negociando a fusão com o PSDB. De acordo com a nota oficial divulgada pelo partido, a aproximação entre as duas legendas tem como objetivo a construção de um projeto para o país, que será apresentado aos brasileiros pelo candidato da oposição à Presidência da República. A nota informa ainda que esse candidato, na opinião do partido, poderia ser o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ou o de São Paulo, José Serra. Os boatos sobre essa fusão surgiram por causa de um jantar ocorrido entre dirigentes do PPS e tucanos.



Correio Braziliense

Casamento Marcado


A simbiose que DEM e PSDB vivem em São Paulo permite aos caciques democratas afirmarem que, em 2010, o partido seguirá ao lado dos tucanos. “Há um alinhamento natural. O Serra está fazendo um bom governo e foi muito firme conosco”, diz o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), o entrevistado do Programa Brasília-DF na internet
“O Aécio (governador de Minas, também pré-candidato a presidente da República pelo PSDB) é meu amigo. Vamos aguardar que o PSDB se resolva. Mas ele fez aliança com o PSB e com o PT”, lembra Arruda.
A disposição do DEM em seguir com os tucanos é tal que nem mesmo uma chapa pura entre Serra e Aécio tira o entusiasmo. “Não vejo dificuldades. É uma chapa fortíssima”, comenta o governador, recém-chegado de encontros com os caciques do partido em São Paulo, Jorge Bornhausen e o prefeito Gilberto Kassab.

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