terça-feira, 25 de novembro de 2008

CLIPPING - 25 DE NOVEMBRO

VALOR ECONÔMICO

Raymundo Costa

Aécio se mantém no jogo de 2010

Engana-se quem acha que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, tirou o PMDB das alternativas de que dispõe para 2010. Na última conversa que teve com o deputado Michel Temer, presidente do partido, e o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, o tucano mineiro tratou de deixar as portas abertas. Bem abertas.

"Se o Serra me atropelar...", ainda ironizou, ao se despedir, referindo-se ao governador de São Paulo, José Serra, e à fama do tucano de passar por cima dos adversários.

Entre os tucanos é corrente a avaliação segundo a qual Aécio será candidato em 2010, seja pelo PSDB ou PMDB.

Por quê? Em outra oportunidade as condições talvez não sejam mais tão boas quanto as atuais, quando o governador encerra seu segundo mandato com uma aprovação que beira a casa dos 80%. Um piparote da Executiva Nacional resolve a questão da resolução que pemedebistas mineiros aprovaram para dificultar a filiação de Aécio ao partido.

A questão é saber se o PMDB terá a mínima vontade de ter um candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A não ser como o candidato de um PSDB coeso, hipótese, no momento, considerada improvável, não haveria melhor cenário para Aécio.

Resta saber se falará mais alto a lógica regional pemedebista e mais uma vez o partido ficará sem candidato, o que ocorre sistematicamente desde 1994, quando Orestes Quércia teve participação melancólica na eleição.

Se Aécio não for para o PMDB, parece evidente hoje para tucanos que este partido, sem candidato, se alia à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ou ao governador de São Paulo, José Serra. Isso, se não se dividir entre os dois, uma prática usual entre os pemedebistas.

Aécio passaria então a ser um outsider numa eleição em que poderia reunir - como se acredita no PSDB - um amplo espectro que vai do centro para a direita, e que ainda não se julga representado nas eleições de 2010. Deve ir com Serra contrariado, se não tiver opção mais digerível.

Mas Aécio também tem dificuldades no próprio terreiro. O governador perdeu a aposta que fez na parceria do PSDB com o PT, chegou a resmungar contra Lula logo após as eleições municipais e terá um problema a mais para resolver em Minas, o terceiro maior colégio eleitoral do país: Dilma Rousseff - cuja candidatura Lula já disse até para os tucanos que é pra valer -, é mineira.

É com Dilma que devem ficar os ministros os mineiros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), por exemplo, dividindo um território que até a eleição municipal parecia blindado pelo popular Aécio - aliás, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), aliado eventual do governador na eleição passada, também promete compor com a força-tarefa de Dilma no Estado.

Aécio tem sido aconselhado até por pemedebistas a não se filiar ao partido, se pensa em concorrer à Presidência em 2010. A margem de segurança é pequena, como o PMDB já demonstrou em situações anteriores, quando deixou a pé o ex-presidente Itamar Franco e o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, convidado para a integrar a sigla justamente para ser candidato na eleição de 2006.

No momento, o PMDB é um partido mais inclinado a indicar um candidato a vice-presidente na chapa governista. Mas não descarta a possibilidade de ter um candidato próprio, ainda mais se esse candidato é um governador jovem, bem avaliado e neto de Tancredo Neves, cujo centenário será comemorado justamente em 2010, o ano da eleição.

Até a definição dos partidos, no entanto, o Congresso precisa correr com algumas decisões. Como vai ficar a questão da fidelidade, por exemplo.

O Congresso tende a abrir uma janela para permitir a troca de partidos - o que interessa diretamente a Aécio Neves.

Mas a mudança terá de ser feita por emenda constitucional, para não correr o risco de cair nos tribunais. Mudanças na Constituição requerem quórum qualificado e tempo - e por se tratar de regras eleitorais, precisam ser aprovadas até o início de outubro. O que não deve constituir tarefa fácil, devido aos interesses em jogo.


JORNAL DO BRASIL

Informe JB


Leandro Mazzini

Bombeiro

FHC já serve de bombeiro, em prol dos assuntos do tucanato. É ele quem está tentando reaproximar Garibaldi Alves de José Agripino Maia, afastados pelo palanque de Natal na disputa deste ano. Quer os dois unidos por José Serra ou Aécio Neves em 2010.

Nenhum comentário: