quinta-feira, 20 de novembro de 2008

CLIPPING - 19 DE NOVEMBRO

Estado de Minas

Disputa polarizada em 2010

Cientistas políticos apostam que PT e PSDB vão aglutinar partidos à esquerda e à direita

Eleições polarizadas entre dois grandes eixos de coligações: de um lado, PSDB, DEM e PTB e legendas mais à direita; de outro, PT, PCdoB e demais partidos mais à esquerda. O PMDB indefinido, até se posicionar junto ao pólo que perceber maiores chances de vitória. O PT entra na disputa sem a maior estrela, Lula, provavelmente com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, carregando ainda a interrogação de até que ponto o presidente será capaz de transferir votos à petista. Uma crise internacional que provavelmente chegará ao Brasil com intensidade moderada, não o suficiente para abater a popularidade do governo Lula. E por fim, a incógnita em relação ao posicionamento político do governador Aécio Neves, caso a indicação do PSDB para concorrer ao Planalto recaia sobre o governador paulista, José Serra: Aécio se arriscará a construir um novo cenário, ingressando no PMDB, abrindo uma terceira via? Em torno desses pontos concordam os cientistas políticos Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Carlos Ranulfo de Melo e Juarez Guimarães, ambos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que ontem abriram o Simpósio Nacional de Marketing Político e Opinião Pública, organizado pela UFMG e Uni-BH com a palestra “O Brasil após Lula: como ficam as eleições presidenciais de 2010?” Também integraram a mesa os professores Dalmir Farancisco (UFMG) e Luiz Ademir de Oliveira (Uni-BH).Todos reconheceram que, diferentemente da baixa acuidade das previsões de economistas, a ciência política alcança melhor capacidade preditiva. “A dose de imprevisibilidade na ciência política nem chega perto da probabilidade de um indivíduo perder na bolsa por aconselhamento de economistas”, assinalou Marcus Figueiredo. Num sistema eleitoral estável e com lógica em torno de uma bipolarização da disputa, a crise internacional não atingirá o país profundamente, considerou Carlos Ranulfo. Com ele fez coro Juarez Guimarães: “Não seremos capturados pelo processo recessivo”, disse , em referência ao eventual impacto da crise sobre a avaliação do governo federal. Para Guimarães, o governo Lula teve mais êxito do que o governo Fernando Henrique Cardoso em incorporar direitos sociais, ampliando a base social do estado brasileiro. Na opinião do cientista, na hipótese de uma crise branda, o discurso de uma eventual candidatura de Serra, que em 2002 enfatizou a “continuidade sem continuísmo” será de difícil assimilação. “Qual seria o lema de Serra? Será o retorno sem volta? O retorno a um governo impopular que não se sustenta diante da comparação de indicadores em nenhuma área?”, indagou Guimarães. Nesse sentido, ele afirmou que, se configurada a indicação de Serra no PSDB, há a hipótese de Aécio filiar-se ao PMDB. Para ele, contudo, esse é um movimento de “alto risco”, dada a opção histórica do PMDB de investir nas candidaturas regionais em detrimento da disputa presidencial. Na mesma linha de análise, Marcus Figueiredo e Carlos Ranulfo consideraram que o PMDB não lança candidatos no plano nacional porque, dada a sua força federativa, qualquer dos lados que vença a disputa precisará da legenda para governar. “O PMDB é um enigma”, assinalou Figueiredo. “Ganhe quem ganhar, terá de recorrer ao PMDB para ter maioria no Congresso”, acrescentou Ranulfo.


Estado de Minas

Movimento no ninho

O PSDB mineiro deve se movimentar nos próximos dias para manifestar o desejo de ter candidatura própria ao Palácio da Liberdade em 2010. A idéia é liberar o governador Aécio Neves (PSDB) para cuidar das articulações nacionais e impedir que ele fique a reboque de negociações de outros partidos, em especial o PT do prefeito Fernando Pimentel. Além disso, os tucanos sabem que podem precisar de um palanque forte no estado e não querem correr riscos.



Correio Braziliense

Nas Entrelinhas

Luiz Carlos Azedo

O tempo de cada umAs chances de Serra e Aécio estão numa espécie de meio-termo: um cenário de crise que impeça a alavancagem de Dilma, sem ao mesmo tempo arrasar São Paulo e Minas
Mudou o paradigma da política brasileira. A crise mundial, com seus reflexos no Brasil, condiciona a sucessão presidencial de 2010. Ainda não levou de roldão as candidaturas já existentes nem possibilitou o surgimento de um salvador da pátria, mas já aparecem interessados em desempenhar esse papel, como o delegado federal Protógenes Queiroz, que conversa com o PSol. Queda-de-braço Há uma corrida contra o relógio. O governo pisa no acelerador para executar seus programas, tenta segurar o dólar e garantir o crédito para amortecer os impactos da crise na vida do cidadão. A oposição administra o discurso contra o governo Lula e endossa as medidas anticíclicas. Está com um olho no emprego, outro na inflação. A grande incógnita é saber até onde irá a redução da atividade econômica. Essa variável determinará se a equação gastos públicos versus arrecadação tributária será resolvida antes ou depois das eleições de 2010. O xis da questão é a taxa de juros. Para muitos, chegou a hora de eliminar uma taxa de juros excessivamente elevada. A crise de liquidez fortaleceu o grupo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na sua queda-de-braço com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Depois de capitalizar a operação de salvamento do setor financeiro, Meirelles começa a sofrer o desgaste provocado pela redução da atividade econômica. Para a cozinha do Palácio do Planalto, há espaço para redução da taxa de juros. Seria a maneira de evitar uma recessão mais grave e a alta da inflação. Meirelles resiste. Argumenta que para isso é necessário austeridade fiscal, o que não está acontecendo. Ou seja, se o governo continua gastando, é preciso manter uma taxa de juros que torne os títulos públicos atrativos para os investidores estrangeiros; para reduzir os juros, seria indispensável reduzir os gastos públicos na proporção igual ou superior à queda da arrecadação. É uma escolha de Sofia, que o presidente Lula está empurrando com a barriga. Baixas taxas de juros, câmbio estável e competitivo e inflação sob absoluto controle são tarefas para o futuro governo. Sucessão à vista Lula mira na própria sucessão. Administra a crise de maneira a viabilizar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nada de cortes nos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que a ministra comanda. Nada de redução dos gastos sociais do governo com as parcelas mais pobres da população. A palavra de ordem é poupança zero, consumir para preservar empregos e salários. Se o governo surfar a crise dessa forma, a sucessão de 2010 estará no papo. O problema dessa estratégia é o tempo. Com forte viés eleitoral, não pode ser mantida a longo prazo. Seu sucesso depende da velocidade do impacto da crise mundial na economia brasileira. Na crise, a oposição se finge de morta. Onde tem o poder regional, está no mesmo barco do governo Lula. Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, os dois presidenciáveis do PSDB, procuram ganhar tempo. Os dois estados serão os mais atingidos pela crise. Seus governos terão problemas se a situação sair do controle e a recessão for para valer. As chances de Serra e Aécio estão numa espécie de meio-termo: um cenário de crise que impeça a alavancagem de Dilma, sem ao mesmo tempo arrasar São Paulo e Minas. Eis uma situação clássica da política, já descrita por Maquiavel, na qual a fortuna escolhe a virtude que mais lhe interessa.



Valor Econômico

"Quem abrir o jogo leva pedrada", diz FHC sobre Serra x Aécio


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em palestra no Senado, defendeu medidas de fortalecimento do Congresso Nacional em relação ao Poder Executivo, como "limitar a fúria das medidas provisórias" e adotar medidas de controle do Orçamento da União. "Se o Congresso abdica do controle do orçamento e das MPs, evidentemente haverá uma hipertrofia do Executivo", afirmou.

Na primeira vez que retornou ao Senado após deixar a Presidência da República (2002), FHC defendeu um "equilíbrio maior" entre os três Poderes, alertando também para o risco de "hipertrofia também do Judiciário" e diminuição do Legislativo.

Em entrevista, FHC afirmou ser cedo para apontar quem vai ser o candidato do PSDB à Presidência da República: José Serra ou Aécio Neves. "(Eles) Não são políticos inexperientes e sabem que, se começar abrir o jogo agora, vai levar pedrada o tempo todo. Temos de ter calma", afirmou.

A idéia de aprovação de uma proposta que abra um prazo para que parlamentares troquem de partido (a chamada "janela") foi criticada pelo ex-presidente. Ele, no entanto, acha que o político não deve ficar "enjaulado". Defende um mecanismo que possibilite a mudança de partido, mas submeta o político a uma sanção, como torná-lo inelegível temporariamente, caso troque de legenda.

"Se abrir a janela, muita gente pula fora. Essas coisas têm de fazer com muita seriedade, acho que dar um jeitinho não é bom. Evidentemente, não se pode criar um sistema como agora, em que você muda de partido a toda hora por razões puramente pessoais, por outro lado você não pode enjaular as pessoas. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio".

O ex-presidente abriu o ciclo de debates sobre o Poder Legislativo, promovido pelo Interlegis - órgão do Senado criado para modernização e integração do Poder Legislativo em seus três níveis, federal, estadual e municipal. Antes de FHC, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), fez um rápido pronunciamento, em que voltou a criticar o excesso de MPs editadas pelo Executivo. E disse que a cobrança incluía o ex-presidente. FHC lembrou que as MPs foram criadas pela Assembléia Nacional Constituinte para dar "agilidade" ao presidente da República. Disse que a falta de limites à reedição era arbitrário, mas a situação agravou-se com a mudança constitucional durante sua gestão, que proibiu a reedição de MPs e criou o mecanismo de obstrução da pauta. "O presidente, agora sim, pára o Congresso".

Em sua palestra, FHC também citou o "poder político" concedido pela Constituição ao Supremo Tribunal Federal (STF), que agora começa a exercê-lo. Citou, como um dos instrumentos que dão ao STF esse poder, o "mandado de injunção", por meio da qual representantes da população podem se queixar de um dispositivo constitucional não regulamentado. "Criamos a possibilidade de o Supremo exercer um papel político maior do que jamais houve no Brasil e ele começa a exercer isso".

FHC disse que está faltando ao Congresso uma "agenda de transformação". Segundo ele, quando há uma agenda, o Congresso promove debate na sociedade e passa a ter força. Mas o que está acontecendo, na sua opinião, é que o Congresso está a reboque do Executivo. "Quando o Executivo perde a agenda, o Congresso se perde, fica sem saber para que rumo vai."



Jornal do Brasil

A candidata Dilma e a nuvem

Villas-Bôas Corrêa

A candidatura da ministra Dilma Rousseff foi lançada com grande antecedência e pouco a pouco, nas intencionais inconfidências do presidente Lula, quando o céu de brigadeiro da plena euforia com o maior governo, etc confirmava que, com a sua popularidade, ele elegeria um poste.
O êxito é a mais perfeita mesinha que cura todos os males e imuniza o beneficiado contra os imprevistos do destino. Mas, a política, como ensina o conselheiro, é uma caixinha de surpresas. Lula aperfeiçoou a tática para empurrar a candidatura da sua escolha pessoal, sem consultar ninguém ou dar a mínima atenção ao PT e seus dirigentes embrulhados em denúncias que nem foram apuradas para valer ou desmentidas com provas definitivas.
Para ligar a ministra-candidata aos êxitos estatísticos oficiais, passou a incluí-la como presença obrigatória nas suas viagens domésticas e internacionais do campeão de milhas voadas no aerolula. Dona Dilma passou a ser a sombra do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, que nos dois últimos anos úteis do mandato da reeleição – 2010 é ano de campanha e de eleição para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais – promete inaugurar obras em todos os estados, em milhares de municípios, resolvendo problemas crônicos, desatando todos os nós que embaraçam a nossa milagrosa passagem pelo túnel do passado para o futuro.
Sem contestação séria no bloco aliado e com o PT mudo, sem soltar um pio, a ministra foi avançando no terreno baldio e a sua candidatura pousando no consenso do fato consumado.
A nuvem da crise financeira internacional não deu tempo para ser percebida no céu da euforia e pegou o mundo de surpresa. O governo fez o que pôde para fingir que a ignorava, com Lula alternando adjetivos e substantivos para distrair a platéia: "Se chegar ao Brasil, será quase desapercebida", depois promovida a marola e admitida na sua evidente gravidade.
É de cristalina evidência que o presidente continua com o controle político do esquema que montou sem poupar a viúva para manter viva a chama dos compromissos. Lula foi de uma generosidade sem limites. Para adquirir o apoio do PMDB, que estava em oferta na praça, entregou ministérios, autarquias, fatias do bolo, pacotes de caramelos, a transposição do rio São Francisco para acudir a sede do Nordeste.
Mas, como a roda da ambição não pára, com os sacolejos da crise, velhas e novas cobranças chegam ao balcão. A presidência do Senado, valorizada pelo desempenho do senador Garibaldi Alves, que martela as críticas e cobranças, é reivindicada pelo PT, enquanto a presidência da Câmara está escorregando para os braços do presidente do PMDB, deputado Michel Temer.
Enfim, entre arranhados e feridos, salvam-se todos. O ano está acabando e a carga passa para o decisivo 2009. Cada qual com o seu lote de dúvidas. O desafio da oposição passa e termina com a acomodação dos governadores de São Paulo, José Serra e Aécio Neves, de Minas, na chapa com duas vagas de peso diferente.
A ministra Dilma, sem concorrente com cacife para enfrentar o padrinho da sua candidatura, dissimula as apreensões e vem fazendo o possível para domar o seu temperamento e conquistar as simpatias da base.
Mas, é a nuvem da crise que escurece o horizonte e não abre a brecha para que se enxergue mais do que um palmo adiante do nariz.

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