domingo, 30 de novembro de 2008

CLIPPING - 30 DE NOVEMBRO

CORREIO BRAZILIENSE

Brasília-DF

Denise Rothenburg

Nem vem


Na firme decisão de afastar PSDB e PT em 2010, o PSB, que está no meio do caminho, abre as portas para o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), assim como já abriu para Aécio Neves (PSDB). Não é à toa que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem conversado tanto com os mineiros ultimamente. Embora seja aliado de Lula, ele também tem outras opções para o caso de o PT terminar deixando o PSB à deriva na sucessão presidencial.

sábado, 29 de novembro de 2008

CLIPPING - 29 DE NOVEMBRO

ZERO HORA

Ministro quer Aécio Neves no PMDB

Hélio Costa defendeu candidatura à Presidência de governador


Ministro das Comunicações, Hélio Costa afirmou ontem que Minas Gerais “gostariam muito de ter um candidato mineiro à Presidência da República” e reafirmou que o ideal seria o governador Aécio Neves deixar o PSDB e entrar no PMDB (partido do ministro). A declaração foi feita no Palácio do Planalto.

Na quinta-feira, Costa já havia dito, em Belo Horizonte, que o PMDB está “de braços abertos” para receber o governador e que este precisa “ter coragem” de mudar de partido. Ontem, ele acrescentou que esse é o caminho de Aécio, porque já é sabido, segundo ele, que o candidato presidencial do PSDB para 2010 é o governador de São Paulo, José Serra.

– A possível chance de se fazer uma boa composição ainda no governo do PT com o PMDB é olhando essas forças que podem, no futuro, representar uma grande aliança – declarou o ministro, em conversa com jornalistas depois de participar da cerimônia de assinatura do protocolo de implantação de uma infra-estrutura de TV digital que será compartilhada pelas emissoras públicas de televisão.

Hélio Costa disse que o caso de Aécio não se enquadra na lei de fidelidade partidária.

– Ele (Aécio) terá que deixar o governo pelo menos oito meses antes (das eleições) para ser candidato a qualquer coisa. Ele não pode ser candidato à reeleição. Não tem problema nenhum.”



ISTO É

Tucanos em campanha

A exemplo de Serra, Aécio Neves desembarca em vários Estados de olho em 2010

Rudolfo Lago



Com a sucessão do presidente Lula anotada em lugar de destaque na agenda, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) estão com seus blocos na rua. Em público, os dois tucanos trocam afagos; nos bastidores, cada um trata de buscar maior apoio político dentro e fora do PSDB. Ambos têm corrido o País para angariar aliados. Aécio usa o "choque de gestão", programa implantado em Minas há quatro anos para estimular o funcionalismo, como pretexto para viajar pelos Estados. Serra se vale da idéia da redistribuição tributária: formaliza convênios pelos quais ele recolhe em São Paulo o ICMS de produtos e depois os repassa para os Estados para os quais esses produtos serão destinados. Como as palestras de Aécio, cada assinatura de convênio transforma- se num pequeno ato político.

Serra já comeu pastel de feira em Londrina, no Paraná, e passeou pela orla de Maceió, em Alagoas, apertando as mãos de eleitores. Na segundafeira 1º, Aécio desembarca em São José dos Pinhais, cidade próxima a Curitiba, onde fará palestra para líderes políticos. No dia seguinte estará no Recife (PE) para uma reunião da Sudene. Nesses eventos, a estratégia do mineiro é mostrar às lideranças tucanas que em torno do seu nome o PSDB pode chegar em 2010 com uma aliança partidária mais ampla do que a de Serra. "As duas últimas disputas nacionais mostraram que não basta a parceria com o DEM para ganhar a eleição. É preciso ampliar", tem dito o governador mineiro a seus interlocutores.

O "choque administrativo" já levou Aécio a dez Estados. Em São Paulo, Serra adotou programa semelhante, mas apenas este ano. Em suas palestras, o mineiro não deixa de provocar e diz que "está três anos à frente do paulista". A participação de Aécio no evento do Recife é articulada pelo governador pernambucano, Eduardo Campos, do PSB, partido do prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, afilhado político de Aécio. Trata-se de uma aliança que o mineiro espera repetir em 2010 e nessa direção parece levar vantagem sobre Serra. Ciro Gomes, o pré-candidato do PSB à sucessão de Lula, já declarou que contra Aécio ele não disputa a eleição. "Pode ser verdade que não se possa repetir em nível nacional o que aconteceu em Belo Horizonte, mas o que aconteceu lá precisa valer como exemplo de que um novo entendimento político, mais amplo, pode ser obtido", entende o primeiro vicepresidente da Câmara dos Deputados, Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), um dos principais aliados de Aécio.

Enquanto correm o Brasil propagando suas idéias, Serra e Aécio movem-se de forma semelhante em seus Estados. Ambos anunciam ambiciosos projetos de investimentos e criaram "PACs locais" que pretendem apresentar como cartões-postais de suas gestões. Mas o mineiro tem procurado evitar o corpo a corpo com os eleitores. Aécio entende que não é o momento de oficializar sua candidatura, pois as pesquisas o mostram bem abaixo de Serra e ele quer tempo para reverter essa situação. Nisso, enfrenta a pressão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que prega que o PSDB antecipe a escolha de seu candidato e encare logo a disputa. "É um equívoco precipitarmos nomes sem ter clareza do projeto, da idéia que vai sustentar essa candidatura, não apenas do PSDB, mas de uma coligação que eu espero seja mais ampla", diz Aécio. Serra também não pretende pressionar por uma decisão breve. Acredita que a precipitação possa provocar fissuras irreparáveis.

Serra e Aécio também têm posturas semelhantes em relação ao governo Lula. Ambos procuram se apresentar como sucessores qualificados e não como opositores. E nesse sentido os dois trombam com FHC. Em recente reunião com prefeitos e vereadores eleitos pelo PSDB, o ex-presidente teceu fortes críticas à forma como Lula vem tratando da crise econômica: "Não diga bobagem, presidente", afirmou FHC. Serra discordou. "O presidente Lula está preocupado com a crise e temos até feito boas parcerias para enfrentá-la", afirmou o governador.
As convergências entre Serra e Aécio, no entanto, não significam unidade e a cúpula tucana teme que a disposição dos dois para a disputa interna leve à derrota em 2010. "Precisamos agir com maturidade e desprendimento. Chega de perder", alerta o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB.




ÉPOCA

Ruth de Aquino

Entre o Rio e Paris, Aécio prefere Brasília



Não consigo me convencer de que a disputa para a Presidência em 2010 será entre Serra e Dilma. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também não está convencido. Talvez nem o presidente Lula acredite que o duelo final seja entre dois soldados com cintura dura e riso truncado. Deve correr por fora um candidato com mais charme e carisma. Aécio aposta tanto nisso que saiu em campanha na única cidade que o seduz tanto ou mais que o Rio de Janeiro: Paris.
O mineiro de alma carioca quer armar logo as prévias do PSDB e desafiar o favorito Serra. Como o governador de São Paulo está com a faca (FHC) e o queijo (Kassab) na mão, Aécio age para vencer o jogo tucano. “Nossas chances serão enormes se tivermos juízo, desprendimento e capacidade para aglutinar as forças”, diz. Defende “uma bandeira nova” no PSDB. E tenta mostrar que o Alckmin de 2010 é o outro. Com seu sorriso, suas relações com o PMDB, o apoio de Tasso Jereissati e o controle do segundo maior colégio eleitoral do país, Aécio se considera capaz de derrotar Serra nas internas. E depois, nas urnas, Dilma, a mãe do PAC, do pré-sal e do Bolsa Família.
Aécio precisa ter cuidado com o marketing excessivo, que transforma simpáticos em malas. Há duas semanas, recebi e-mail de Paris da “Assessoria de Imprensa do Governador MG”. Anunciava sua condecoração na Legião de Honra da França. Apaguei. Três minutos depois, novo e-mail. Parecia o mesmo, deletei. Comecei a temer um vírus spam Aécio. Quando percebi que eram assessores de verdade, arquivei. Fui bombardeada.
Os assessores transcreveram o pronunciamento de Aécio em Paris. “A França é a segunda pátria dos cidadãos de nossa América blablablá, a matriz intelectual do mundo, com o sadio ceticismo de Montaigne...é também a pátria de Delacroix (delacroá).” Entre parênteses estava a pronúncia, para ninguém errar. Incrível. Aécio se dirigiu ao ex-presidente Giscard d’Estaing: “Vossa Excelência chegou à mais elevada posição da França aos 48 anos”. Aécio também tem 48 anos. Santa coincidência. Vive la France.
Alguém deveria dizer ao governador que marketing
em excesso transforma simpáticos em malas
O e-mail seguinte trazia entrevista com Aécio. “É a primeira vez”, disse ele, “que um governador de Minas é homenageado com a mais ampla condecoração francesa, criada por Napoleão Bonaparte há mais de 200 anos.” Lula e FHC estão entre os membros da Legião de Honra. A assessoria foi adiante: “Giscard d’Estaing ressaltou que Minas Gerais é maior que a França e que aprecia muito o trabalho de Aécio Neves com o Choque de Gestão”. Mais uma mensagem excitante, sobre investimentos da Vallourec, Fiat e Eurocopter em Minas Gerais e o metrô de Belo Horizonte.
A essa altura, eu já estava quase viciada nos e-mails da assessoria e me perguntava ansiosamente qual seria o próximo passo de Aécio em Paris. Mas chegou o fim de semana – e as mensagens secaram. O que terá feito na Cidade Luz, no sábado e no domingo, o governador de Minas Gerais, grande baladeiro e carnavalesco, apreciador de restaurantes e belas mulheres no Rio de Janeiro?
Na segunda-feira, a assessoria ataca novamente. Aécio assina em Lille acordo de irmandade entre Minas e a região de Nord Pas-de-Calais. “A cinergia (sic) entre poder público e a iniciativa privada é absolutamente necessária”, diz Aécio. Nova informação, imperdível: ele inaugura em Turim, Itália, a Exposição Viver Mais, com delegação de empresários, artistas e cientistas mineiros. Segundo a assessoria, “a mostra foi pautada em uma demonstração sensorial do Estado”. Intrigante. Ah, ia esquecendo o fecho: “O show dos cantores Vander Lee e Regina Spósito”. Menos, menos.
O governador paulista e a ministra petista não parecem tão seduzidos por Paris, muito menos pelo Rio. Pertencem à mesma geração. Já passaram dos 60 anos. Eles se assemelham na seriedade, na atração por números e até nos olhos. Duros serão os debates. Sem gafes ou tiradas espirituosas. Depois de um sociólogo ph.D. e de um operário líder sindical, cada qual com seu apelo, o próximo presidente será mesmo Serra ou Dilma? É cedo para definir. Aécio joga com a idade e a simpatia.



VEJA

Radar

COPA 2014

Negócios da bola


A Andrade Gutierrez está de olho grande no Mineirão. Tem pronto um megaprojeto para uma completa reforma do estádio e do seu entorno, que o preparará para a Copa de 2014. Os planos da Andrade já foram apresentados a Aécio Neves.



EXAME

TRIBUTOS

Mais um problema para as mineradoras



O setor de mineração, que sofre com a queda dos preços internacionais, está apreensivo. Agora, o problema é a inclusão de uma emenda no projeto de reforma tributária que pode dobrar o valor a ser pago pelas companhias aos governos estaduais. A sugestão dos secretários da Fazenda, liderados pelo governador mineiro, aécio Neves, foi aceita pelo relator da reforma, deputado Sandro Mabel (PR-GO). Nela, o cálculo dos royalties deixa de ser feito sobre o lucro líquido das empresas e passa a usar como base o lucro bruto. Além disso, a alíquota, que hoje varia de 0,2% a 3%, passa a ser cobrada sempre pelo percentual máximo. Empresas mineradoras argumentam que a medida vai dobrar a carga tributária do setor, uma das mais altas do mundo.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

CLIPPING - 28 DE NOVEMBRO

O ESTADO DE SÃO PAULO

Costa faz aceno a Aécio pelo PMDB

Eduardo Kattah

O ministro Hélio Costa considera “muito provável” eventual saída do governador Aécio Neves do PSDB. E afirmou que o PMDB está de “braços abertos” para recebê-lo. Para Costa, a candidatura presidencial de José Serra está “muito consolidada” no PSDB. Aécio discordou . “É uma avaliação dele que eu respeito, mas discordo”, disse. E agradeceu “os gestos que o PMDB tem feito”.



ESTADO DE MINAS

Governador rebate ministro

Leonardo Augusto


O governador Aécio Neves rebateu ontem declaração do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), de que, caso queira ser candidato à Presidência da República em 2010, deveria deixar o PSDB. Na avaliação do ministro, os tucanos já estão consolidados em torno do lançamento do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), como candidato a sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para Aécio, o partido ainda não tem decidido quem será o candidato em 2010. O governador voltou a dizer que ainda é cedo para o início das discussões em torno da disputa pela presidência. “Acho que é absolutamente prematuro estarmos tratando de sucessão em 2010, seja presidencial, seja governamental. Temos um ano ainda de muitas dificuldades para enfrentar, um ano de crise e estamos avaliando quase que diariamente as conseqüências dessa crise no estado, na geração de empregos, na desaceleração das atividades econômicas”.
Durante visita a uma feira de artesanato em Belo Horizonte, Aécio frisou ainda o relacionamento com o partido de Hélio Costa. “O PMDB em sua grande maioria tem participado da nossa base de apoio. Tem ajudado Minas Gerais a enfrentar as suas dificuldades, a encontrar o caminho do desenvolvimento. Eu tenho uma interlocução muito fácil com o ministro Hélio Costa e com outras lideranças do PMDB como o presidente Fernando Diniz”. O ministro participou ontem, também em Belo Horizonte, de cerimônia na Assembléia para anúncio de justificativas para colocar a TV do Poder Legislativo em sinal aberto.

PRESSÃO O governador afirmou que o secretário de estado de Governo, Danilo de Castro, ainda não encerrou as negociações com a Assembléia Legislativa para o fechamento de um novo valor para as emendas parlamentares, hoje de R$ 1 milhão. Os parlamentares querem o dobro e afirmam que, em São Paulo, o valor é de R$ 5 milhões. “Não vou fazer comparação com outros estados, o que estou fazendo aqui é em função da nossa realidade. A comparação que estamos fazendo é com aquilo que o estado teve condições de crescer e tem condições de honrar. Não tenho dificuldades de, por exemplo, aprovar emendas de R$ 5 milhões ou R$ 10 milhões. Terei uma grande dificuldade de pagá-las e acho que os mineiros preferem um valor que seja realista e que seja honrado integralmente como tem sido ao longo de todos os últimos anos do que apenas uma manifestação política”, alegou.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

CLIPPING - 27 DE NOVEMBRO

CORREIO BRAZILIENSE

Mesa Diretora Modelo 2010

Por Denise Rothenburg Com Guilherme Queiroz


Pré-candidatos a presidente da República em 2010, os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, trabalham de forma diferente a eleição para presidente da Câmara. Enquanto Serra aposta todas as fichas em Michel Temer (PMDB), Aécio mantém distância regulamentar. Explica-se: Serra quer afastar Temer do PT. Ciro Nogueira (PI), além de amigo do governador mineiro, pertence ao PP do senador Francisco Dornelles (RJ), tio de Aécio, que já abriu as portas do partido para o sobrinho.



FOLHA DE SÃO PAULO

Mônica Bergamo

Ponto...


A próxima queda de braço da Anac será com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB-MG). A agência colocará em consulta pública no começo do próximo ano a proposta de abrir o aeroporto central da Pampulha para vôos que liguem Belo Horizonte a cidades como São Paulo, Rio e Brasília. O governador é contra -e já disse isso à presidente da Anac, Solange Vieira. Ele quer manter os vôos exclusivamente no aeroporto de Confins.

DO BLOG

José Serra é um grande nome do PSDB, mas a vez é de Aécio. O governador paulista tem grandes chances de perder para o candidato petista, já que carrega uma forte rejeição e não tem o carisma suficiente para derrotar a máquina petista.

Somente Aécio Neves com sua habilidade política e trânsito em todos os partidos pode ir além do DEM e formar uma ampla aliança para 2010.

Além disso, Aécio terá muito mais facilidades para entrar no feudo nordestino do PT. E é ali que a eleição será decidida.

Serra, devido ao recall de 2002 está bem a frente nas pesquisas. Mas alguém duvida que o carismático Aécio, com sua popularidade imbatível em Minas Gerais e tantos feitos na condução do estado, com dois meses de exposição na mídia não alcançaria facilmente os 35 - 40% nas pesquisas?

O melhor caminho para os tucanos é Serra ser reeleito em São Paulo e Aécio cumprir o destino que uma fatalidade tirou de seu avô, a presidência da República. Com isso, os dois cargos mais importantes do país estariam nas mãos do PSDB.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

CLIPPING - 26 DE NOVEMBRO

CORREIO BRAZILIENSE

Marcos Coimbra

Partidos e nomes

A crise econômica internacional continua a polarizar as atenções da imprensa, mas mesmo ela, quando a abordagem é política, já é discutida em função das candidaturas postas para 2010.
Neste fim de ano, quando as recentes eleições municipais já parecem coisa antiga, o noticiário político começa a ser dominado pelas discussões a respeito da sucessão de Lula. Imagine-se daqui a alguns meses. Não vai haver outro assunto.
A crise econômica internacional continua a polarizar as atenções da imprensa, mas mesmo ela, quando a abordagem é política, já é discutida em função das candidaturas postas para 2010. Quem ganha e quem perde com a crise? Quem pode crescer se aumentarem as preocupações dos eleitores?
Nessas discussões, tratamos de nomes. Serra ou Aécio? Dilma? Senão ela, quem no PT? Ciro? O PMDB terá candidato próprio?
Sempre foi assim, em nosso sistema político. A mídia apresenta os nomes, a opinião pública os avalia, pesquisas são feitas, ouvem-se opiniões de líderes e especialistas. Um dia, alguma instância, dentro de cada partido, escolhe o nome do candidato.
Como se tomam essas decisões? Quais são as instâncias ouvidas? Afinal, quem monta o cardápio que o sistema político oferece aos eleitores?
Hoje, o Brasil é quase uma exceção na América Latina, um país onde não se questiona o processo de escolha dos candidatos. É como se ele não interessasse aos cidadãos, se fosse algo sobre o qual ninguém tem nada a dizer, salvo as direções partidárias.
Dirigentes e notáveis, dentro de um partido, podem ter tanta influência que, sozinhos, fazem todas as indicações, desde uma chapa de vereadores, a quem será o candidato a presidente. Ao distinto público, incluindo militantes e simpatizantes, resta votar.
Nos Estados Unidos, desde o início do século passado, o sistema de eleições primárias foi adotado como instrumento para aumentar o controle do governo pelos cidadãos. A idéia era fazer com que a voz do eleitor fosse ouvida desde o começo do processo político e não apenas no seu término, na hora de votar.
Essa experiência, em graus maiores ou menores, se disseminou pelas Américas nos últimos anos. Em alguns países, as eleições primárias fazem já parte da legislação, em outros, foram incorporadas às práticas partidárias. Só não existem de todo em poucos. Dentre os únicos quatro, no Brasil.
Quem mais tem se preocupado com o assunto é o PSDB, através, principalmente, de manifestações de Fernando Henrique Cardoso. Outras lideranças do partido também têm falado sobre o tema.
Parece claro que, confirmadas as duas (ou mais) candidaturas do PSDB, terá que ser encontrado um método legitimo para que uma seja escolhida. Se haverá algum tipo de prévia, se outra solução for melhor, não importa. O relevante é que a decisão seja aberta, transparente, participativa.
Na nossa tradição, tendemos a ver disputas internas como inconvenientes, diversionistas, que beneficiam apenas os adversários. Deve ser por isso que Lula, na única vez em que teve de lidar com uma proposta desse tipo, avisou o PT que preferiria desistir da candidatura a enfrentar uma prévia. Em 1997, tiveram que convencer Eduardo Suplicy a recuar de sua aspiração a se candidatar, para não melindrá-lo.
Ao contrário, as prévias são boas. Para os grandes partidos, onde existem muitas opiniões, a escolha de uma candidatura pode ser um momento fundamental. As diferenças se explicitam, as alas e correntes medem suas forças, o partido se revela e permite que os pontos de vista mais sintonizados com os eleitores prevaleçam.
Se o PSDB vier mesmo a fazer as prévias que parecem possíveis, quem vai ter que se explicar é Lula. Não vai ser bom para o PT ficar como o partido onde a vontade de uma pessoa (ainda que essa pessoa seja Lula) é a única coisa que conta.



ESTADO DE SÃO PAULO

Aécio discorda das críticas do secretário de Serra


O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), reiterou ontem a preocupação com eventuais perdas para os Estados na proposta de reforma tributária, mas discordou da avaliação “radical” do governo paulista sobre o relatório apresentado pelo deputado Sandro Mabel (PR-GO). Para Aécio a reforma “é necessária para o País”.
Em entrevista ao Estado, o secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, criticou o relatório, afirmando que ele propõe “a destruição da indústria paulista”.
Os governos da Bahia e do Amazonas também mostraram-se contrários às críticas feitas por Mauro Ricardo. “Esta reforma será bem-vinda se corrigir distorções tributárias”, afirmou o governador Eduardo Braga (PMDB). O secretário da Fazenda baiano, Carlos Martins, alfinetou: “São Paulo se acostumou a só pensar em seus interesses e precisa começar a pensar no País como um todo”.
O governo do Espírito Santo concorda em parte com a posição paulista. “Não há qualquer sinalização de que a carga tributária será reduzida”, disse a secretária da Fazenda capixaba, Cristiane Mendonça. No Rio, o secretário da Fazenda, Joaquim Levy, disse ter sentido falta de contrapartidas aos Estados.


ESTADO DE MINAS

Itamar aconselha Aécio

Ex-presidente afirma que governador não deve se filiar ao PMDB e que o melhor seria uma definição rápida sobre a sua candidatura ao Palácio do Planalto nas eleições de 2010

Bertha Maakaroun

O ex-presidente da República e ex-governador de Minas Itamar Franco declarou ontem que, se fosse perguntado, desaconselharia o governador Aécio Neves (PSDB) a eventual filiação ao PMDB. “Se ele pedir a minha opinião se deve se filiar ao PMDB, eu lhe diria: nunca”, assinalou. Itamar acrescentou em seguida: “Olha que eu sou fundador do antigo MDB, o nono a assinar a ficha do PMDB nacional”. Depois de lembrar que ficou no PMDB por mais de 20 anos, Itamar, que hoje está sem partido, disse: “Em 1998 tentei ser candidato a presidente pelo PMDB e eles escolheram Fernando Henrique Cardoso”.
Depois de reiterar que gostaria de ver Minas de volta ao Palácio do Planalto através de Aécio, Itamar considerou que o governador precisa se definir rapidamente se será candidato. “Acho que ele vai ter de se definir rapidamente. Mas, claro, a velocidade quem escolhe é ele, se deseja ser candidato a presidente”, afirmou Itamar. Ao analisar o cenário político-eleitoral nacional, Itamar considerou forte a pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Temos do outro lado uma candidata forte, a ministra Dilma Rousseff. É uma mulher de excelente combatividade, está mostrando que tem uma ação forte não só no processo eleitoral, como no processo político. Ela é candidata que se tem de olhar com muito respeito”, disse.
Em crítica velada à aliança anunciada entre o PT de Fernando Pimentel e o PSDB na capital mineira, Itamar afirmou: “Aqui se falava em nova idéia, nova identidade que todos deveríamos nos unir. Mas, de repente, o que vejo em Juiz de Fora? Todos se uniram contra o candidato Custódio Mattos, do PSDB. Então, a aliança não é uma idéia geral. Foi específica para a capital”, afirmou. Segundo Itamar o contexto de Belo Horizonte aponta para uma forte incongruência do PT de Fernando Pimentel em 2010. “Ele já disse que apóia a Dilma Rousseff. Se o Aécio Neves for candidato a presidente, o que fará?” indagou.
Itamar Franco foi homenageado ontem, na Associação Comercial de Minas Gerais, com a comenda da Ordem Juscelino Kubitschek. Em discurso aos empresários e amigos presentes, ele fez um balanço de sua atuação pública à frente da Presidência da República entre 1992 e 1994 assim como a sua gestão no governo de Minas, entre 1998 e 2002. Citando o principal herdeiro da Escola de Frankfurt, Junger Habermas, Itamar afirmou: “Os argumentos éticos mais fortes são aqueles que levam em conta aquilo que é bom para nós – para todos”.
Itamar ressaltou as condições em que recebeu o país em 1992, mergulhado numa crise institucional política e diante de forte crise econômica. Lembrou que estabilizou a moeda, por meio do Plano Real, e imprimiu critérios éticos na administração pública, criando a Comissão de Ética Pública. “Sob nosso comando o país cresceu mais de 5% ao ano, restabeleceram-se a auto-estima e a confiança do povo brasileiro e não se registraram os famosos escândalos, hoje repetidamente retratados na imprensa”, disse.
Itamar Franco descreveu ainda a situação em que encontrou em 1998 o governo de Minas: “Recebi Minas Gerais em dificílima situação: com a Polícia Militar humilhada e revoltada, a Cemig entregue ao capital estrangeiro, a Copasa devedora de milhões, o BDMG prestes a ser transformado em agência de fomento. O estado tinha um caixa de poucos milhões ante compromissos de centenas de milhões, um décimo terceiro salário atrasado, dívida internacional elevada e o que deve ser fixado – com cerca de 13% de arrecadação do estado comprometida”, afirmou. De acordo com Itamar Franco, exceção ao comprometimento da arrecadação, tudo foi revertido em seu governo. “Ao final do mandato, entregamos um estado refortalecido e, através de uma lei delegada pronto para que o novo governo assentasse as bases de sua administração”, observou.
Itamar disse ainda que, como homem público, sempre procurou ser “simples, modesto, não badalador”, buscando a austeridade e a ética como carro-chefe da administração.
Aécio afirmou que considera um equívoco precipitar o anúncio de nomes de candidatos do PSDB à presidência da república, sem ter clareza da proposta do partido para a “era pós-Lula”. Ele defendeu que o partido amadureça proposta de reformas consistentes a serem anunciadas apenas no final do ano que vem. Ele discordou do presidente Itamar Franco, contrário à sua migração para o PMDB. “Ninguém vai governar sem o PMDB – que é essencial para as eleições e mais ainda para a governabilidade”.

DO BLOG

Aécio Neves deve ser o próximo presidente do Brasil. Somente ele reúne as qualidades para vencer o PT e, depois, fazer um governo para marcar a história.

O governador mineiro, além de um líder moderno e competente, é quem pode conduzir um grande pacto para tirar o Brasil do atraso.

Chega da companheirada empregada nos ministérios e estatais. Chega de conduzir o país querendo reduzir tudo a uma só voz: a voz do retrocesso, de Chavez e Evo Moralez. Chega da política internacional terceiro-mundista onde as ligações com ditaduras jurássicas são mais importantes do que com as grandes nações do mundo. Chega de uma carga tributária exorbitante para financiar ONGs corruptas ligadas aos ativistas profissionais.

O momento chegou de deixarmos de ser o país do futuro para nos tornarmos o presente que todos os brasileiros merecem.

Por isso, é Aécio Presidente. TEMPO DE MUDAR

terça-feira, 25 de novembro de 2008

CLIPPING - 25 DE NOVEMBRO

VALOR ECONÔMICO

Raymundo Costa

Aécio se mantém no jogo de 2010

Engana-se quem acha que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, tirou o PMDB das alternativas de que dispõe para 2010. Na última conversa que teve com o deputado Michel Temer, presidente do partido, e o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, o tucano mineiro tratou de deixar as portas abertas. Bem abertas.

"Se o Serra me atropelar...", ainda ironizou, ao se despedir, referindo-se ao governador de São Paulo, José Serra, e à fama do tucano de passar por cima dos adversários.

Entre os tucanos é corrente a avaliação segundo a qual Aécio será candidato em 2010, seja pelo PSDB ou PMDB.

Por quê? Em outra oportunidade as condições talvez não sejam mais tão boas quanto as atuais, quando o governador encerra seu segundo mandato com uma aprovação que beira a casa dos 80%. Um piparote da Executiva Nacional resolve a questão da resolução que pemedebistas mineiros aprovaram para dificultar a filiação de Aécio ao partido.

A questão é saber se o PMDB terá a mínima vontade de ter um candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A não ser como o candidato de um PSDB coeso, hipótese, no momento, considerada improvável, não haveria melhor cenário para Aécio.

Resta saber se falará mais alto a lógica regional pemedebista e mais uma vez o partido ficará sem candidato, o que ocorre sistematicamente desde 1994, quando Orestes Quércia teve participação melancólica na eleição.

Se Aécio não for para o PMDB, parece evidente hoje para tucanos que este partido, sem candidato, se alia à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ou ao governador de São Paulo, José Serra. Isso, se não se dividir entre os dois, uma prática usual entre os pemedebistas.

Aécio passaria então a ser um outsider numa eleição em que poderia reunir - como se acredita no PSDB - um amplo espectro que vai do centro para a direita, e que ainda não se julga representado nas eleições de 2010. Deve ir com Serra contrariado, se não tiver opção mais digerível.

Mas Aécio também tem dificuldades no próprio terreiro. O governador perdeu a aposta que fez na parceria do PSDB com o PT, chegou a resmungar contra Lula logo após as eleições municipais e terá um problema a mais para resolver em Minas, o terceiro maior colégio eleitoral do país: Dilma Rousseff - cuja candidatura Lula já disse até para os tucanos que é pra valer -, é mineira.

É com Dilma que devem ficar os ministros os mineiros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), por exemplo, dividindo um território que até a eleição municipal parecia blindado pelo popular Aécio - aliás, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), aliado eventual do governador na eleição passada, também promete compor com a força-tarefa de Dilma no Estado.

Aécio tem sido aconselhado até por pemedebistas a não se filiar ao partido, se pensa em concorrer à Presidência em 2010. A margem de segurança é pequena, como o PMDB já demonstrou em situações anteriores, quando deixou a pé o ex-presidente Itamar Franco e o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, convidado para a integrar a sigla justamente para ser candidato na eleição de 2006.

No momento, o PMDB é um partido mais inclinado a indicar um candidato a vice-presidente na chapa governista. Mas não descarta a possibilidade de ter um candidato próprio, ainda mais se esse candidato é um governador jovem, bem avaliado e neto de Tancredo Neves, cujo centenário será comemorado justamente em 2010, o ano da eleição.

Até a definição dos partidos, no entanto, o Congresso precisa correr com algumas decisões. Como vai ficar a questão da fidelidade, por exemplo.

O Congresso tende a abrir uma janela para permitir a troca de partidos - o que interessa diretamente a Aécio Neves.

Mas a mudança terá de ser feita por emenda constitucional, para não correr o risco de cair nos tribunais. Mudanças na Constituição requerem quórum qualificado e tempo - e por se tratar de regras eleitorais, precisam ser aprovadas até o início de outubro. O que não deve constituir tarefa fácil, devido aos interesses em jogo.


JORNAL DO BRASIL

Informe JB


Leandro Mazzini

Bombeiro

FHC já serve de bombeiro, em prol dos assuntos do tucanato. É ele quem está tentando reaproximar Garibaldi Alves de José Agripino Maia, afastados pelo palanque de Natal na disputa deste ano. Quer os dois unidos por José Serra ou Aécio Neves em 2010.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CLIPPING - 24 DE NOVEMBRO

Zero Hora

FH tem pressa em definir candidato

Para ex-presidente tucanos devem enfatizar críticas a governo Lula

Presidente de honra do PSDB, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso deu a largada nos preparativos do partido para a eleição de 2010.Num discurso forte, no qual se referiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como traidor do povo brasileiro, FH defendeu, no sábado, que o PSDB apresente à sociedade já no ano que vem – até o início do segundo semestre – um único candidato à sucessão do petista no Palácio do Planalto. Ele não descarta a convenção como mecanismo de escolha.– É cedo para definir (esse nome) agora, mas não é cedo para iniciar as conversas entre nós. Se houver divisão, fazemos a convenção. Mas (o partido) tem de ter um candidato. Caso contrário, as forças da sociedade não têm por onde ecoar. Nós temos de apresentar o outro lado – enfatizou.O ex-presidente, no entanto, não quis citar nomes:– Nós temos vários líderes com essa capacidade de despertar entusiasmo nos nossos militantes. Essa é a única coisa que eu quero fazer, ajudar a formar essa visão que incorpore alguém – afirmou ele em São Paulo, em evento para uma platéia de 400 pessoas, entre prefeitos e vereadores eleitos do PSDB no Estado.Antes de iniciar seu discurso, FH fez questão de informar que havia jantado com o governador de São Paulo, José Serra, na madrugada anterior. O paulista trava disputa interna com o mineiro Aécio Neves pelo direito de concorrer à Presidência pela chapa tucana. O ex-presidente também deve se reunir com Aécio nos próximos dias.Ao argumentar que o candidato será “a voz” do que o PSDB planeja para o futuro, FH incitou os tucanos a acirrar o tom crítico em relação ao governo. Apesar de dizer que o foco não deve ser a crítica pessoal ao presidente Lula, ele próprio foi incisivo:– Não precisamos ser agressivos com ninguém. Mas nem por isso vamos dizer que tudo o que seu mestre fala está certo. Temos de dizer: o rei está nu, aqui, ali, acolá. Põe a roupa, presidente.



Valor Econômico

Escolha de candidato a 2010 afeta disputas internas do PSDB

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília


A escolha do candidato à Presidência da República estará no centro das decisões que o PSDB tomará em 2009 e deverá afetar pelo menos outras duas disputas internas. Deputados ouvidos pelo Valor, avaliam que a definição do candidato da legenda à Presidência - entre os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves - terá reflexos consideráveis sobre as escolhas dos nomes que ocuparão uma vaga - provavelmente a vice-presidência - na Mesa Diretora da Câmara e na liderança da bancada.


No primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, São Paulo e Minas disputavam o direito de liderar os deputados em plenário. A partir de 2006, um acordo de procedimentos definiu que a vaga na Mesa seria dos mineiros e a liderança caberia aos paulistas. Nada que não possa ser alterado. "Não há nenhum acordo escrito sobre isso", alertou o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), cuja liderança se encerra no início do próximo ano.

Apesar de serem dois postos considerados estratégicos, a duração dos respectivos mandatos é diferente. Quem for indicado pela bancada para a Mesa Diretora ficará lá de fevereiro de 2009 a fevereiro de 2011. O futuro líder, no entanto, terá que passar o bastão em fevereiro de 2010. Se a atual regra for mantida, Aécio teria um aliado seu assegurado na Mesa por dois anos. Já Serra enfrentaria uma situação um pouco mais delicada.

O PSDB paulista vem rachado desde 2002, quando Serra foi candidato a presidente, e a divisão de aprofundou em 2006, quando o ex-governador Geraldo Alckmin concorreu com Lula, tomando a vaga de Serra, que estava melhor situado nas pesquisas. A cizânia se agravou nas eleições municipais, quando Serra, que preferia apoiar o, agora, prefeito reeleito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), foi derrotado dentro do partido, que decidiu pela candidatura própria, novamente de Alckmin. O governador paulista poderia emplacar um aliado na liderança no ano que vem, mas correria o risco de ver um líder em 2010, quando a campanha presidencial ocorrerá de fato, não tão alinhado a ele.

E caso abra mão de indicar um líder no ano que vem, perderá um posto de poder no momento em que o nome do candidato será escolhido pelo partido. Por tudo isso, a bancada torce para que os dois governadores se envolvam o mínimo possível. Mas não há como negar que São Paulo e Minas vão comandar esse debate. "Estamos reféns desta disputa, são as duas maiores bancadas estaduais do PSDB", reconheceu o deputado Gustavo Fruet (PR).

O deputado paranaense até desfruta de bom prestígio interno - em 2007, chegou a ser lançado candidato do partido à presidência da Casa, durante a eleição vencida pelo petista Arlindo Chinaglia (PT-SP). Mas rende-se aos números - Minas tem 7 deputados e São Paulo, 18. "Destes, entre 7 e 9 são ligados diretamente a Serra. Mas acho que depois da disputa municipal, a tendência é que os tucanos paulistas se unam em torno do governador paulista", acredita o tucano paranaense. Um tucano mineiro reforça o coro de Fruet. "Se essa questão (briga entre serristas e alckmistas) fosse colocada há dois, três meses, seria de fato motivo para preocupação. Hoje, a divisão interna na bancada paulista não é tão acentuada assim", declarou o parlamentar.

Como estratégia política, no entanto, questiona-se qual vaga seria maior objeto de cobiça. A opinião geral é de que a liderança é mais importante do que a Mesa Diretora. "O cargo na Mesa é mais burocrático, para dentro, institucional. O líder é político, dialoga pela legenda com os demais partidos da oposição, eventuais aliados e a sociedade", definiu Fruet.

Ex-líder do governo durante a gestão Fernando Henrique Cardoso, o deputado Arnaldo Madeira (SP) disputou a liderança da bancada neste ano, mas foi derrotado por José Aníbal. Ele é taxativo ao afirmar que 2009 é o ano decisivo para as pretensões eleitorais do partido. Mesmo assim, acha que nem Aécio nem Serra vão se atropelar mutuamente nas disputas pela liderança e pela Mesa Diretora. "Eles não vão se expor assim", acredita Madeira.

Outros compartilham da esperança de um grande acordo político para evitar ainda mais constrangimentos ao partido. Serrista convicto, o deputado Jutahy Júnior (BA) assegura que um entendimento será costurado. "Não haverá disputa, vamos encontrar os nomes de consenso", assegurou. Ele tem histórico de divergência com o partido: chegou a criticar abertamente o candidato à Presidência, na época, Fernando Henrique Cardoso, por ter fechado um acordo, em 1993, com o então PFL de Antonio Carlos Magalhães (BA). Jutahy e ACM eram adversários ferrenhos.

"O cenário atual pode parecer complexo, mas temos que, neste momento, trabalhar a harmonia interna e escolher nomes que tragam unidade ao partido", completou o deputado Otávio Leite (RJ). O líder José Aníbal talvez reflita bem essa necessidade de conciliação política: alckmista confesso, mantém diálogo político com Serra. Ele aposta no bom senso dos governadores de São Paulo e de Minas para diminuir os atritos internos desnecessários.

Na opinião do líder, todo o esforço deve ser voltado para fortalecer a musculatura partidária diante dos desafios que estão por vir. "Os dois - Aécio e Serra - têm clareza de que não podemos brigar nesse momento". A razão é clara: apesar da crise internacional que diminuirá o ritmo de crescimento do país, Lula ainda terá capital político considerável para queimar em 2010.

CLIPPING - 23 DE NOVEMBRO

O Estado de São Paulo

FHC quer PSDB duro contra Lula

Ex-presidente diz, em encontro tucano, que partido deve escolher em seis meses o seu candidato à sucessão

Clarissa Oliveira

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu ontem a largada nos preparativos do PSDB para a eleição de 2010 e deixou claro o discurso que espera do candidato que for escolhido para tentar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Avisando que quer a definição de um nome dentro de aproximadamente seis meses, ele disse que é preciso apontar rapidamente “a voz” capaz de expor os ideais que levarão a sigla de volta ao comando do País. “Não precisamos ser agressivos pessoalmente com ninguém. Mas nem por isso vamos dizer: ‘tudo o que seu mestre fala está certo’. Não está. Temos que dizer: ‘o rei está nu, aqui, ali, acolá. Põe a roupa, presidente’”, afirmou FHC, arrancando aplausos de uma platéia de prefeitos e vereadores tucanos eleitos em outubro, organizado pelo PSDB paulista. “Não diga bobagem, presidente. Seja mais coerente com sua história. Não seja tão rápido no julgamento do que os outros fizeram. Perceba que uma nação se faz numa seqüência de gerações. Não seja tão pretensioso. Seja um pouquinho mais humilde”, prosseguiu. Após a abertura do evento, em entrevista, FHC minimizou as críticas. “Eu disse que todos temos que ser humildes. Ele, como ser humano, é bom que seja”. Além de cobrar um discurso incisivo contra o governo e o presidente, o tucano disse querer que o partido escolha seu candidato, no máximo, até o início do segundo semestre do ano que vem. Se em seis meses a sigla não chegar a um entendimento, ele acredita que os cotados - até agora os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais - devem disputar em convenção. “Não temos medo. Se tiver divisão, faça convenção. Escolha. Mas temos de ter o candidato.”FHC, que contou ter jantado na noite anterior com Serra, não economizou nos elogios ao governador paulista. Mas não falou sobre quem prefere para o posto: “Os dois são bons. Mas eu sou presidente de honra do partido. Não posso, antes da hora, antes de conversar com os dois, antecipar”.O próprio Serra também participou do evento, realizado para subsidiar prefeitos e vereadores com uma linha de ação para o novo mandato. O governador falou na cerimônia de encerramento, quando FHC já havia deixado o local. Líderes tucanos também se dividiram entre a manhã e o fim da tarde, entre eles o vice-governador Alberto Goldman, o secretário da Casa Civil no Estado, Aloysio Nunes Ferreira, o presidente municipal da sigla, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (SP), e o presidente nacional, senador Sérgio Guerra (PE). Este último evitou endossar a tese de que a escolha do candidato poderá ser decidida em disputa preliminar. “Não creio que essa questão vá ser levada à convenção ou prévias do partido. Se cultivarmos a união, é possível que isso esteja resolvido até o ano que vem.”Em meio à sucessão de críticas ao presidente Lula e ao seu governo, FHC disse que a atual administração traiu o eleitorado brasileiro. “O governo atual disse uma coisa para o País e fez outra”, afirmou. “Não podemos aceitar essa história de que todos os gatos são pardos. Nós não somos gatos pardos. Somos outra coisa. Somos tucanos.”Ele também não poupou o PT. Disse que as últimas eleições serviram de prova de que a sigla de Lula, derrotada em grandes centros, está sendo empurrada para os grotões. Agora, completou, a legenda ainda se mantém como reflexo da Presidência da República. Mas, na prática, deixou de ter uma presença ativa junto à sociedade.



Jornal do Brasil

Anna Ramalho

Serra ou Aécio?

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), trabalha para ser o vice na chapa do tucano que deverá concorrer à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.



O Globo

Merval Pereira

As forças regionais

NOVA YORK. Ao analisar os reflexos dos resultados da eleição municipal deste ano na sucessão presidencial de 2010, os cientistas políticos Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas, e Cesar Zucco, do Iuperj, fizeram um balanço de seus efeitos sobre a política interna de PT, PSDB e PMDB, partidos de onde provavelmente sairão os principais candidatos, e identificaram os estados-chave para a disputa de 2010. Eles lembram que a viabilidade da oposição em 2010 depende da sua capacidade de diminuir a vantagem governista em algumas regiões, e compensá-la em outras. A vitória da oposição nos estados do Sul e do Sudeste e em dois dos estados do Centro-Oeste (MS e MT) na eleição presidencial de 2006 ocorreu por uma diferença de 4,5 milhões de votos, pequena se comparada com os 10,5 milhões de votos de diferença no restante do país. A votação de Lula em 2006, lembram os autores, atingiu "níveis sem precedentes no Norte e no Nordeste", parecendo difícil a eles que, no Centro-Sul, um eventual candidato da oposição consiga vantagem muito maior do que obteve em 2006, ou mesmo que supere o desempenho obtido no Rio Grande Sul. O Estado do Rio, que deu mais de dois milhões de votos de vantagem para Lula, poderia propiciar ganhos para a oposição, mas a vitória de Eduardo Paes, e o conseqüente fortalecimento do popular governador Sérgio Cabral, sugere aos autores que quaisquer avanços do PSDB, principal articulador da campanha de Fernando Gabeira, serão muito limitados. Sobraria Minas, que, apesar da popularidade do já então governador Aécio Neves, deu um milhão de votos de vantagem para Lula em 2006. Segundo o estudo, reside em Minas o maior potencial de crescimento da oposição na região. Por isso, para os autores, continua em aberto a escolha do candidato do PSDB, uma vez que, sem o apoio entusiástico de Aécio, dificilmente a candidatura de Serra poderá decolar no segundo maior colégio eleitoral da federação e no estado considerado o centro geopolítico do país. Analisando mais detalhadamente a situação do PSDB, eles destacam que, embora sabidamente dominado por sua ala paulista, os grupos mineiro e cearense sempre foram importantes no partido. Para eles, no entanto, a "vitória esmagadora" de Serra na cidade de São Paulo, bem como o considerável desempenho do partido no estado, colocaram Serra em posição de vantagem. E a vitória estrondosa de Beto Richa em Curitiba e o relativo declínio da seção cearense deslocaram de vez o eixo do partido para o Sul e Sudeste do país. Os autores admitem que a atual configuração das forças internas do PSDB é, a princípio, amplamente favorável a José Serra, mas se mostram ainda em dúvida quanto à sua eventual candidatura ser viável em termos nacionais. Outro fator que poderá contribuir para o fortalecimento de Aécio, segundo os autores, é a busca de apoios para além do DEM. Embora a oposição precise se fortalecer no Nordeste, o PSDB, por conta própria, não tem muitas perspectivas nesta região, necessitando, portanto, de um aliado, analisam eles. Esse papel foi desempenhado em eleições passadas pelo ex-PFL, mas os autores duvidam que o partido possa continuar ocupando tal posição, pois na análise deles, o DEM deverá ser um parceiro ainda mais minoritário na aliança de centro-direita, por conta da perda de força na Bahia e em Pernambuco. Assim, se o PSDB ficar restrito a uma aliança somente com o DEM, dizem os autores, terá muito poucas chances de reduzir a vantagem governista no Nordeste, uma vez que, combinados, os dois partidos têm uma presença importante (porém declinante) no Ceará e na Paraíba, presença moderada em Pernambuco, e uma força muito limitada nos demais estados da região. O PMDB continuará sendo o partido-pivô, na avaliação do estudo. Não bastasse o crescimento da legenda em termos absolutos, ela se fortaleceu particularmente na Bahia e no Ceará, principais eleitorados do Nordeste, mantendo também presença considerável, e sempre maior que a do PSDB, nos demais estados da região, com exceção de Pernambuco. Os autores ressaltam, porém, que, apesar de ter se beneficiado muitíssimo do alinhamento com o governo, a adesão de importantes segmentos do PMDB ao governo não será automática em 2010. Eles lembram que, em seis dos onze maiores estados do país, o PMDB e o PT estiveram em lados opostos nas eleições nas capitais em 2008. Em três das mais importantes disputas, o PMDB e o PT foram protagonistas de acirradas disputas: Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Apesar destas disputas, importantes nomes do PMDB mineiro, gaúcho e baiano presentes no ministério - assim como as negociações com a sua ala paulista para a presidência da Câmara - serão peças-chave para consolidar o apoio de grande parte da agremiação. Caso o governo consiga manter a fidelidade desses setores do PMDB, a competitividade de uma candidatura de oposição ficará comprometida, analisa o estudo. No campo governista, Lula preferiu a manutenção de alianças a um fortalecimento irrestrito do PT. Os resultados não foram ruins para o partido, mas foram, na avaliação dos autores, muito melhores para o governo, uma vez que ele conseguiu evitar rachaduras explícitas na sua base de apoio, apesar de complicadas disputas regionais. Para os autores, a derrota do PT paulistano pode, paradoxalmente, ter fortalecido a posição de Lula com respeito à sua própria sucessão. Eles avaliam que com as vitórias na periferia da capital e uma pequena expansão do partido no interior de São Paulo, Lula passa a ter um controle maior sobre a principal seção do PT, controle que será essencial seja para emplacar um candidato de outro estado, seja para oferecer a cabeça da chapa para um partido aliado - hipótese, segundo os autores, remota, porém não impossível.



Estado de Minas

VIAGEM ESPARTANA


Impressionou o empresariado que acompanhou o governador Aécio Neves (PSDB) em sua viagem à França e à Itália a forma espartana com que ele se comportou. Apesar da agenda cheia, com eventos importantes e encontros com CEOs de algumas das maiores empresas européias, Aécio estava acompanhado de poucos assessores. Detalhe: cada empresário que integrou a comitiva fez a viagem por conta própria, pagou as contas com o próprio bolso.

domingo, 23 de novembro de 2008

CLIPPING - 22 DE NOVEMBRO

Estado de Minas

FHC: crise favorece Aécio

ELEIÇÕES 2010
Ex-presidente diz que ainda é cedo para definir candidato tucano para disputar sucessão, mas adianta que o governador de Minas demonstra grande capacidade administrativa

Tudo vai depender de como cada um se posiciona politicamente diante da crise. Pode ser o Serra, pode ser o Aécio, que faz um grande governo em Minas e pode sair desta crise como o melhor nome do partido - Fernando Henrique Cardoso,ex-presidente da República

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que ainda é muito cedo para o PSDB definir seu candidato a presidente da República em 2010, diante do impacto da crise econômica mundial no Brasil, e que a opção da legenda dependerá das circunstâncias da eleição. “Tudo vai depender de como cada um se posiciona politicamente diante da crise. Pode ser o Serra, pode ser o Aécio, que faz um grande governo em Minas e pode sair dessa crise com o melhor nome do partido”, admitiu. Fernando Henrique tem almoço marcado com o governador de Minas para 2 de dezembro, em Belo Horizonte. O impasse na definição do candidato do PSDB, segundo Fernando Henrique Cardoso, só será resolvido perto da eleição, em função da mudança de cenário político. “O fundamental é o partido chegar unido em 2010, mas não tenho dúvidas de que as circunstâncias é que determinarão o perfil do candidato. Quem parece ser o melhor nome hoje pode não ser amanhã”, avalia. O ex-presidente da República, que considerava Serra mais experiente para o cargo, reavaliou seu posicionamento: “Aécio demonstrou grande capacidade administrativa no seu governo”, diz. FHC anunciou o encontro com Aécio para os primeiros dias de dezembro durante gravação de entrevista exclusiva para o programa 3 a 1 da TV Brasil, que vai ao ar na próxima quarta-feira. Durante a entrevista, ele defendeu o programa de privatizações de seu governo, negou qualquer envolvimento com o banqueiro Daniel Dantas nos leilões das empresas de telefonia e disse que não quis privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil porque considera as duas empresas estratégicas. “Privatizar ou estatizar depende das circunstâncias, o importante é garantir a concorrência”, justificou. “O que é me preocupa agora é que está havendo muita concentração”, criticou. Durante a entrevista, Fernando Henrique criticou os gastos do governo federal, mas negou que aposta no quanto-pior-melhor. “É claro que torço para que as medidas adotadas por Lula dêem resultado positivo para o país. Quem mais sofre com a crise é o povo; quero o melhor para o Brasil”, disse o tucano. Ao comparar a crise atual com a que enfrentou durante o segundo mandato, disse que a situação é muito diferente: “Naquela época, houve crise cambial, agora o problema é a falta de liquidez nos Estados Unidos”. Muito ligado ao Partido Democrata, Fernando Henrique destacou a importãncia da eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, mas disse que o Brasil não deve teve ter ilusões com relação ao tratamento dado ao nosso país pelo futuro governo norte-americano. “Enquanto eles estiverem plantando milho, nós não vamos quebrar as barreiras ao etanol brasileiro. Eles se movem por interesse e nós temos de fazer a mesma coisa.”, disse. Segundo ele, a eleição de Obama tem significado muito importante, “porque é um negro na presidência da maior potência do planeta”, mas as relações entre o Brasil e os EUA continuarão tendo pontos de aproximação e pontos de afastamento. Simbolicamente, segundo ele, o fechamento da prisão de Guantanamo já sinaliza uma mudança de rumo na política externa , mas Obama vai dar prioridade aos próprios problemas dos EUA.


Estado de Minas

Pressão da base


O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), será muito pressionado para realizar prévias no partido. É que muitos tucanos saíram das urnas convencidos de que a principal lição da disputa municipal foi a necessidade de fortalecer as bases do partido e que o melhor caminho para isso é a consulta a todos os filiados ao partido sobre quem deve ser o candidato à Presidência da República. A briga é entre os governadores Aécio Neves e José Serra.


Isto é

Brasil confidencial

por Octávio Costa

Prévia tucana vai ao TSE


A sugestão do governador Aécio Neves de que o PSDB realize consultas prévias para escolher seu candidato à sucessão de 2010 pode esbarrar no TSE. Acontece que a legislação brasileira não prevê o mecanismo de primárias que nos Estados Unidos ajudou a difundir nacionalmente o nome de Barack Obama, graças à disputa acirrada com Hillary Clinton pela indicação do Partido Democrata. Um dos problemas é o seguinte: como José Serra e Aécio Neves poderiam fazer campanha e pedir votos às bases tucanas em período pré-eleitoral? Pelo sim, pelo não, o PSDB encaminhou consulta ao TSE e aguarda uma defi nição para o início do ano que vem.

sábado, 22 de novembro de 2008

CLIPPING - 21 DE NOVEMBRO

Zero Hora

Direto de Brasília

Klécio Santos

Aves migratórias

Se tem um partido que pensa 24 horas na sucessão presidencial de 2010, esse é o PSDB. Depois de dois mandatos do PT, os tucanos enxergam na saída de cena de Lula a grande chance de retomar o poder. Não à toa Aécio Neves e José Serra não perdem tempo. Lula se aproximou de antigos adversários? Pois Aécio inovou e transformou os próprios petistas em aliados eleitorais em Belo Horizonte. O presidente criou um PAC? Serra não deixou por menos e anda anunciando que investiu ainda mais que o Planalto em obras de infra-estrutura.À frente de gestões exitosas, Aécio e Serra não têm poupado dinheiro nem empenho para viabilizar suas pretensões eleitorais. No jogo entre Brasil e Portugal, quarta-feira, o governador paulista passou boa parte do tempo alheio às jogadas de Kaká e Robinho. Estava interessado era em conversar com o colega do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do DEM. Nos bastidores, se comenta que essa pode ser uma chapa competitiva para 2010. É exatamente para aprimorar esse debate que os tucanos sobem em revoada a Serra gaúcha a partir de hoje.Diante da ausência de Aécio, Serra atrairá todos os holofotes. Mas até mesmo a governadora Yeda Crusius, que há bem pouco tempo era motivo de preocupação do tucanato, ganha destaque por conta do propalado déficit zero. O modelo, aliás, é copiado de Aécio e tem inspiração na iniciativa privada. O problema é que essa bandeira, por mais que represente um compromisso com a boa gestão, talvez não seja a mais adequada para uma campanha presidencial. O eleitor quer saber mesmo é de renda, emprego, consumo e programas sociais.


O Globo

Ancelmo Gois

Filme sem Petrobras Com o adiamento, por causa da crise, para fevereiro ou março de 2009 da entrega dos projetos, a Petrobras, a rigor, vai ficar um ano sem investir na produção de filmes brasileiros. O último edital foi em março de 2007. Segue... A Petrobras está para o cinema assim como a Caixa Econômica, por exemplo, está para o setor imobiliário. O bom filho a casa.... Há uma articulação petista para convencer o senador e ex-ministro Cristovam Buarque a retornar aos quadros do partido. Aliás... Fernando Haddad, no Congresso, quarta, lembrava a um deputado, sobre um tema de longo prazo, que em 2011 não seria mais ministro da Educação. Minutos depois, Haddad recebeu um bilhete: "Só se eu perder a eleição para presidente, de novo." Assinado Cristovam Buarque.

A arma de cada um De Delfim Netto numa roda de amigos em Paris: - Aécio e Serra têm iguais condições de serem candidatos do PSDB em 2010. Mas os dois têm estilos políticos diferentes. Aécio disputa o lugar com florete e Serra, com machado. Por falar em... Delfim tem freqüentado sebos em Paris à procura de livros sobre.... a economia muçulmana entre o século VIII e o XII. Segundo ele, é a melhor maneira de entender a crise atual. É. Pode ser. Cinema a R$4 A Ancine vai repetir, de 24 a 27 agora, aquela promoção de filmes nacionais a R$4, a inteira, e a R$2, a meia, nos cinemas. Nas duas primeiras semanas da promoção, 25 filmes brasileiros foram exibidos em 417 salas de várias cidades.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CLIPPING - 20 DE NOVEMBRO

Correio Braziliense

Aécio na estrada


O presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Égide Meneguetti, vai reunir 3 mil pessoas para ouvir o governador de Minas, Aécio Neves, e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, em 1º de dezembro. E Meneguetti, ao marcar o encontro, avisou: “É o melhor palanque que posso dar a um candidato a presidente”.


Estado de Minas

Fiat vai manter os R$ 5 bi para Minas


Os investimentos de R$ 5 bilhões do Grupo Fiat em Minas Gerais estão mantidos, apesar das dificuldades enfrentadas pela economia global. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da empresa, Sergio Marchionni, durante encontro com o governador Aécio Neves em Turim, na Itália. O acordo de cooperação técnica e intercâmbio entre o grupo e o governo mineiro, que resultará também na expansão das unidades de Betim, Sete Lagoas e Contagem, deverá gerar 5,6 mil empregos diretos até 2010. O governador e a direção da empresa assinaram também o protocolo de intenções para a criação de um centro de inteligência em combustíveis na planta da Fiat em Betim. O investimento se justifica pela presença da empresa nesse mercado. A Fiat, que detém 24,7% do mercado brasileiro de automóveis, tem 38% dos carros flex no país, o que corresponde a 2,7 milhões de veículos. “Esse investimento em novas alternativas de combustíveis nos coloca em um novo patamar da indústria automobilística. Isso vai agregar novos empregos qualificados àqueles que já existem em Minas Gerais e que serão também ampliados pelos novos investimentos aqui hoje garantidos”, disse o governador na solenidade, que também contou com a presença de empresários brasileiros e italianos. Marchionni reafirmou seu otimismo em relação à economia brasileira. “O Brasil é um país com capacidade de sofrer menos os impactos da crise global, porque tem uma base econômica sólida e um perfil exportador. Isso reforça a nossa confiança no país, que para nós representa o segundo mercado mais importante do mundo, depois da própria Itália. Já temos 32 anos de relacionamento com Minas Gerais, e hoje eu posso dizer que a Fiat, sem o estado, não seria a mesma”, afirmou Marchionni. O Grupo Fiat gera hoje 25 mil empregos diretos no país. Somente em Betim (MG), onde está instalada a maior fábrica da empresa no mundo, são 15 mil empregos. Os investimentos em Minas fazem parte do plano do grupo de aplicar R$ 6,4 bilhões no Mercosul, entre 2008 e 2010. Além da ampliação da Fiat Automóveis, em Betim, e da Iveco, em Sete Lagoas, o grupo vai investir na expansão da FPT Powertrain Technologies, em Betim e Sete Lagoas; da Teksid, em Betim; da New Holland Construções, em Contagem; e da Magneti Marelli, em Contagem e Lavras. A empresa prevê um incremento de R$ 11 bilhões em seu faturamento, no decorrer de quatro anos, após a implantação desses projetos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

CLIPPING - 19 DE NOVEMBRO

Estado de Minas

Disputa polarizada em 2010

Cientistas políticos apostam que PT e PSDB vão aglutinar partidos à esquerda e à direita

Eleições polarizadas entre dois grandes eixos de coligações: de um lado, PSDB, DEM e PTB e legendas mais à direita; de outro, PT, PCdoB e demais partidos mais à esquerda. O PMDB indefinido, até se posicionar junto ao pólo que perceber maiores chances de vitória. O PT entra na disputa sem a maior estrela, Lula, provavelmente com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, carregando ainda a interrogação de até que ponto o presidente será capaz de transferir votos à petista. Uma crise internacional que provavelmente chegará ao Brasil com intensidade moderada, não o suficiente para abater a popularidade do governo Lula. E por fim, a incógnita em relação ao posicionamento político do governador Aécio Neves, caso a indicação do PSDB para concorrer ao Planalto recaia sobre o governador paulista, José Serra: Aécio se arriscará a construir um novo cenário, ingressando no PMDB, abrindo uma terceira via? Em torno desses pontos concordam os cientistas políticos Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Carlos Ranulfo de Melo e Juarez Guimarães, ambos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que ontem abriram o Simpósio Nacional de Marketing Político e Opinião Pública, organizado pela UFMG e Uni-BH com a palestra “O Brasil após Lula: como ficam as eleições presidenciais de 2010?” Também integraram a mesa os professores Dalmir Farancisco (UFMG) e Luiz Ademir de Oliveira (Uni-BH).Todos reconheceram que, diferentemente da baixa acuidade das previsões de economistas, a ciência política alcança melhor capacidade preditiva. “A dose de imprevisibilidade na ciência política nem chega perto da probabilidade de um indivíduo perder na bolsa por aconselhamento de economistas”, assinalou Marcus Figueiredo. Num sistema eleitoral estável e com lógica em torno de uma bipolarização da disputa, a crise internacional não atingirá o país profundamente, considerou Carlos Ranulfo. Com ele fez coro Juarez Guimarães: “Não seremos capturados pelo processo recessivo”, disse , em referência ao eventual impacto da crise sobre a avaliação do governo federal. Para Guimarães, o governo Lula teve mais êxito do que o governo Fernando Henrique Cardoso em incorporar direitos sociais, ampliando a base social do estado brasileiro. Na opinião do cientista, na hipótese de uma crise branda, o discurso de uma eventual candidatura de Serra, que em 2002 enfatizou a “continuidade sem continuísmo” será de difícil assimilação. “Qual seria o lema de Serra? Será o retorno sem volta? O retorno a um governo impopular que não se sustenta diante da comparação de indicadores em nenhuma área?”, indagou Guimarães. Nesse sentido, ele afirmou que, se configurada a indicação de Serra no PSDB, há a hipótese de Aécio filiar-se ao PMDB. Para ele, contudo, esse é um movimento de “alto risco”, dada a opção histórica do PMDB de investir nas candidaturas regionais em detrimento da disputa presidencial. Na mesma linha de análise, Marcus Figueiredo e Carlos Ranulfo consideraram que o PMDB não lança candidatos no plano nacional porque, dada a sua força federativa, qualquer dos lados que vença a disputa precisará da legenda para governar. “O PMDB é um enigma”, assinalou Figueiredo. “Ganhe quem ganhar, terá de recorrer ao PMDB para ter maioria no Congresso”, acrescentou Ranulfo.


Estado de Minas

Movimento no ninho

O PSDB mineiro deve se movimentar nos próximos dias para manifestar o desejo de ter candidatura própria ao Palácio da Liberdade em 2010. A idéia é liberar o governador Aécio Neves (PSDB) para cuidar das articulações nacionais e impedir que ele fique a reboque de negociações de outros partidos, em especial o PT do prefeito Fernando Pimentel. Além disso, os tucanos sabem que podem precisar de um palanque forte no estado e não querem correr riscos.



Correio Braziliense

Nas Entrelinhas

Luiz Carlos Azedo

O tempo de cada umAs chances de Serra e Aécio estão numa espécie de meio-termo: um cenário de crise que impeça a alavancagem de Dilma, sem ao mesmo tempo arrasar São Paulo e Minas
Mudou o paradigma da política brasileira. A crise mundial, com seus reflexos no Brasil, condiciona a sucessão presidencial de 2010. Ainda não levou de roldão as candidaturas já existentes nem possibilitou o surgimento de um salvador da pátria, mas já aparecem interessados em desempenhar esse papel, como o delegado federal Protógenes Queiroz, que conversa com o PSol. Queda-de-braço Há uma corrida contra o relógio. O governo pisa no acelerador para executar seus programas, tenta segurar o dólar e garantir o crédito para amortecer os impactos da crise na vida do cidadão. A oposição administra o discurso contra o governo Lula e endossa as medidas anticíclicas. Está com um olho no emprego, outro na inflação. A grande incógnita é saber até onde irá a redução da atividade econômica. Essa variável determinará se a equação gastos públicos versus arrecadação tributária será resolvida antes ou depois das eleições de 2010. O xis da questão é a taxa de juros. Para muitos, chegou a hora de eliminar uma taxa de juros excessivamente elevada. A crise de liquidez fortaleceu o grupo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na sua queda-de-braço com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Depois de capitalizar a operação de salvamento do setor financeiro, Meirelles começa a sofrer o desgaste provocado pela redução da atividade econômica. Para a cozinha do Palácio do Planalto, há espaço para redução da taxa de juros. Seria a maneira de evitar uma recessão mais grave e a alta da inflação. Meirelles resiste. Argumenta que para isso é necessário austeridade fiscal, o que não está acontecendo. Ou seja, se o governo continua gastando, é preciso manter uma taxa de juros que torne os títulos públicos atrativos para os investidores estrangeiros; para reduzir os juros, seria indispensável reduzir os gastos públicos na proporção igual ou superior à queda da arrecadação. É uma escolha de Sofia, que o presidente Lula está empurrando com a barriga. Baixas taxas de juros, câmbio estável e competitivo e inflação sob absoluto controle são tarefas para o futuro governo. Sucessão à vista Lula mira na própria sucessão. Administra a crise de maneira a viabilizar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nada de cortes nos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que a ministra comanda. Nada de redução dos gastos sociais do governo com as parcelas mais pobres da população. A palavra de ordem é poupança zero, consumir para preservar empregos e salários. Se o governo surfar a crise dessa forma, a sucessão de 2010 estará no papo. O problema dessa estratégia é o tempo. Com forte viés eleitoral, não pode ser mantida a longo prazo. Seu sucesso depende da velocidade do impacto da crise mundial na economia brasileira. Na crise, a oposição se finge de morta. Onde tem o poder regional, está no mesmo barco do governo Lula. Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, os dois presidenciáveis do PSDB, procuram ganhar tempo. Os dois estados serão os mais atingidos pela crise. Seus governos terão problemas se a situação sair do controle e a recessão for para valer. As chances de Serra e Aécio estão numa espécie de meio-termo: um cenário de crise que impeça a alavancagem de Dilma, sem ao mesmo tempo arrasar São Paulo e Minas. Eis uma situação clássica da política, já descrita por Maquiavel, na qual a fortuna escolhe a virtude que mais lhe interessa.



Valor Econômico

"Quem abrir o jogo leva pedrada", diz FHC sobre Serra x Aécio


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em palestra no Senado, defendeu medidas de fortalecimento do Congresso Nacional em relação ao Poder Executivo, como "limitar a fúria das medidas provisórias" e adotar medidas de controle do Orçamento da União. "Se o Congresso abdica do controle do orçamento e das MPs, evidentemente haverá uma hipertrofia do Executivo", afirmou.

Na primeira vez que retornou ao Senado após deixar a Presidência da República (2002), FHC defendeu um "equilíbrio maior" entre os três Poderes, alertando também para o risco de "hipertrofia também do Judiciário" e diminuição do Legislativo.

Em entrevista, FHC afirmou ser cedo para apontar quem vai ser o candidato do PSDB à Presidência da República: José Serra ou Aécio Neves. "(Eles) Não são políticos inexperientes e sabem que, se começar abrir o jogo agora, vai levar pedrada o tempo todo. Temos de ter calma", afirmou.

A idéia de aprovação de uma proposta que abra um prazo para que parlamentares troquem de partido (a chamada "janela") foi criticada pelo ex-presidente. Ele, no entanto, acha que o político não deve ficar "enjaulado". Defende um mecanismo que possibilite a mudança de partido, mas submeta o político a uma sanção, como torná-lo inelegível temporariamente, caso troque de legenda.

"Se abrir a janela, muita gente pula fora. Essas coisas têm de fazer com muita seriedade, acho que dar um jeitinho não é bom. Evidentemente, não se pode criar um sistema como agora, em que você muda de partido a toda hora por razões puramente pessoais, por outro lado você não pode enjaular as pessoas. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio".

O ex-presidente abriu o ciclo de debates sobre o Poder Legislativo, promovido pelo Interlegis - órgão do Senado criado para modernização e integração do Poder Legislativo em seus três níveis, federal, estadual e municipal. Antes de FHC, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), fez um rápido pronunciamento, em que voltou a criticar o excesso de MPs editadas pelo Executivo. E disse que a cobrança incluía o ex-presidente. FHC lembrou que as MPs foram criadas pela Assembléia Nacional Constituinte para dar "agilidade" ao presidente da República. Disse que a falta de limites à reedição era arbitrário, mas a situação agravou-se com a mudança constitucional durante sua gestão, que proibiu a reedição de MPs e criou o mecanismo de obstrução da pauta. "O presidente, agora sim, pára o Congresso".

Em sua palestra, FHC também citou o "poder político" concedido pela Constituição ao Supremo Tribunal Federal (STF), que agora começa a exercê-lo. Citou, como um dos instrumentos que dão ao STF esse poder, o "mandado de injunção", por meio da qual representantes da população podem se queixar de um dispositivo constitucional não regulamentado. "Criamos a possibilidade de o Supremo exercer um papel político maior do que jamais houve no Brasil e ele começa a exercer isso".

FHC disse que está faltando ao Congresso uma "agenda de transformação". Segundo ele, quando há uma agenda, o Congresso promove debate na sociedade e passa a ter força. Mas o que está acontecendo, na sua opinião, é que o Congresso está a reboque do Executivo. "Quando o Executivo perde a agenda, o Congresso se perde, fica sem saber para que rumo vai."



Jornal do Brasil

A candidata Dilma e a nuvem

Villas-Bôas Corrêa

A candidatura da ministra Dilma Rousseff foi lançada com grande antecedência e pouco a pouco, nas intencionais inconfidências do presidente Lula, quando o céu de brigadeiro da plena euforia com o maior governo, etc confirmava que, com a sua popularidade, ele elegeria um poste.
O êxito é a mais perfeita mesinha que cura todos os males e imuniza o beneficiado contra os imprevistos do destino. Mas, a política, como ensina o conselheiro, é uma caixinha de surpresas. Lula aperfeiçoou a tática para empurrar a candidatura da sua escolha pessoal, sem consultar ninguém ou dar a mínima atenção ao PT e seus dirigentes embrulhados em denúncias que nem foram apuradas para valer ou desmentidas com provas definitivas.
Para ligar a ministra-candidata aos êxitos estatísticos oficiais, passou a incluí-la como presença obrigatória nas suas viagens domésticas e internacionais do campeão de milhas voadas no aerolula. Dona Dilma passou a ser a sombra do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, que nos dois últimos anos úteis do mandato da reeleição – 2010 é ano de campanha e de eleição para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais – promete inaugurar obras em todos os estados, em milhares de municípios, resolvendo problemas crônicos, desatando todos os nós que embaraçam a nossa milagrosa passagem pelo túnel do passado para o futuro.
Sem contestação séria no bloco aliado e com o PT mudo, sem soltar um pio, a ministra foi avançando no terreno baldio e a sua candidatura pousando no consenso do fato consumado.
A nuvem da crise financeira internacional não deu tempo para ser percebida no céu da euforia e pegou o mundo de surpresa. O governo fez o que pôde para fingir que a ignorava, com Lula alternando adjetivos e substantivos para distrair a platéia: "Se chegar ao Brasil, será quase desapercebida", depois promovida a marola e admitida na sua evidente gravidade.
É de cristalina evidência que o presidente continua com o controle político do esquema que montou sem poupar a viúva para manter viva a chama dos compromissos. Lula foi de uma generosidade sem limites. Para adquirir o apoio do PMDB, que estava em oferta na praça, entregou ministérios, autarquias, fatias do bolo, pacotes de caramelos, a transposição do rio São Francisco para acudir a sede do Nordeste.
Mas, como a roda da ambição não pára, com os sacolejos da crise, velhas e novas cobranças chegam ao balcão. A presidência do Senado, valorizada pelo desempenho do senador Garibaldi Alves, que martela as críticas e cobranças, é reivindicada pelo PT, enquanto a presidência da Câmara está escorregando para os braços do presidente do PMDB, deputado Michel Temer.
Enfim, entre arranhados e feridos, salvam-se todos. O ano está acabando e a carga passa para o decisivo 2009. Cada qual com o seu lote de dúvidas. O desafio da oposição passa e termina com a acomodação dos governadores de São Paulo, José Serra e Aécio Neves, de Minas, na chapa com duas vagas de peso diferente.
A ministra Dilma, sem concorrente com cacife para enfrentar o padrinho da sua candidatura, dissimula as apreensões e vem fazendo o possível para domar o seu temperamento e conquistar as simpatias da base.
Mas, é a nuvem da crise que escurece o horizonte e não abre a brecha para que se enxergue mais do que um palmo adiante do nariz.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

CLIPPING - 18 DE NOVEMBRO

O Globo

Panorama Político

Ilimar Franco

Aécio, o candidato O governador Aécio Neves vai enfrentar o favoritismo do governador José Serra no PSDB. Ele quer que o partido escolha seu candidato a presidente em uma prévia. "A escolha não pode ser só interna. Temos que ampliar o apoio popular. Não podemos disputar da mesma forma que perdemos com o Serra em 2002 e com o Alckmin em 2006", afirma o deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), braço parlamentar de Aécio.


Zero Hora

“É difícil falar em fusão agora”

Enquanto correligionários articulam a fusão com o PSDB, o presidente do PPS, Roberto Freire, prefere cautela. Para ele, o único movimento de aproximação é o apoio mais do que certo do PPS a José Serra ou Aécio Neves, potenciais candidatos em 2010. Freire considera a discussão capitaneada pelo gaúcho Nelson Proença (PPS) legítima, mas pondera que o tema não está em pauta. Do lado tucano, o principal entusiasta é Serra – que já fala até mudar o nome do PSDB de Partido da Social Democracia Brasileira para Partido Social-Democrata Brasileiro, mudança sutil para acolher os possíveis novos companheiros. A seguir, a síntese da entrevista:Zero Hora – O que há de concreto em torno da possibilidade de fusão entre o PPS e o PSDB, ?Roberto Freire – Existe um debate de alguns parlamentares, mas por enquanto o partido trata apenas da discussão de aliança na eleição presidencial de 2010. Hoje há um certo consenso de que a aliança deverá ser com o PSDB, com as candidaturas de Serra ou de Aécio. A aliança deve ser com um deles, mas nada de fusão até agora.Zero Hora – Qual é a sua opinião pessoal sobre essa possibilidade?Freire – Não acho que (a fusão) deva ser a posição mais correta. Um projeto em torno de José Serra, com o PPS bem articulado, pode representar uma vertente de esquerda importante para esse bloco político.Zero Hora – O mau desempenho do PPS nas eleições municipais é um argumento a favor da fusão?Freire – Não. O PPS não foi bem nas eleições se você comparar com 2004, mas em relação ao PPS que nós tínhamos antes de 2004 houve um grande crescimento.Zero Hora – O fato de integrantes do partido estarem articulando essa fusão lhe incomoda?Freire – Com meu partido não me incomodo. As mudanças nos partidos de esquerda estão ocorrendo em vários países do mundo, e nós temos isso de forma permanente como parte da nossa discussão. Não há nada de estranho quando se discute isso.Zero Hora – O PPS foi gestado por egressos do PCB. No governo de Fernando Henrique, o PSDB ficou marcado como neoliberal. Não é incoerente falar em fusão ou mesmo aliança?Freire – Nunca vi tanto neoliberalismo quanto no governo do PT, o que não significa que o PT tenha isso no seu programa, nem o PSDB. O PSDB é uma esquerda moderna, ao contrário do que querem dizer. A social democracia é mais avançada porque entende mais esse mundo novo do que a velha esquerda. É como eu disse em 2002. Lula foi apoiado pela esquerda, mas o candidato de esquerda era o Serra.Zero Hora – Como o senhor vai tratar essa questão dentro do PPS?Freire – É difícil falar em fusão agora porque não está em discussão, é idéia de uns poucos. Mas, se for do interesse da ampla maioria dos dois partidos, claro que os entraves se superam com facilidade. Se alguns desses problemas forem suficientemente fortes para impedir essa discussão, digo agora que não vai prosperar.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

CLIPPING - 17 DE NOVEMBRO

O Estado de São Paulo

Governo prepara onda de concessões

Quase 9 mil quilômetros de estradas se tornarão privadas até agosto de 2009; investimento previsto é de R$ 22 bi

Renée Pereira

Sem se intimidar pela crise financeira que se alastra mundo afora, governos federais e estaduais preparam uma nova onda de concessões rodoviárias de norte a sul do País. Até agosto do ano que vem, cerca de 8,9 mil quilômetros de estradas deverão ser transferidas para a iniciativa privada, que ficará responsável por investimentos da ordem R$ 22 bilhões na melhoria, modernização e duplicação das vias. No total, 24 trechos serão contemplados em leilões de concessão ou por meio de parceria público-privada (PPP). Especialistas garantem que há apetite por parte dos investidores, apesar da crise financeira e da escassez de crédito. Mas alertam que tudo vai depender das condições estabelecidas nos editais e da rentabilidade do negócio. Alguns trechos podem não ter a disputa esperada, especialmente por parte das grandes empresas do setor. Novos nomes devem surgir, especialmente em áreas onde ainda não há concessões.O pontapé inicial será dado com o leilão das rodovias federais BR-324/BR-116, entre Salvador e a divisa da Bahia com Minas Gerais, marcado para 1º de dezembro, cujos investimentos somam R$ 1,9 bilhão. O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, garante que a licitação não será adiada e que os investidores têm demonstrado interesse na concessão.Empresas do setor, porém, como Cibe (empresa de concessão rodoviária da Equipav e Bertin), a espanhola OHL e a Triunfo Participações, não pretendem participar da disputa. A CCR, uma das maiores do País, não confirmou se participará ou não por questões estratégicas. Ainda assim, Passos diz estar confiante no êxito do leilão. “É claro que o ambiente econômico mudou comparado ao último leilão federal de 2007, mas estamos confiantes que haverá interesse empresarial.”O otimismo é tanto que, na seqüência, o ministério fará o leilão das BR-040, BR-116 e BR-381, todas em Minas Gerais. Segundo Passos, o edital deverá sair em janeiro e a concessão, em março. Nesse caso, OHL e Cibe confirmaram que avaliam a possibilidade de participar, mas a decisão final dependerá das condições do edital. O presidente da VAE Consultores, Francinete Vidigal Jr., explica que as companhias procuram trechos que possam trazer sinergias com outras rodovias já arrematadas. É o caso da BR-381 e a Fernão Dias, em Minas, arrematada pela OHL, em 2007. Faria todo sentido a espanhola disputar o leilão da estrada, como já manifestou interesse. Mesma situação ocorre com os novos trechos do Rodoanel, que cairiam como luva para a CCR, vencedora do trecho Oeste e detentora da concessão da Anhangüera, Bandeirantes, Castello Branco e Raposo Tavares. A próxima concessão do Rodoanel será o tramo Leste, cujo processo deve ocorrer durante o primeiro semestre, segundo o secretário de Transportes do Estado de São Paulo, Mauro Arce.Ele explica que a concessão será um pouco diferente, já que o vencedor terá de construir o trecho de 40 quilômetros e R$ 2,6 bilhões de investimentos. “Temos expectativa de que essa obra esteja pronta em março de 2010.” O secretário adiantou ainda que deve antecipar os estudos do Rodoanel Norte, que será concedido em duas etapas. A decisão de levar adiante todos esses planos de concessões, apesar da forte incerteza no mercado mundial, foi motivada especialmente pelo resultado positivo do leilão de concessão do Governo de São Paulo, realizado no fim de outubro. As empresas privadas arremataram todos os cinco lotes ofertados, com deságios superiores a 50%.O Estado de Minas Gerais, por exemplo, encerrou na semana seguinte do leilão paulista a primeira fase do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para a concessão de PPP de estradas no Estado. Em janeiro, a secretaria estadual lançou o programa em que as empresas interessadas podiam fazer estudos para trechos definidos. Agora, eles receberam a proposta dessas companhias. O secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Fuad Noman, conta que 63 empresas entregaram estudos técnicos para 17 trechos de rodovias.De acordo com os projetos apresentados, as estradas vão exigir investimentos da ordem de R$ 8,9 bilhões para recuperar 5,8 mil quilômetros. Nomam explica que a próxima fase é fazer a consolidação dos estudos, o que deve ocorrer até dezembro. Em seguida, o material vai para audiência pública, depois o edital é lançado e, enfim, a licitação. Tudo isso deve ocorrer durante o primeiro semestre de 2009.O programa mineiro será a maior concessão rodoviária da América Latina e, além dos benefícios para a infra-estrutura, deve garantir pontos positivos para o governador Aécio Neves (PSDB) numa possível disputa com o governador de São Paulo, José Serra (do mesmo partido), para a presidência da República, em 2010. Serra, no entanto, não está perdendo tempo. No leilão dos cinco lotes de rodovias, incluiu a obrigação dos vencedores de recuperar cerca de 900 quilômetros de estrada vicinais no Estado.Longe das disputas no eixo Minas-São Paulo, o governo de Mato Grosso também prepara sua estréia nas concessões rodoviárias até o fim de fevereiro.Trata-se da MT-130, entre Primavera do Leste e Rondonópolis, por onde passam cerca de 13 mil veículos por dia. De acordo com os estudos, o vencedor poderá instalar dois pedágios nos 122 quilômetros concedidos, no valor de R$ 3.Segundo o secretário-adjunto de Transportes de Infra-Estrutura do Estado de Mato Grosso, Alexandre Corrêa de Mello, outros 518 quilômetros são passíveis de concessão e estão em estudo no momento. “Hoje pouco mais de 15% dos 28 mil quilômetros de estradas estaduais são pavimentadas no Mato Grosso.”No Nordeste, o governo baiano deverá conceder à iniciativa privada, até agosto de 2009, o sistema viário BA-093, composto por dez trechos rodoviários de quase 200 quilômetros. A estrada interliga os principais pólos industriais do Estado (Candeias, Camaçari e Centro Industrial de Aratu), terminais portuários de Aratu e o aeroporto internacional de Salvador, o que possibilitará o aumento das exportações. Hoje, mais de 50% do PIB da Bahia trafega pelo sistema viário BA-093.“Os governos federal e estadual estão extremamente otimistas por causa do sucesso do leilão paulista”, diz o sócio da Porto Advogados, Pedro Paulo Porto Filho. Na avaliação dele, esse mercado continuará aquecido, mas agora ficará mais realista. Isso significa deságios menores. “Deve-se ressaltar também que a concessão de crédito pelos bancos é imprescindível para as licitações serem bem sucedidas.”

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

CLIPPING - 16 DE NOVEMBRO

Folha de São Paulo

Brasília - Eliane Cantanhêde: O PMDB, que PMDB?


BRASÍLIA - Diz-se que o PMDB vai fazer isso ou aquilo, vai apoiar fulano ou ficar com a sicrana. OK. Mas o que é e quem é o PMDB?Jader Barbalho e Renan Calheiros já despencaram, José Sarney está indo ladeira abaixo no Maranhão, Orestes Quércia é personagem só de São Paulo, Sérgio Cabral e Eduardo Paes foram tucanos, estão peemedebistas, são lulistas e podem virar muitas coisas até 2010.Se um PMDB é forte, é o de Geddel Vieira Lima, que não brinca de esconde-esconde. Com ele, o negócio é escancarado e ele vai logo avisando, a quem interessar possa, que apóia o petista Tião Viana à presidência do Senado e está com Lula e não abre. Mas ele não une o PMDB, nem manda no partido.Apesar de Sarney estar frágil no Maranhão, leva vantagem. Tem status de ex-presidente da República, sabe ocupar espaços no Congresso e no Executivo e tem bom gênio, o que, em política, conta. É ouvido, influencia. E está sendo assediado pelo PSDB do Serra e pelo DEM do Bornhausen.A dificuldade: os Sarney (inclusive d. Marly) têm horror a Serra, a quem atribuem a bomba Lunus da Polícia Federal que detonou a candidatura de Roseana à Presidência. E a facilidade: a PF de Lula agora tem pilhas de documentos e suspeitas sobre o empresário Fernando Sarney. Ou seja, se um foi algoz de Roseana e outro é de Fernando, o jogo está zerado e papai Sarney pode se sentir descompromissado com os dois lados.Por ora, "o PMDB" -seja lá o que isso signifique, além da soma de grupos estaduais e tempo de TV- tenta convencer o tucano Aécio Neves de que quer um nome próprio em 2010. Mas ele não é ingênuo para cair na mesma esparrela de Itamar, Garotinho e outros que entraram no partido para disputar e não tiveram a legenda.No fundo, o PMDB vai para onde for a economia. O destino do partido está sendo jogado não em Brasília, mas em Washington.



Estado de Minas

O fator 2010

Ações anticrise anunciadas pelo governo têm, como alvo, eleição presidencial dentro de dois anos

Se você costuma seguir o noticiário econômico, já deve ter reparado. Desde o fim de setembro, com o agravamento da crise financeira internacional, o governo brasileiro já anunciou algumas dezenas de medidas – algumas delas polêmicas – para não deixar as engrenagens da economia pararem. As propostas incluem desde liberação de recursos do depósito compulsório para que os bancos possam emprestar mais dinheiro a seus clientes à liberação de R$ 2 bilhões, por parte da Caixa Econômica Federal, para que as pessoas possam comprar eletrodoméstico no Natal.Bancos e construtoras em dificuldades também foram beneficiados e instituições estatais, como Banco do Brasil (BB) e a própria Caixa, ganharam musculatura para financiar e comprar empresas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que participou em Washington da reunião do G-20 sobre a crise financeira – parece obcecado em afastar do Brasil a recessão que já se instalou nos Estados Unidos, Europa e Japão. A obstinação do governo é boa para o país – mas o que realmente move cada passo do presidente é o fator 2010, ano em que o Brasil terá eleições presidenciais e para governadores.Se a economia chegar a 2010 razoavelmente arrumada, Lula terá boas condições de eleger seu sucessor – o nome mais falado até agora é o da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mas, se a economia capengar, os investimentos sumirem, as classes C e D perderem poder de compra, as exportações despencarem, o emprego desaparecer e a inflação voltar, a oposição, cujos principais representantes até agora são os governadores tucanos de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, ganharão fôlego extra para subir no ringue e brigar contra o candidato de Lula. Até porque crescimento menor afeta a arrecadação de impostos e compromete investimentos do governo, como o Bolsa-Família, responsável pela grande popularidade do presidente nas classes de renda mais baixa. O desafio não é pequeno. Até meados deste ano, a economia brasileira surfou na onda do crescimento mundial. A estimativa dos analistas é de que o país cresça 5,3% em 2008, o que é um número bom. Com o agravamento da crise, porém, tudo mudou. O crédito externo secou, acabando com a farra do dinheiro com juros civilizados e prazos a perder de vista no Brasil que, durante alguns anos, movimentou setores inteiros da economia, como vendas de automóveis e imóveis.“Dos 5,3%, 5 pontos percentuais devem-se ao mercado interno e investimentos e 0,3%, às exportações. Para o ano que vem, a expectativa é de crescimento entre 3% a 3,5%, o que significa uma forte desaceleração. As pessoas vão sentir. O Natal deste ano não vai ser tão legal”, resume o economista Paulo Pacheco, coordenador do Ibmec Minas. Para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o crescimento em 2009 será de apenas 3,13%. Para o Banco Fator, serão 2,5%. Com prazos menores e juros maiores, as vendas caíram e acenderam o sinal de alerta no governo. Resultado: Lula definiu os setores estratégicos para a economia – exportações, automotivo, construção civil, agricultura e crédito – e abriu os cofres.Da exportação, vêm os dólares que ajudam a manter o equilíbrio das contas públicas nacionais. A indústria automobilística gera empregos e o sonho vendido por Lula de que cada brasileiro possa ter seu automóvel. Da construção civil também vêm milhares de empregos e o outro sonho vendido por Lula, o da casa própria. Da agricultura, vêm os alimentos que ajudam a manter a inflação sob controle, os empregos no campo que evitam o inchaço das cidades e também os dólares com os produtos vendidos no exterior. E o crédito é a mola-mestra – ou, mais que isso, é uma espécie de santo graal da economia, sem o qual não há consumo, vendas ou crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).DRAGÃO DA INFLAÇÃO Lula sabe disso. A oposição também. O governo, portanto, vem agindo para manter esses setores aquecidos e, ao mesmo tempo, tentar manter o dragão da inflação sob controle – Lula também sabe que uma possível escalada inflacionária afetaria fortemente as classes C e D, justamente onde estão a maior parte de seus eleitores.Não será fácil. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), eleito pelo governo como inflação oficial, fechou outubro com alta de 0,45%, ou 6,4% nos últimos 12 meses. A meta da inflação para este ano é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Para o economista Luís Fernando Lopes, da Pátria Investimentos, o índice de 6,5% será atingido já em novembro, o que aumenta a chance de que a inflação estoure a meta em 2008. O motivo é a alta do dólar, que faz estragos nos preços de insumos e produtos importados.Para conter a inflação, é bem provável que o Banco Central (BC) volte a aumentar a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano, o que encarece o crédito – e isso é tudo que Lula não quer. São decisões difíceis de serem tomadas – mas que, a partir de agora, terão como bússola quase exclusiva o fator 2010. Uma última má notícia: segundo pesquisa da Febraban, a crise vai durar mais dois anos, o que significa que seus reflexos ainda serão sentidos em plena campanha presidencial. Lula vai ter de tirar coelho da cartola.


Estado de Minas

FUSÃO COM O PSDB

A direção nacional do PPS negou que esteja negociando a fusão com o PSDB. De acordo com a nota oficial divulgada pelo partido, a aproximação entre as duas legendas tem como objetivo a construção de um projeto para o país, que será apresentado aos brasileiros pelo candidato da oposição à Presidência da República. A nota informa ainda que esse candidato, na opinião do partido, poderia ser o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ou o de São Paulo, José Serra. Os boatos sobre essa fusão surgiram por causa de um jantar ocorrido entre dirigentes do PPS e tucanos.



Correio Braziliense

Casamento Marcado


A simbiose que DEM e PSDB vivem em São Paulo permite aos caciques democratas afirmarem que, em 2010, o partido seguirá ao lado dos tucanos. “Há um alinhamento natural. O Serra está fazendo um bom governo e foi muito firme conosco”, diz o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), o entrevistado do Programa Brasília-DF na internet
“O Aécio (governador de Minas, também pré-candidato a presidente da República pelo PSDB) é meu amigo. Vamos aguardar que o PSDB se resolva. Mas ele fez aliança com o PSB e com o PT”, lembra Arruda.
A disposição do DEM em seguir com os tucanos é tal que nem mesmo uma chapa pura entre Serra e Aécio tira o entusiasmo. “Não vejo dificuldades. É uma chapa fortíssima”, comenta o governador, recém-chegado de encontros com os caciques do partido em São Paulo, Jorge Bornhausen e o prefeito Gilberto Kassab.

domingo, 16 de novembro de 2008

CLIPPING - 15 DE NOVEMBRO

Estado de Minas

Investimentos firmes em Minas

Governador Aécio Neves, que está na Europa, confirma projetos da Fiat, Vallourec & Mannesmann e Helibrás

A Fiat vai instalar em Betim, na Grande Belo Horizonte, um centro de engenharia responsável pela pesquisa e desenvolvimento de projetos da montadora, trabalho concentrado, hoje, em Turim, na Itália. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, em visita à França, anunciou ontem que assina semana que vem, na Itália, o protocolo de intenções do investimento com o presidente mundial da empresa, Sérgio Marchionne. “Depois de uma longa negociação com a Fiat, que fará investimentos em torno de R$ 5 bilhões na ampliação da sua unidade em Betim, conseguimos garantir a transferência de cerca de 300 engenheiros que virão agora pensar o futuro da empresa e os novos produtos em Minas”, afirmou o governador. Aécio Neves disse, ainda, que em reuniões com executivos dos grupos Vallourec & Mannesmann e EADS, controlador da Airbus Eurocopter e da Helibrás, obteve garantias da manutenção dos investimentos dois dois conglomerados no estado, orçados em US$ 2 bilhões, apesar dos efeitos da crise financeira mundial. Os detalhes do novo investimento anunciado pela Fiat só serão conhecidos na próxima semana, de acordo com a assessoria de imprensa da montadora. Em 2000, a fábrica de Betim ganhou o pólo de desenvolvimento Giovani Agnelli, que desenvolve produtos, faz testes e adaptações em veículos para atender o consumidor brasileiro. Em agosto, o governador de Minas já havia discutido a possibilidade de instalação de um centro de inteligência da montadora em Betim, durante encontro com Sergio Macrchionne. “É um salto do ponto de vista tecnológico extraordinário e aponta para um novo patamar de crescimento da indústria automotiva no Brasil. Pela primeira vez, os produtos que serão vendidos, não apenas no Brasil, mas no mundo, serão discutidos, planejados e projetados em Minas”, disse o governador, em Paris, onde cumpriu agenda de encontros com empresários, acompanhado do secretário de estado da Cultura, Paulo Brant, e do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade. Depois de se reunir com o presidente do Conselho Administrativo do grupo Vallourec, Jean-Paul Parayre, Aécio Neves informou que está mantido o cronograma da construção de uma usina de tubos de aços sem costura no município mineiro de Jeceaba, região Central de Minas. O empreendimento é uma associação do grupo Vallourec e da japonesa Sumitomo Metals, com orçamento de US$ 1,6 bilhão. A unidade deverá começar a produzir em meados de 2010, com a geração de 1,5 mil empregos diretos na fabricação de 1 milhão de toneladas de tubos, quando estiver operando a plena carga. O governador se encontrou, também, com o presidente da EADS, Louis Gallois, que controla a Eurocopter e a Helibrás. A empresa tem investimentos previstos de US$ 350 milhões para expansão da fábrica de Itajubá, no Sul de Minas. Os recursos, conforme informações já divulgadas pelo governo mineiro, vão transformar num pólo de produção de helicópteros, reunindo fornecedores de peças e equipamentos.


Isto É Dinheiro

O PAC dos Estados

Governadores entram no combate à crise e lançam pacotes financeiros de apoio às montadoras e às médias e pequenas empresas


NA TARDE DA TERÇA-FEIRA 11, um movimento sincronizado de duas aves tucanas catalisou as atenções no meio empresarial. Os dois presidenciáveis mais fortes do PSDB até o momento, os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais, lançaram no mesmo dia pacotes para atenuar os efeitos da crise mundial em seus respectivos quintais. O líder paulista anunciou a liberação de R$ 4 bilhões aos bancos das montadoras por meio da Nossa Caixa, valor idêntico ao divulgado uma semana antes pelo Banco do Brasil após determinação do presidente Lula. “Estamos somando esforços com o governo federal para manter o nível de emprego”, afirmou Serra na cerimônia em que liberou os recursos. No Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, Aécio canetou um decreto que autoriza financiamento de R$ 470 milhões a 90 mil empresas mineiras. Mas ele deu um passo à frente em relação ao colega de partido. Além de irrigar o setor produtivo com dinheiro vivo, dilatou o prazo para recolhimento do ICMS de dezembro, melhor mês em vendas no comércio, para abril de 2009. A iniciativa engordará em R$ 830 milhões os cofres das empresas já no mês que vem e dará fôlego extra num momento de crédito escasso. “Não vamos nos acovardar numa época de crise”, disse o governador mineiro.
Os pacotes bilionários de Serra e Aécio também têm um claro componente político. Não há como ignorar o fato de que ao mostrar os dentes à crise global ambos acenam ao Palácio do Planalto e dão informalmente mais um passo na corrida eleitoral de 2010. Serra sai na frente. Primeiro porque a Nossa Caixa está em negociações avançadas para venda ao Banco do Brasil. Se a fusão acontecer, o que é provável, os R$ 4 bilhões anunciados por ele sairão dos cofres do BB. Segundo, o governador paulista tem um plano de investimentos maior até que o PAC de Lula. No ano passado, o programa federal investiu R$ 8 bilhões, R$ 1 bilhão a menos que o de Serra. Neste ano, São Paulo gastou R$ 12,7 bilhões, contra R$ 8,2 bilhões do governo federal. O plano de Aécio também é agressivo. Embora menor, o pacote mineiro inclui na mesma cesta iniciativas monetárias e tributárias, além de não privilegiar um setor específico, como no socorro paulista às montadoras.
Nesse contexto, os efeitos dos pacotes anunciados serão decisivos $ para clarear o cenário presidencial nos próximos meses. Em São Paulo, o socorro aparentemente se faz mais necessário. O setor automotivo responde por 25% do PIB industrial, constatação que endossa a ajuda de R$ 4 bilhões. Segundo o Seade/Dieese, cada posto de trabalho extinto nas linhas de produção causa outras sete demissões na cadeia automotiva. Nos próximos meses, novas coincidências político- econômicas devem acontecer no eixo São Paulo-Belo Horizonte. E a crise será apenas um pretexto.



Isto é Dinheiro

CORRIDA ELEITORAL


Café com leiteCom a derrota de Geraldo Alckmin em São Paulo, o governador Aécio Neves começou a traçar sua estratégia para não perder terreno na maior plataforma eleitoral do País. O mineiro, que passava quase todos os fins de semana no Rio, irá cada vez mais a São Paulo, acompanhando Alckmin por cidades do interior.



Correio Braziliense

Moral da história


A ofensiva petista com o bloco de esquerda tem duas leituras. A primeira: Lula gosta do governador pernambucano e, sendo assim, essa candidatura pode fazer com que o presidente desista da idéia fixa de lançar a ministra da Casa Civil. A segunda: pode ser um jogo para afastar o PSB de Aécio Neves. Há, no PT, um temor de que, Aécio decida se filiar ao PMDB ou mesmo ao PSB e, assim, uma aliança PMDB-PSB o deixe isolado. E tudo o que o partido de Lula não quer é ficar fora do bonde de 2010.


Jornal do Brasil

Lula trabalha por legenda mais flexível para 2010

Presidente quer PT coeso, mas aberto à costura de alianças

Karla CorreiaMárcio Falcão

Diante da arrancada precoce da corrida pelo Palácio do Planalto em 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a se articular para interferir diretamente no processo de mudança na direção do PT, que culminará em novembro de 2009, para quando estão marcadas as eleições para cargos da Executiva da legenda. No pensamento do presidente, a viabilidade de uma candidatura petista para sua sucessão passaria por uma mudança no comando do partido, hoje excessivamente voltado para questões internas e com pouco trânsito entre demais legendas e o eleitorado.
Seguindo essa linha de pensamento, Lula tem defendido em conversas privadas a inserção de ex-ocupantes de postos-chave no Executivo – governadores, ministros, prefeitos – na burocracia da sigla. Busca-se para o comando do PT e, em última análise, para a condução da campanha do candidato à presidência da República ungido com o apoio de Lula, um nome que tenha bom relacionamento com legendas aliadas ao governo, capaz de fazer um PT mais flexível na construção de alianças, explica o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Representante de uma corrente no PT identificada com a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, Vaccarezza vê no chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, o candidato natural à presidência do partido. Condutor da campanha de Marta à prefeitura de São Paulo, Gilberto é conhecido de cada governador, senador, deputado ou prefeito que já tenha passado pelo terceiro andar do Palácio do Planalto. Era, até pouco tempo atrás, o nome incensado por Lula para o cargo.
– Há o problema de abrir mão do Gilberto e tirá-lo do gabinete presidencial quase que no último ano do governo Lula – pondera o ex-governador do Acre Jorge Viana, um dos interlocutores freqüentes do presidente no debate sobre a mudança no comando do PT. O atual secretário-geral da legenda, o deputado José Eduardo Cardozo (SP), é lembrado pelo ex-governador como um nome forte para a condução do partido em um ano crucial na preparação para 2010.
De acordo com Viana, o presidente Lula tem pedido maior envolvimento dos governadores no processo sucessório interno da legenda e na própria diretoria, a partir de 2009. Nomes como o do governador da Bahia, Jaques Wagner, e do próprio Jorge Viana são citados com freqüência para a composição da nova Executiva.
O caminho de Dilma
Em um pleito em que a aliança com o maior partido da base governista, o PMDB, é incerta, e onde a oposição tem hoje os dois candidatos mais conhecidos do eleitorado – os governadores tucanos de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves – o PT terá que trabalhar ao mesmo tempo com uma Executiva dotada de nomes influentes dentro e fora da legenda e capaz de construir um programa de governo identificado com a legenda, mas não exclusivamente petista.
O caminho para a consolidação da candidatura petista – hoje personificada na ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff – passa pela construção do comando do partido de forma a abrir a porta para alianças e evitar que, ao fim dos oito anos de governo Lula, o PT acabe defendendo uma candidatura "puro-sangue", admite um petista com trânsito no gabinete presidencial. Também será necessário construir propostas para o candidato à sucessão de Lula que mantenham o compromisso com as políticas econômica e social adotadas nos últimos anos e não espelhem apenas as demandas da legenda, nos moldes do que foi a Carta aos Brasileiros para as eleições de 2002.


Veja

Vai ter de ficar


Aliados de Aécio Neves, não se sabe se com seu aval, sondaram informalmente ministros do Supremo para saber se, pela lei de fidelidade partidária em vigor, o governador perderia o mandato se trocasse de partido. A resposta, unânime, foi "sim".